
Analisado no Nintendo Switch
Foram 19 anos desde o ultimo lançamento novo da franquia principal 2D de Metroid, os fãs da série esperavam a continuação de Metroid Fusion desde 2002, mas em 08 de Outubro de 2021 finalmente Metroid Dread chegou ao Nintendo Switch e nesta análise vou tentar expor tudo aquilo que achei do game.
Metroid Dread é uma sequencia direta de Fusion, mas alguns enxertos foram feitos na história para acomodar os novos fatos contados em Metroid: Samus Returns, como o fato de que os Metroids foram criados pelos Chozos como uma espécie de guerreiro supremo, onde sua principal função seria de predador do Parasita X, esse por sua vez os grandes vilões de Fusion.
Após os eventos de Fusion, onde supostamente os Parasitas X foram exterminados quando Samus de uma vez só destruiu o Biologic Space Laboratories (B.S.L.) e o Planeta SR388, ambos lar dos Metroids e Parasita X, a Federação Galáctica recebe um vídeo onde um Parasita X está vivo e solto na natureza, o remetente do vídeo é desconhecido mas sua origem aponta para o planeta ZDR. Com isso em mente, a federação decide enviar sete E.M.M.I., robôs de pesquisa com grande mobilidade e carcaça feita com alguns dos materiais mais resistentes do universo projetados para capturar amostras de campo em qualquer ambiente e extrair seu DNA. Mas um fato estranho acontece. logo após a chegada dos robôs em ZDR, a federação perde comunicação com eles e então Samus decide ir até lá investigar.
Um detalhe importante em Metroid Fusion, Samus foi infectada com o Parasita X, quase morre e teve sua Power Suit original completamente danificada. Para ser salva, uma vacina experimental feita com base no DNA de Metroid foi usada deixando-a imune ao Parasita X e sendo uma das últimas fontes de DNA Metroid no Universo.
Pois bem, base da história explicada chegamos em ZDR. Logo de inicio uma cutscene mostra Samus caída desacordada até um flash de memória onde ela está descendo ao ponto mais profundo do planeta e dando de cara com um grandioso guerreiro Chozo! Espera, um guerreiro Chozo? Sim, essa foi a minha reação já no trailer. Como de costume em todos os Metroids, algo acontece e Samus fica praticamente despida de suas habilidade. Claro, um ótimo plot para que você, jogador, possa coletar todos os itens mais famosos da série novamente. Isso acontece em Dread também quando o poderoso Chozo Warrior trava uma breve batalha com Samus, que até aquele ponto era inofensiva a ele e isso a deixa na pior ficando praticamente sem nada.

Em Dread até mesmo o básico do básico da movimentação de Samus é melhor que em jogos passados. Aqui começamos com o tiro básico, misseis (SIM MISSEIS), desde o começo e a possibilidade de deslizar por espaços pequenos mais ou menos como a Morph Ball, mas com menos possibilidades de uso.
Esse é um detalhe que me deixou bastante satisfeito com o game, a jogabilidade desde o começo é muito fluida. Samus nunca pareceu tão ágil como em Dread e a qualidade das animações, os saltos, o Wall Jump funciona sem que seja necessário fazer um curso pra isso (fica a dica viu Super Metroid…). O Melee Counter retorna do jogo do 3DS e funciona quase de forma perfeita, dependendo muito do Timing do jogador. Aqui vai uma dica: tente ao máximo dominar a técnica! Ela quase sempre é mais eficiente que o combate direto e mandatária contra alguns chefes.
O mapa de Metroid Dread é imenso, mas não de uma forma forma que seja cansativo. O backtraking tem alguns problemas, principalmente o de restringir rotas, por exemplo, para você acessar uma área é necessário destruir uma barreira e ao fazer isso você liberou o acesso a frente e fechou o seu caminho de volta… Isso se repete muitas vezes ao logo do game e da uma sensação de que você está sendo conduzido pelo jogo de uma forma sutil. Deixando esse detalhe de lado, são nove áreas e cada uma com um bioma já reconhecido da série. Temos a tradicional área vulcânica, a floresta tropical, o mundo alagado, o laboratório abandonado e uma novidade de uma área que remete a uma grande cidade/templo. Os temas são bastante variados e dão uma boa atmosfera ao jogo. Um detalhe bem legal é a existência de outros tipos de transporte além dos tradicionais elevadores, trens e estações de teletransporte espalhados pelo mapa interligam o jogo.
Um dos pontos principais do jogo são os robôs E.M.M.I. e posso dizer sem sombra de dúvidas que eles realmente provocam o efeito Dread (de temor) no jogador. Não é um efeito de medo, é de urgência. Os E.M.M.I. estão espalhados nas principais áreas do jogo cobrindo espaços restritos (ainda bem) e eles têm controle sobre as portas de entrada/saída. Com a reprogramação, eles estão em busca de extrair o DNA Metroid de Samus e por isso, sempre que entrar em sua área de domínio tente ser o mais imperceptível possível ou o mais ágil que você puder, afinal a caçada será implacável e apesar do jogo te dar uma única chance de rebater o seu ataque usando o Melee Counter, as chances são mínimas. É mais provável que num confronto direto a tela de gameover apareça do que você possa escapar de um E.M.M.I.
Por outro lado, a batalha contra eles é bastante engenhosa e o jogador precisa achar o melhor lugar para enfrenta-lo, afinal, são três etapas. Primeiro o jogador deve localizar e destruir o “core”, uma criatura orgânica que se parece com um grande cérebro de um olho só (Mother Brain? É você?) coberta por uma carapaça metálica. Feito isso, o Omega Blaster ativa no canhão da Samus e você está pronta para enfrentar o E.M.M.I. A segunda etapa é destruir o escudo que protege o núcleo do robô, aquele olhão vermelho e por fim, é necessária uma grande explosão para danificar de vez esse núcleo. Quando o resultado é eficiente, o E.M.M.I. será destruído e sempre dará um upgrade único e muito útil para a Samus. Aquela área antes controlada por ele será liberada e infestada pela vida natural do planeta, ou seja, inimigos comuns. Caso o resultado da batalha seja falho, o game coloca o jogador num momento após a coleta do blaster, tudo muito rápido e simples.
Os E.M.M.I. podem ser parte importante do gameplay de Metroid Dread, mas não se engane, eles são apenas parte do poder de fogo do inimigo, e que poder viu. Na mesma proporção que o game oferece agilidade e upgrades para Samus ele também entrega quantidade de chefes e dificuldade deles, eu de verdade joguei todos os títulos da série principal e nunca tive a sensação de que a Samus fosse tão “fraca” como nesse jogo. Não falo dela ser incapaz, não é isso, ela sofre danos muito severos contra alguns chefes, parecendo de verdade que você está enfrentando uma fera muito mais poderosa que ela. Sem spoilers, um chefe para frente da metade do game era capaz de eliminar num golpe mais de um tanque e meio de energia da Samus, ou seja, em poucos erros o jogador tinha perdido a batalha.

Essa sensação vai sendo amenizada conforme o jogo avança e como acontece na maioria dos títulos do gênero que Metroid ajudou a criar, os Metroivania, aqui não é diferente. Vai chegar um ponto que a agilidade de Samus é maior ainda e ela é simplesmente uma máquina de guerra pronta para qualquer coisa. Tudo fica mais rápido e dá mais prazer de atravessar o mapa em busca de itens outrora de difícil acesso. Além disso, novas habilidades deixam tudo mais interessante e entre elas destaco a Phantom Cloak, um recurso que permite que Samus fique invisível por um tempo; a Siper Magnet que da a ela a possibilidade de escalar e se pendurar em algumas áreas específicas do jogo e a Flash Shift, um recurso de dash, que permite a personagem se mover de um lado pra outro ou avançar mais em uma direção de forma extremamente rápida, algo como a velocidade da luz, permitindo escapar de alguns inimigos, de seus golpes ou ainda atravessar áreas muito rapidamente.
Visualmente eu acho Metroid Dread extremamente competente e bonito,. Vi algumas reclamações do visual na internet, mas em cada sala há profundidade e não parecem simplesmente um plano de fundo morto. Existe sim algo naquele plano de fundo, um ambiente interligado a parte da frente onde acontece o jogo, além disso, variedade e execução dos temas contribuem para essa sensação. Destaque especial para a primeira vez que você pega o trem entre Dairon e Burenia e está chovendo. É realmente muito legal! Infelizmente Metroid Dread não foi o primeiro jogo oficialmente localizado em Português do Brasil pela Nintendo, deixando esse título para Mario Party Superstar, o que não é um problemão. Já a parte sonora é boa, muito boa, mas não tenho a certeza de que as músicas desse jogo se tornarão clássicos como a de outros jogos. Os destaques ficam para Artaria III, Cataris I, Dairon e claro, o remix de Brinstar Red Soil, clássica do Super Metroid.

Em geral, a impressão era de que a MercurySteam sempre nadava muito e morria na praia, isso aconteceu com alguns títulos Castlevania feitos pelo estúdio espanhol e mais recentemente com Metroid: Samus Return. Isso não significa que eram jogos ruins, mas sempre pareciam estar um pouco aquém do potencial e isso definitivamente não acontece em Metroid Dread. Eu tinha expectativas astronômicas para esse jogo e, apesar de alguns pontos me irritarem, eu não posso dizer que elas não foram atingidas. Com isso em mente, digo com propriedade que Metroid Dread é senão o melhor, um dos melhores títulos na franquia. Ele tem controle primoroso, visuais contundentes, parte sonora que agrada e ritmo/história que farão o jogador ficar preso a ele até o final. O título não é muito longo, mas isso também é bastante relativo, uma vez que jogos desse tipo varia muito de jogador para jogador. Sendo assim, Metroid Dread é um título que eu recomendo demais. De longe o melhor que joguei em 2021!
Confira neste vídeo de gameplay a primeira hora de Metroid Dread
(ative as legendas em Pt-Br nas configurações do YouTube):














