
Analisado no Nintendo Switch 2
Após muitos anos sem um título inédito e ainda mais tempo sem um jogo em 3D, Donkey Kong finalmente retorna com um game de movimentação tridimensional, aproveitando os primeiros meses de vida do Nintendo Switch 2. Desenvolvido e publicado pela Nintendo, o jogo chegou ao novo console da empresa em 17 de julho de 2025.
Donkey Kong é o primeiro personagem icônico da Nintendo. Antes mesmo de Mario se tornar “Mario”, ele era conhecido como Jumpman no clássico jogo do DK. Portanto, é hora de dar o devido respeito ao gorilão. Em Donkey Kong Bananza começamos a história com um DK de visual renovado, modelo esse que nos games apareceu primeiro no recente Mario Kart World, mas que tem semelhanças ao modelo usado no filme do Super Mario Bros. lançado em 2023.
A narrativa é simples, mas serve bem como base para o desenvolvimento do game e criação de laços entre o DK e a Pauline, que aqui ainda é uma adolescente de 13 anos de idade. No game, a Void Company está perfurando o núcleo do planeta para alcançar a poderosa raiz de Banândio, um cristal raro que cresce do centro até a superfície do mundo de Donkey Kong. Dizem que essa raiz é capaz de conceder qualquer desejo a qualquer um que chegue até ela, com um detalhe, a raiz não faz julgamentos entre pedidos bons ou ruins, ela apenas concede, com isso em mente o ganancioso Void Kong deseja ter posse da raiz para se apropriar de todas as riquezas do mundo, mas para isso existe um porém, sua máquina perfuradora usa o poder dos Cristais de Banândio em forma de bananas para fornecer energia e Void está roubando todas essas bananas do mundo, é neste cenário que DK se envolve.
O Cristal Banândio é responsável por fornecer ouro para o mundo, mas ele também é capa de produzir deliciosas bananas, essas que são o lanchinho predileto do nosso protagonista. Após um incidente no local de trabalho do DK causado pelo Void e sua equipe o caos se instaura e uma misteriosa pedra falante é deixada pra trás. Com essa premissa DK e a pedra partem para a aventura para chegar ao núcleo do planeta antes que o vilão.
A estrutura do game é dividida por camadas. Em vez de mundos temáticos, o jogador desce camada por camada do planeta. Após libertar Pauline de seu estado petrificado, a aventura ganha ritmo. Juntos, DK e Pauline são capazes de vencer barreiras colocadas pelo Void Kong, mas além disso, a poderosa voz de Pauline é capaz de provocar transformações no DK, as chamadas Bananzas. Existem cinco transformações Bananza e cada uma delas é capaz de fazer com que o Donkey Kong ganhe novos poderes como sobre força, capacidade de planar, velocidade aprimorada, salto ampliado e sucção. Cada uns desses Bananzas vão ampliar as possibilidades de gameplay e claro, em alguns momentos serão mandatários para progredir, as vezes alternando entre mais de um.
A voz de Pauline também desbloqueia áreas complementares com combates, desafios e fases bônus, cada qual concedendo um número diferenciado de bananas de cristal como recompensa. As lutas o nome já diz, DK e Pauline devem derrotar um número determinado de inimigos dentro de um tempo e regras pré-determinadas, desafios é algo mais amplo, são sessões fechadas de gameplay que oferecem provas e quebra-cabeças únicos a serem vencidos, esses normalmente possuem três bananas pelo cenário, quase sempre uma está escondida ou oferece uma dificuldade maior para conquista. E por fim, os bonus são só alegria, são áreas especiais com um tempo curto onde a missão é coletar o máximo de ouro possível.
A jogabilidade consiste em sair quebrando tudo que for necessário (e por vezes aquilo que também não for). Donkey Kong é capaz de golpear para a frente, para baixo e para cima, ele pode pular, pular e golpear para baixo, escalar superfícies (desde que não sejam escorregadias), rolar no chão, mas aqui infelizmente não por muito tempo e também se pendurar em objetos que estão suspenso, é possível arrancar pedados do cenário e arremessar contra outros locais ou inimigos, além de golpear segurando esse pedaço, junto disso, Donkey Kong ainda pode subir nesse bloco e surfar, no maior estilo Link sobre o escudo nos Zeldas mais recentes. Um movimento que é bastante útil é o de bater palmas, seja no chão ou no ar, quando faz isso, DK é capaz de coletar itens próximos e destruir um pouco o ambiente baixo dele, mas talvez a função mais importante que é a de localizar itens, sim, esse efeito de bater as palmas no chão funciona como um sonar, indicando onde estão coletáveis e cristais de banana.
Um ponto que se tornou padrão na maioria dos games atuais é o de não possuir vidas, e em Donkey Kong Bananza isso também ocorre, mas não pense que por isso não há morte, existe sim, mas aqui apenas somos penalizados com o pagamento de 500 pepitas de outro, o que quase nunca ocorre é essa morte ser causada por queda em abismos, nesse caso balões vermelhos são usados para que nosso gorilão possa ser levado a um local seguro. Ainda durante o gameplay vai ser comum encontrar inimigos, esses costumam ser tranquilos, mas vez ou outra encontramos alguns que só podem ser vencidos com algum Bananza ou ainda arremessando algum pedregulho contra ele, porém, vez ou outra acabamos recebendo dano e para recuperar vida DK consome maçãs que consegue coletar pelo mundo, coleta essa que vai envolver as já citadas pepitas de ouro, uma das moedas do game e capazes de carregar o medidor de Bananza, as rodelas que são a outra moeda do game, baús do tesouro que podem conter itens, pepitas ou mapas e claro, o bem mais precioso do game, os cristais de bananas escondidos ou enterrados.
Esses cristais são muito importantes para a obtenção de pontos de habilidades, a cada cinco bananas um ponto é ganho. Esses pontos podem e devem ser gastos na árvore de melhorias do DK, que consiste em upgrades para o gameplay em si, como mais força, mais agilidade, melhora em habilidades e maior capacidade de carregar itens e vida, bem como melhorias para as Bananzas, que também podem ganhar habilidades aprimoradas e mais duradouras. Esses conjuntos de elementos fazem de Donkey Kong Bananza um prazer ao jogar, é tudo muito fluido e integrado.
Um ponto que vale atenção do gameplay é o fator destruição, esse funciona muito bem, incrivelmente bem, sendo possível destruir praticamente o cenário todo, deixando apenas o seu esqueleto, por outro lado, como já citei os inimigos variam em dificuldade, mas junto disso está o cenário em si, que pode oferecer um grau considerável de dificuldade e desafios arriscados em alguns casos, já em contra partida, os chefes são fáceis e repetitivos, esses consistem em máquinas ou criaturas controladas pela Void Co. ou ainda embates contra o Grumpy Kong e a Poppy Kong, dois funcionários do Void Kong. Essas batalhas costumam ser fáceis e rápidas, oferecendo um nível leve de desafio para a maioria dos jogadores.
Os cenários do game são lindos e super variados, temos desde uma área costeira, passando por geleiras, florestas, minas, fábricas, aterros, resort… é muita variedade tanto visual quanto de ideias e gameplay, cada localidade ainda possui seus habitantes nativos, com os Fractons sendo os mais comuns no game, e assim como em Super Mario Odyssey, possuem uma espécie de moeda local que pode ser trocada por roupinhas e visuais para o DK e Pauline. Aqui são fósseis no lugar de moedas, mas o contexto é o mesmo. Essas roupas fornecessem melhorias de status aos personagens, como por exemplo, a capacidade do DK resistir mais aos danos de ataques, à água gelada ou calor da lava, já as da Pauline estão relacionadas a maior tempo de Bananza ou coleta de itens. Já a segunda moeda, as rodelas, podem ser usadas na compra de bananas com o cambista em pontos onde ele esteja disponível, claro que além das rodelas será necessário pagar uma taxa com pepitas de ouro, mas isso já era esperado de um cambista certo? Os cambistas também podem vender discos de vinil, esses são mais um coletável do game, que é possível obter aleatoriamente ao enfrentar inimigos
Outros vendedores fornecem acesso às roupas especiais e itens, como o suco de maçã que recupera os corações de DK, o suco de melão que pode encher o medidor de Bazanza imediatamente, balão unitário ou um kit com 10, mapa de cristal de Banândio (as bananas), e de fósseis, sejam eles comuns, raros ou superraros.
Em resumo as Bananas servem para ganhar pontos de habilidades, rodelas podem ser trocadas em Cristais e discos de vinil, fósseis servem como moeda de troca para roupas especiais, pepitas de ouro são a principal moeda do game e fornecem energia para a transformação Bananza, os discos de vinil podem ser coletados e ouvidos na vitrola de cada abrigo que é possível construir nas camadas…, acho que dá para dizer que Donkey Kong Bananza faz parte do subgênero de plataforma collect-a-thon, relembrando o clássico DK 64. Já ia me esquecendo, é possível construir vários abrigos para descanso nas camadas, esses locais fornecem amenidades como uma cama para recuperar a vida, guarda-roupas para se trocar e a vitrola já citada, porém, abrigos de maior nível fornecem um bonus de corações de vida e acesso ao concierge, que é capaz de oferecer serviços dos vendedores com a conveniência de estar ali mesmo a seu dispor.
Visualmente Donkey Kong Bananza não faz feio, mas acredito que toda a física envolvida fez com que o game precisasse focar menos em visuais para dar conta de manter a taxa de quadro, essa que em alguns momentos fica comprometida, ainda assim o game oferece uma boa qualidade visual, tanto no uso de cores quanto na direção de arte adotada. Os personagens todos tem um visual legal e caricato, principalmente a Pauline com seu visual de adolescente e o próprio DK com seu visual repaginado e todo expressivo, sim, muitos vão dizer que prefeririam o gorilão antigo, mas é inegável que agora é possível ver muito mais expressões e reações vindo dele, principalmente caras engraçadas e exageradas. Já em questão sonora o game é ok, a trilha sonora é boa, com algumas músicas de destaque, mas ao menos em mim não despertou muita paixão e isso se aplica aos efeitos sonoros, muito bem feitos e que completam bastante a parte sonora, porém a cereja do bolo fica com a dublagem da Pauline, sim esse é o primeiro game que um personagem é dublado em português do Brasil, trabalho primoroso com a voz da Isabella Guarnieri e de todo pessoal de dublagem brasileira, com a inclusão de frases e palavras de efeito totalmente relacionadas a nossa cultura, um show a parte.
Já que eu citei o antigo visual do Donkey Kong, um afago aos nostálgicos, coisa que eu sou um pouco, fiquem tranquilos que a Nintendo não esqueceu e muito menos ignorou o legado criado pela Rare nos DKC, tanto fases especiais (com suas músicas) e personagens se fazem presentes no game de alguma forma.
Todo esse conjunto apresenta um game divertido, engraçado e muito gostoso de jogar, Donkey Kong Bananza é um game que marca um novo capítulo no legado da franquia Donkey Kong, um game ambicioso e grandioso que gorila estava merecendo, todas as referências do passado e novidades apresentadas casam muito bem com o que foi introduzido, sim o game não é perfeito, e isso é algo bom, afinal indica que existe margem para melhorar ainda mais, mas ainda assim faziam anos que um game não me arrancavas sorrisos largos e fazia eu passar mais de 5 horas jogando sem parar, esse é um dos trunfos do game, sua diversão é imensa e mesmo que possua pontos que demandariam mais atenção, ele não deixa de ser o ápice do gênero em 2025.











