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Ribeirão Noir – O Roubo da Estátua de São Sebastião estreia na FIL de Ribeirão Preto

Jogo gratuito para Android mergulha o jogador nos anos 1950, explorando patrimônio, desigualdades sociais e o passado da cidade.

Uma cidade histórica, um crime fictício e questões sociais ganham vida em Ribeirão Noir – O Roubo da Estátua de São Sebastião, novo jogo digital e gratuito para celulares Android, que será lançado neste sábado (16 de agosto) durante a 24ª Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto (FIL).

A experiência começa às 10h no Palacete Camilo de Matos com o painel “História em Jogo: Patrimônio Cultural, Populações Negras e Educação para o Futuro”. O evento reúne nomes como Marcelo de Souza Silva (doutor em História Social e pesquisador em jogos digitais na educação), José Antonio Corrêa Lages (Ciências da Religião/História) e Sérgio Luiz de Souza (doutor em Sociologia/UNIR), com interpretação em Libras e visita guiada por cenários do game. Já à tarde, entre 14h e 16h, o público poderá experimentar o título no estande da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, com demonstração interativa feita pelos próprios desenvolvedores.

Ambientado numa Ribeirão Preto reimaginada dos anos 1950, o game coloca o jogador no papel de Dandara, uma mulher negra diante de dilemas de machismo, racismo e das contradições urbanas da época. Em busca da misteriosa estátua desaparecida de São Sebastião, ela explora prédios emblemáticos como o Theatro Pedro II, Mercadão Municipal e o próprio Palacete Camilo de Matos, desvendando pistas e tomando decisões que alteram o rumo da narrativa.

Ribeirão Noir 01

Uma proposta além do entretenimento

Segundo Fernanda Moura, diretora da Palimpsesto Produções, o projeto foi pensado como uma ferramenta de reflexão: “Ribeirão Noir mistura suspense, memória histórica e injustiça social, convidando o público a olhar para o passado e a perceber como certas estruturas ainda resistem no presente, promovendo uma educação crítica pelo entretenimento”.

O jogo nasceu de ideia original dos professores Wanderley Barissa e Gustavo Bueno (Curupira Educação Cultura Jogos) em RPG de mesa, logo adaptada para os formatos digitais pela Palimpsesto. Desenvolvido em Godot, engine de código aberto, aposta em narrativa não linear inspirada nos clássicos livros-jogos: as decisões do jogador impactam o desfecho, com mecânicas baseadas em rolagem de dados, tentativa de novas ações em troca de pontos de vida e múltiplos caminhos a explorar.

Ribeirão Noir 02

Imersão visual e sonora

A trilha sonora e o sound design, criados por Ramon Jardim, dialogam com a tradição noir do cinema, enquanto todas as ilustrações, assinadas por Cordeiro de Sá, foram baseadas em pesquisa detalhada de fotos e registros históricos, recriando de forma estilizada a Ribeirão Preto da década de 50.

Ribeirão Noir é o primeiro jogo narrativo inspirado nos patrimônios de Ribeirão Preto, combinando conteúdo histórico, debate social e elementos de estratégia, mistério e RPG – uma aposta ousada no campo do edu-gaming brasileiro.

Para Fernanda Moura, lançar o game na FIL é mais do que apresentar um projeto: “É oferecer uma experiência inédita a um público diverso e aberto, mostrando como os games também podem ser espaços para cidadania, cultura e memória”.

Marcelo Rodrigues

Old Gamer, se aventurando no ramo dos video-games deste o Atari. Já foi só do lado "Azul" da Força, mas hoje distribui sua atenção para todas as plataformas. Apesar de jogar todos os estilos, Adventures e Plataformas ainda tem um lugar especial em seu coraçãozinho.
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