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Assassin’s Creed Black Flag Resynced – Preserva o legado com grandes melhorias | Análise

Analisado no PlayStation 5


Existem jogos que marcaram uma geração inteira. Não porque são perfeitos, mas porque conseguem proporcionar experiências que permanecem vivas na memória muitos anos depois. Para mim, Assassin’s Creed Black Flag sempre foi um desses jogos, assim como outros da franquia.

Conheci Assassin’s Creed quando tinha entre 17 e 18 anos e desde então, acompanhei de perto toda a evolução da franquia. Vivi o auge da trilogia de Ezio, a despedida de Altaïr, a chegada de Connor durante a Revolução Americana, a ousadia de Edward Kenway em alto-mar, a beleza arquitetônica de Unity, a reinvenção promovida por Origins, o gigantismo de Odyssey e Valhalla e, mais recentemente, as mudanças apresentadas em Mirage e Shadows, que diga-se de passagem: são meus favoritos atualmente.

Ao longo desses anos também acompanhei todas as controvérsias envolvendo a Ubisoft. A franquia recebeu críticas por lançamentos anuais, bugs, perda de identidade e excesso de conteúdo repetitivo. Em muitos momentos, essas críticas foram totalmente justificadas. Mas existe um ponto que sempre faço questão de reconhecer: poucas empresas demonstram escutar sua comunidade como a Ubisoft. Nem sempre as respostas chegam na velocidade que gostaríamos, mas muitas das mudanças implementadas nos últimos anos nasceram justamente do feedback dos jogadores. Mirage surgiu como resposta ao pedido por um Assassin’s Creed mais clássico. Shadows trouxe melhorias importantes na estrutura narrativa. E Black Flag Resynced parece ser a consolidação dessa filosofia. Mais do que um remake, ele transmite a sensação de ser uma homenagem a um dos capítulos mais queridos da franquia.

Quando eu penso nos grandes protagonistas de Assassin’s Creed, Ezio Auditore normalmente ocupa o primeiro lugar na memória dos jogadores. Altaïr representa disciplina e redenção. Connor simboliza justiça. Bayek representa a origem da Irmandade. Arno vive uma história marcada pelo romance e pela tragédia. Eivor traz o espírito conquistador dos vikings, mas Edward Kenway sempre foi diferente. Ele não começou sua jornada buscando justiça, vingança ou qualquer ideal ligado aos Assassinos. Era apenas um homem sedento por riqueza, liberdade e reconhecimento, disposto a tudo para ter a vida que acreditava merecer, ao lado de Caroline Scott. Talvez seja justamente isso que torne sua evolução tão especial.

Ao longo da campanha vemos Edward amadurecer lentamente. As perdas, as amizades e os erros moldam sua personalidade até que finalmente compreende que existe algo maior do que ouro e fama. É uma transformação extremamente humana e, até hoje, uma das melhores construções de personagem da franquia, e para mim, fica lado a lado de Naoe, no quesito profundidade. Reencontrá-lo agora, com tecnologia atual, animações completamente refeitas e expressões faciais muito mais naturais, faz perceber o quanto esse personagem continua atual.

Logo nos primeiros minutos fica evidente que a Ubisoft não quis reinventar Black Flag. A introdução permanece praticamente intacta. O tutorial segue familiar e destaca uma memória neuromuscular, pois mesmo não jogando esse game há mais de uma década, eu ainda sabia para onde ir. A progressão inicial respeita completamente o jogo de 2013, e isso é ótimo! Nem tudo precisa ser novo em um remake. Em Assassin’s Creed Black Flag Resynced, as mudanças aparecem justamente onde elas eram necessárias.

As interrupções obrigatórias envolvendo o presente, que quebravam completamente o ritmo da narrativa no jogo original, praticamente desapareceram. Tenho a impressão de que essa nova estrutura inspirada no Animus Hub deixa toda a experiência muito mais fluida, permitindo que o jogador permaneça imerso na jornada de Edward. É uma decisão simples, mas extremamente inteligente e funcional.

Pela minha experiência, quem jogou Black Flag original recentemente ou mesmo viu gameplays por aí, provavelmente percebeu que alguns sistemas envelheceram. A movimentação era pesada. O loot dos inimigos interrompia constantemente o ritmo da exploração, o combate dependia demais de contra-ataques, as animações apresentavam pequenas e constantes travamentos, mas agora, tudo isso foi retrabalhado: o saque agora acontece instantaneamente, os comandos respondem com muito mais precisão, o sistema de parry aproxima o combate da filosofia adotada em Origins, Odyssey e Valhalla sem abandonar completamente a identidade clássica da franquia. O novo sistema de desequilíbrio amplia as possibilidades durante as batalhas, enquanto a possibilidade de utilizar a água como ferramenta de stealth transforma completamente a exploração costeira. Eu sei que são mudanças discretas individualmente, mas juntas, elas fazem toda diferença, toda mesmo.

Mesmo depois de tantos anos, poucos jogos conseguiram superar o combate naval apresentado por Black Flag. E Resynced consegue melhorar aquilo que que me incomodava demais na época. A navegação está mais fluida, o comportamento do vento foi redesenhado de maneira muito mais intuitiva, deixando as batalhas com um ritmo melhor. Os novos armamentos e melhorias para o Jackdaw tornam a progressão mais interessante. A inclusão de oficiais para a tripulação também adiciona novas possibilidades estratégicas durante toda a campanha, é impossível não lembrar da influência que Black Flag exerceu até mesmo sobre jogos focados exclusivamente em piratas.

Visualmente, Black Flag Resynced representa um enorme salto tecnológico, a evolução da Anvil Engine permite cenários muito mais detalhados, iluminação dinâmica extremamente convincente, sombras realistas, vegetação muito mais densa e efeitos climáticos impressionantes. O mar continua sendo um espetáculo, as ondas possuem comportamento natural, as tempestades impressionam e assustam e o pôr do sol refletindo sobre a água continua sendo um dos cenários mais bonitos de toda a franquia. As cidades também ganharam muito mais vida, com mercadores que trabalham normalmente, enquanto soldados patrulham as ruas, ao passo que animais circulam livremente e os navios cruzam constantemente o horizonte. Tudo contribui para criar um mundo extremamente vivo.

Se existe algo que Black Flag sempre fez de maneira brilhante foi transportar o jogador para o Caribe e é claro que grande parte desse mérito pertence à trilha sonora. As músicas orquestradas continuam emocionantes, mas são as tradicionais cantigas de marinheiros que tornam a experiência inesquecível. Poucos momentos conseguem transmitir tanta sensação de liberdade quanto navegar pelo oceano ouvindo toda a tripulação cantar enquanto o sol desaparece no horizonte, todo o design de áudio também merece destaque: O som das ondas, o rangido da madeira, o impacto dos canhões, o vento atravessando as velas… Tudo trabalha em conjunto para criar uma das experiências mais imersivas já produzidas pela Ubisoft.

Mas claro, que o game não passaria ileso pelo eventuais bugs. No começo eu acabei percebendo uns detalhes meio estranhos no jogo, nada que quebrasse a experiência de verdade, mas teve momento em que um objeto simplesmente decidiu sair voando do nada, e em outros o controle parecia dar uma leve atrasada na resposta, como se não acompanhasse o ritmo do que eu estava fazendo. Isso aconteceu bem poucas vezes, tipo uma ou duas no máximo em cada situação, e depois não voltou a se repetir. No fim, é aquele tipo de coisa que eu já encaro como algo que pode normalmente acontecer com qualquer jogo antes do lançamento, fácil de ajustar com atualização e que não chega a comprometer o que o jogo entrega no geral.

Uma das maiores qualidades de Black Flag Resynced é conseguir reunir elementos de praticamente todas as fases da franquia, o parkour lembra os jogos clássicos, a fluidez das animações se aproxima de Unity, o combate incorpora conceitos introduzidos em Origins, Odyssey e Valhalla. a furtividade recupera características vistas recentemente em Mirage, enquanto isso, a estrutura do Animus conversa diretamente com as soluções apresentadas em Shadows. É como se a Ubisoft tivesse reunido quinze anos de aprendizado para reconstruir um de seus jogos mais importantes.

Depois de tantos anos acompanhando Assassin’s Creed, continuo acreditando que a franquia ainda possui enorme potencial e vai render histórias incríveis para a gente. Claro, que nem todas as decisões da Ubisoft foram acertadas e nem todos os jogos conseguiram manter o mesmo nível de qualidade, mas Black Flag Resynced mostra que a empresa ainda sabe revisitar seus próprios clássicos com respeito, Edward Kenway continua sendo um dos personagens mais carismáticos da série com sua história emocionante em uma ambientação que continua extraordinária, só que agora, com gráficos modernos, jogabilidade refinada, combate atualizado, exploração mais dinâmica e uma imersão ainda maior. Black Flag demonstra porque permanece entre os títulos mais importantes da franquia.

Como alguém que acompanha Assassin’s Creed desde a adolescência, é impossível não sentir um enorme entusiasmo ao revisitar essa aventura e qualquer outro título da série. Se este realmente for o caminho que a Ubisoft pretende seguir para seus próximos remakes, acredito que a franquia tem tudo para viver uma nova era, respeitando seu legado enquanto evolui para as futuras gerações de jogadores.

Veredito Gamers & Games:

Nota Final
9.5
/ 10

“Assassin’s Creed Black Flag Resynced moderniza um dos capítulos mais queridos da franquia sem abrir mão de sua essência. Com melhorias na jogabilidade, gráficos impressionantes e uma ambientação ainda mais envolvente, o retorno de Edward Kenway reafirma por que esta continua sendo uma das aventuras mais marcantes da série.”

Assassin's Creed Black Flag Resynced

9.5

Nota

9.5/10

Positivos

  • Exploração naval
  • Ambientação e imersão
  • Personagem principal
  • Liberdade de gameplay

Negativos

  • Missões mais lineares
  • Baixa presença do tema “Assassinos vs.Templários”
  • Bugs ocasionais pré-lançamento

Thiago Richeliê

Um otimista cauteloso que sofre influências da desastrosa Lei de Murphy! Fisioterapeuta, amante de Games, o louco das Séries, apaixonado por Filmes e que chora ouvindo Músicas.
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