
EA Sports FC 26 – Parece estar melhor, mas os antigos problemas perduram e se intensificam | Análise
O novo game diverte e entrega bons momentos, mas, no fundo, tudo isso parece mais um lampejo de esperança em meio a um ciclo vicioso que a própria empresa insiste em repetir
Analisado no PlayStation 5
No dia 16 de julho de 2025, foi lançado o primeiro trailer do EA Sports FC 26, antigo FIFA. Ao decorrer de três minutos, o popular jogo de futebol mostra que dessa vez vai ouvir sua comunidade e fazer um jogo que os fãs pedem há anos.
Dois meses e meio depois, no dia 25 de setembro de 2025 foi lançado o game e a pergunta mais óbvia surge: será que a EA cumpriu sua promessa e entregou o jogo que a comunidade pede há anos? Ou será como todos os jogos recentes que não empolgam o fã, não conquistam novos jogadores e morrem em um campo de más ideias com uma jogabilidade horrível e poucas novidades que sejam realmente úteis e empolguem o jogador.
Para entendermos melhor este cenário, vamos dividir esta review em alguns pontos, abordando todas as novidades e modos de jogo visando entender quais são os tópicos positivos e negativos das novidades apresentadas no game que promete todo ano ser melhor, mas, nas suas últimas tentativas, falha constantemente.
Essa review foi viabilizada com o apoio da Bonoxs, a sua loja de especializada em créditos digitais e pela EA Games. Caso tenha interesse neste produto e em outros produtos digitais nos apoie acessando a loja através deste link.

Gameplay no Ultimate Team
Uma das grandes novidades presentes no jogo deste ano, é a separação completa de dois tipos de jogabilidade. A jogabilidade competitiva e a jogabilidade autêntica, cada uma sendo utilizada em um modo de jogo específico.
A Competitiva, que foca mais em dribles e na qualidade do jogador, é a utilizada nos modos online e foca principalmente na janela de aprendizado do player, acabando, ou tentando acabar, com os auxílios da máquina, como a defesa automática e outras mecânicas do gênero que foram uma das grandes responsáveis por acabar com o jogo passado.
E o modo autêntico, que busca trazer o realismo de um simulador de futebol buscando um jogo mais tático e lento, focando em posse de bola, estratégias bem formuladas e um jogo mais cadenciado. Este novo estilo de gameplay é indicado para todos os modos singleplayer.

No geral, os modos funcionam bem, com, ao menos nas primeiras semanas de gameplay, um bom feedback da comunidade principalmente nos modos online. Realmente o modo competitivo exige mais a habilidade do jogador, sendo um modo mais rápido e dinâmico focado principalmente na qualidade do ultimate team.
O modo competitivo também busca acabar com velhos vícios da comunidade que foram os grandes responsáveis por prejudicaram com o título anterior. Como por exemplo, os chutes de trivela extremamente desbalanceados ou as marcações automáticas que tiravam toda e qualquer janela de habilidade apresentada no game, recompensando o jogador que tinha as melhores cartas contidas no jogo.
Visando justamente a habilidade do jogador acima da habilidade das cartas, uma das propostas apresentadas pela empresa para o ultimate team deste ano é o foco nas cartas ouro, justamente para que, ao menos nos primeiros meses do game, o player tenha mais controle sobre sua jogabilidade e não dependa tanto dos ótimos atributos contidos em atletas com cartas especiais ou algo do gênero. Essa mudança é um acerto da EA, que, caso cumpra o que prometeu, pode estender, e muito, a vida útil do game.

Vale ressaltar também que, um problema que veio junto com essa mudança, é de que as recompensas de grind contidas no jogo caíram muito a sua qualidade, praticamente obrigando jogadores mais competitivos inserirem dinheiro real no jogo em busca de FC Points, para que, com a abertura de packs consigam montar um time mais competitivo.
Portanto, podemos dizer que a implementação da jogabilidade competitiva foi muito boa para a vida útil do game e da comunidade. A gameplay realmente está divertida e diferente, buscando depender da jogabilidade do player e não das cartas, trazendo um frescor necessário para o EA Sports que a anos não era visto nos jogos antecessores da franquia. Claro que é algo muito básico, mas ao menos é diferente dos anos anteriores e traz um fio de esperança para o antigo FIFA.
Porém, após algumas atualizações da companhia, modos de jogo mais defensivos, os famosos modos “retranca” se tornaram mais meta, desagradando parte da comunidade que busca jogar de uma forma mais avançada. Essa mudança parece ter sido proposital por parte da EA, buscando a variedade de modos de jogo dentro do ultimate team.

Falando sobre algumas novidades, os novos modos contidos no Ultimate Team, como os “Momentos”, também contribuem para a construção de uma experiência mais completa dentro do jogo. Apesar de não ser o modo principal, ele acaba cumprindo um papel essencial: o de quebrar a rotina intensa dos confrontos online e oferecer desafios rápidos e dinâmicos que recompensam o jogador de maneira justa.
Os Momentos são ideais para quem quer aproveitar o game em períodos curtos de tempo, trazendo pequenas missões temáticas que testam habilidades específicas, como finalizações, cruzamentos ou jogadas táticas. Além disso, as recompensas oferecidas realmente fazem diferença no progresso dentro do modo, o que transforma o recurso em eficiente e divertido, buscando evoluir o seu clube.
Outro ponto positivo dentro do Ultimate Team é o equilíbrio entre os modos tradicionais e as novas propostas da EA. O Squad Battles continua sendo um ótimo espaço para quem busca evoluir o elenco de forma mais tranquila, sem precisar enfrentar outros jogadores em modos online, enquanto o Division Rivals e o Champions mantêm o espírito competitivo vivo.

O que muda, no entanto, é a sensação de progresso: as temporadas parecem mais bem estruturadas e o matchmaking, até o momento, mais justo. Tudo isso, somado à introdução de novos modos, ajuda o Ultimate Team a conseguir uma renovação necessária, sendo um dos pontos mais fortes do EA Sports FC 26 — e um dos motivos pelos quais o jogo parece finalmente ouvir sua comunidade.
Vale ressaltar também que no EA Sports deste ano, as cartas mais fortes possuem uma diferença grotesca em suas habilidades comparando às cartas mais baratas. Este fato faz com que o jogo seja considerado mais Pay to Win que os antecessores, sendo ainda mais difícil um time mal formado ou com cartas menos meta se sobrepor aos outros times, exigindo, portanto, ainda mais a habilidade do jogador, além de um grande grind.
Gameplay autêntica e modos singleplayer
Do outro lado da moeda, o modo singleplayer segue a mesma linha de seus antecessores. Já que apresenta somente algumas novidades que pouco mudam a estrutura dos modos já característicos do game.
Apesar de ser frustrante, essa não é uma prática nova da EA, instigando o jogador a comprar seus novos títulos de futebol com os novos jogadores e com elencos atualizados, porém, pouco faz para trazer mudanças significativas para modos de jogo mais característicos, sabendo que, quanto menos novidades apresentarem, mais novidades poderão vender nos próximos jogos da saga, fazendo o jogador pagar 300 reais (ou até mais) por migalhas e fragmentos do que poderia ser um bom jogo de simulação de futebol.
Porém, ainda sim, os modos carreira ou jogador ainda são extremamente divertidos e viciantes, agradando os jogadores que infelizmente se sujeitam a pagar todos os anos pelo mesmo jogo.

Ressalta-se também que grande parte das mudanças trazidas pela empresa em seus jogos vêm em uma versão muito simples e quase sempre não funcional. Um exemplo clássico desse problema é a entrevista dos treinadores pós-jogo. A mudança foi apresentada nos jogos anteriores da saga e parecia ser bem divertida, com as respostas podendo aumentar ou diminuir sua relação com seus jogadores, trazendo mais realismo para o modo carreira treinador.
Porém, a nova feature logo se mostrou cansativa e extremamente chata. Já que existiam poucas perguntas e respostas, tornando tudo monótono rapidamente. Além disso, as respostas eram óbvias e sem graça, sendo uma mecânica ignorada por grande parte dos jogadores. Com o decorrer dos títulos essa mecânica foi ganhando novas camadas e agora está melhor que antes, apesar de ainda estar sem graça com respostas e perguntas genéricas.

No FC deste ano, a grande novidade dos modos carreira treinador e jogador são os eventos, que são uma mecânica implementada para dar mais imprevisibilidade para o jogador, fazendo com que ele tenha que se adequar aos problemas apresentados para ele durante sua jornada. Por exemplo, antes de um jogo importante, um evento pode aparecer na tela dizendo que um dos seus jogadores está com problemas pessoais e pediu uns dias de ausência, cabe a você decidir se acata seu pedido ou não.
No papel, realmente parece ser uma mecânica divertida, e realmente funciona às vezes. Porém, além de ser muito pouco para um novo jogo, grande parte dos eventos não tem um impacto real na carreira, somente mudando aspectos pequenos e sem importância, como o humor de um jogador. Outro exemplo de mecânica que parece ser interessante, mas é apresentada em uma versão crua e rapidamente será ignorada por grande parte dos jogadores.
O frustrante, é que é perceptível saber que a empresa faz isso de propósito, para prender a fanbase do game e praticamente obrigar os fãs a comprarem os novos lançamentos ano após ano que irão trazer a mesma mecânica de forma repaginada e melhor.
Apesar de todos esses problemas, que não são novidade na franquia, é impossível dizer que este EA Sports não está divertido. Realmente, a divisão dos tipos de gameplay contribuiu muito para os modos singleplayer do jogo e os modos carreira jogador e treinador estão muito interessantes, convidando o jogador a embarcar em uma campanha para conquistar as grandes ligas do futebol, como já era nos títulos antecessores.

Por isso, podemos afirmar que a série é, desde de muitos anos, o relacionamento mais tóxico de um jogo com os seus jogadores, já que, ano após ano, compramos os títulos com a esperança de um game bem polido e com mecânicas que realmente fazem diferença, mas, ano após ano recebemos praticamente o mesmo game, tomado de erros e bugs completamente frustrantes, um modo multiplayer pay to win e mecânicas que rapidamente caem em esquecimento ou servem mais para frustrar o jogador.
No fim das contas, o EA Sports FC 26 é um jogo que acerta em pontos importantes, especialmente ao reformular sua jogabilidade e ao tentar resgatar a sensação de mérito individual dentro de campo. O novo sistema competitivo, a fluidez das partidas e as pequenas melhorias estruturais mostram que, quando quer, a EA ainda sabe ouvir — ainda que de forma limitada — a sua comunidade. No entanto, é difícil ignorar a sensação de que essas boas ideias são constantemente sufocadas por um modelo que prioriza o lucro em detrimento da inovação real. O jogo diverte, entrega bons momentos e, em certas horas, até faz lembrar por que o futebol virtual é tão cativante. Mas, no fundo, tudo isso parece mais um lampejo de esperança em meio a um ciclo vicioso que a própria EA insiste em repetir.






