
Crow’s Requiem é a nova aposta narrativa do estúdio brasileiro Ex-Ignorantia e apresenta um universo pandemicpunk denso, perturbador e profundamente humano. Ambientado em um mundo onde a pandemia jamais chegou ao fim, o jogo coloca escolhas morais, solidão e conflitos ideológicos no centro da experiência.
Atualmente, o título conta com uma demo jogável na Steam, lançada em novembro e atualizada hoje, trazendo um novo final, animações inéditas e um mini-game exclusivo da facção dos Militares. Além disso, o jogo já pode ser adicionado à lista de desejos da plataforma.
Nova Horizonte é um personagem tão vivo quanto seus habitantes
Ambientado na cidade fictícia de Nova Horizonte, Crow’s Requiem coloca o jogador no papel de um Corvo, um coletor de corpos autorizado a circular por zonas interditadas. No entanto, apesar da permissão, o protagonista é visto como ameaça, incômodo e necessidade ao mesmo tempo.
Enquanto transita entre bairros isolados e áreas dominadas por facções extremistas, o jogador atua como elo involuntário entre grupos rivais. Assim, cada encontro revela histórias pessoais, disputas políticas e visões conflitantes sobre o colapso do mundo.
Destaque: em Nova Horizonte, o fim do mundo não aconteceu — ele se tornou rotina.
Narrativa literária, densa e sem respostas fáceis
Originalmente concebido como um livro escrito por André Osna, Crow’s Requiem evoluiu para um projeto transmídia que conecta literatura, quadrinhos, RPG de mesa e videogame. A cidade de Nova Horizonte já existia em outras obras do autor, funcionando como uma “cidade-anomalia”.
Inspirado por A Estrada, Meridiano de Sangue, Filhos da Esperança e jogos como Dredge, o game aborda temas como:
- escolhas morais em cenários extremos
- solidão e saúde mental
- conflitos políticos e religiosos
- abuso sistêmico e fé zelote
- dificuldade de diálogo em um mundo fragmentado
A narrativa, portanto, evita verdades absolutas. O mistério sobre a doença surge por meio de relatos contraditórios, sempre filtrados por interesses ideológicos.
Gameplay narrativo com sistemas próprios e foco em escolhas
Desenvolvido em Unity, Crow’s Requiem apresenta uma estrutura 2D centrada na narrativa, com exploração baseada em mapas nodais. O jogo utiliza sistemas criados exclusivamente para o projeto, como:
- Sistema de Diálogo autoral, integrado ao Google Sheets
- Sistema Signum, inspirado no RPG de mesa da Ex-Ignorantia
- Minigames de facção, que refletem o posicionamento político do jogador
Além disso, os NPCs possuem visões de mundo bem definidas. Cada diálogo aprofunda o worldbuilding e influencia diretamente o rumo da história.
Vale a pena jogar a demo de Crow’s Requiem?
Sem dúvida. Crow’s Requiem se destaca entre os jogos narrativos brasileiros ao tratar temas complexos com maturidade, estilo próprio e forte identidade autoral.






