Ex-chefe da Xbox admite que “guerra de consoles” foi estratégia

Peter Moore revela que a Microsoft instigou deliberadamente a rivalidade com a Sony.

A “guerra de consoles” é um dos fenômenos mais antigos e tóxicos da comunidade gamer. E, se você sempre desconfiou que essa rivalidade exagerada tinha dedo das próprias empresas, agora tem confirmação de quem esteve dentro do olho do furacão: Peter Moore.

O carismático ex-executivo da Microsoft que ajudou a lançar o primeiro Xbox e o Xbox 360, revelou em uma entrevista recente que a estratégia de marketing da companhia passava, sim, por instigar o confronto direto com a Sony. A ideia era criar um sentimento de tribo tão forte que fizesse os consumidores se sentirem como “soldados em uma batalha”.

“A guerra de consoles talvez seja culpa minha”

Em declarações ao The Game Business, Moore assumiu que ajudou a alimentar o clima beligerante entre Xbox e PlayStation:

“Talvez seja tudo culpa minha, por ter desenvolvido a guerra de consoles e ficarmos o tempo todo provocando uns aos outros”, comentou o executivo.

Ele explicou que trouxe essa mentalidade competitiva dos tempos em que trabalhava com grandes marcas esportivas, tentando recriar algo parecido com uma rivalidade “Nike vs. Adidas” dentro do mercado de games. Segundo Moore, o então CEO da Microsoft, Steve Ballmer, o contratou justamente para ser a “face agressiva” da divisão de games.

Moore lembra que a Microsoft, na época, tinha uma imagem muito “nerd corporativa”:

Em um almoço com Steve Ballmer, ele teria ouvido: “Nós somos um bando de nerds. Preciso de alguém que saiba dar uns murros”.

Peter Moore abraçou o papel com gosto, dizendo que adorava ser a marca desafiadora, que cutucava a PlayStation com provocações e “abusos irreverentes”, reforçando o clima de competição constante entre as duas plataformas.

Enquanto os fãs brigam, as empresas já seguiram em frente

O curioso é o contraste entre esse passado e o cenário atual da indústria. Enquanto muita gente continua travando debates inflamados nas redes sociais para defender “lado” de plástico na estante, as próprias empresas já estão em outra fase.

A Microsoft hoje aposta cada vez mais em estratégia multiplataforma, levando vários jogos antes exclusivos para outras plataformas, inclusive PlayStation e Nintendo. E os rumores mais recentes indicam que a próxima geração de hardware da Xbox, o Project Helix, pode chegar a compartilhar totalmente o catálogo de jogos com a futura PlayStation 6, esvaziando a clássica ideia de “exclusivo de console”.

Na prática, a guerra que foi criada como ferramenta de marketing pelas marcas já perdeu muito do sentido original do ponto de vista corporativo, mas ainda segue viva entre parte dos fãs. Resta saber se esses “soldados” vão, um dia, perceber que o campo de batalha já mudou faz tempo.

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