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Rushing Beat X: Return of Brawl Brothers – O retorno de mais um beat ‘em up do passado | Análise

Analisado no PC


Rushing Beat X: Return of Brawl Brothers é um beat ‘em up desenvolvido pela City Connection e distribuído pela City Connection em conjunto com a Clear River Games. O título foi lançado em 19/03/2026 com versões para Nintendo Switch 2, PC, PlayStation 5 e Xbox Series.

Os beat ‘em ups fizeram sucesso nos anos 90, seja nos consoles ou arcade nós tivemos o início de diversas franquias, algumas populares e outras que ficaram esquecidas no tempo… Infelizmente o gênero acabou caindo de popularidade na virada do século e só tivemos seu retorno nos últimos anos. Para reviver e dar continuidade a uma dessas séries clássicas dos anos 90, Rushing Beat X: Return of Brawl Brothers traz uma experiência de beat ‘em up moderna, mas ainda mantendo o espírito dos jogos clássicos, em uma pancadaria que só não é melhor por algumas pequenas questões técnicas.

Para quem não conhece ou não se lembra, Rushing Beat é uma franquia de beat ‘em ups lançada na década de 90 para o SNES. A série recebeu três títulos para o clássico console, estes que seguindo uma moda da época, acabaram sendo localizados para o ocidente de forma a alterar diversos aspectos de seu conteúdo, com nomes de personagem, trama, cinemáticas e até dificuldades alteradas. Os originais são Rushing Beat (1992), Rushing Beat Ran (1992) e Rushing Beat Shura (1993) que no ocidente viraram Rival Turf! (1992), Brawl Brothers (1993) e The Peace Keepers (1994), felizmente esta loucura acabou e Rushing Beat X: Return of Brawl Brothers chega com lançamento internacional.

A trama de Rushing Beat X funciona como um tipo de homenagem aos jogos clássicos, trazendo o retorno dos personagens a Neo-Cisco para combater o sindicato do crime Joecal, impedir a dispersão do vírus/droga Zeekus e quem sabe finalmente descobrir e para o indivíduo que está por trás de todo este caos. A trama é uma continuação dos eventos dos jogos clássicos e o modo história traz cinemáticas e muitos diálogos, contando os acontecimentos e as interações entre os personagens, já adianto que temos um excesso de botões para passar o texto e tudo que acontece poderia ter sido contado por uma cinemática ou quadrinho.

A jogatina é separada entre modo história e free play, onde no primeiro temos diálogos e cinemáticas, já o segundo funcionando como um formato arcade, sem história e focado totalmente na ação. Temos nove estágios, cada um representando um distrito da cidade e trazendo suas peculiaridades, com um diferencial sendo um dos estágios onde jogamos com uma câmera semi-isométrica e precisamos navegar na diagonal.

Rushing Beat X traz os cinco personagens tradicionais da franquia com a adição de um novo e um extra, para o total de sete jogáveis. Cada personagem é único e tem suas habilidades, combos e seus status bases, estes que variam entre ataque, defesa, velocidade e pulo. Como é de praxe, os personagens mais lentos são mais fortes e carregam especiais mais rápido, em contrapartida, os mais velozes causam menos dano e demoram mais a carregar o especial, mas com estes é mais fácil esquivar dos ataques e perigos.

A jogatina segue o tradicional do gênero com muita pancadaria, mas temos algumas mudanças e adições que deixam o jogo com um tempero único. Aqui os personagens podem atacar com socos e chutes, agarrões, arremessos, golpes especiais e armas, contudo nós temos counters para nos defender e cancels para modificar os combos. O jogo também facilita na questão de combos e temos por padrão a função de auto combo, onde após um ataque acertar, é só manter pressionado o botão para o personagem continuar atacando, com os direcionais sendo usados para variações do combo. Não temos friendly fire, assim os personagens aliados não se atingem e jogando em coop é possível combinar combos, devastando a vida dos inimigos e chefes

Todos esses recursos deixam a pancadaria interessante e para variar a jogatina e também ajudar o progresso, ao finalizar um estágio nós iremos retornar a van do grupo onde é possível gastar dinheiro acumulado para comprar comida, esta que também pode ser encontrada nos mapas e é utilizada para restaurar vida ou armas que também podem ser coletadas durante a jogatina para facilitar os combates, estas que quebram a guarda dos inimigos. A cada nova etapa também é possível trocar de personagem, o que é interessante e também ajuda a quebrar a monotonia da jogatina e se você não gostar de um personagem é só trocar por outro.

Os gráficos são um mix, o título abandona a pixel art dos originais, substituindo-a por modelos em 3D e a qualidade aqui é variável. No geral, a maior parte dos cenários é simples e tem poucos detalhes, salvo algumas exceções pontuais, a maior parte dos modelos também não tem muita definição, trazendo texturas simples que não impressionam. O plano de fundo também não é lá essas coisas e apesar de termos alguns cenários com efeitos luminosos, a maior parte dos estágios conta com fundos estáticos que não ajudam na imersão.

Assim como os cenários, os personagens também não trazem bons detalhes, temos pouca variedade e a maior parte traz composições básicas, com os personagens jogáveis e os chefes tendo maior atenção, mas também não impressionando nos efeitos de habilidades e combos. A trilha sonora segue este padrão dos visuais, com efeitos sonoros que funcionam, mas não impressionam e as músicas que embalam a jogatina, mas não marcam a experiência, um conjunto que deixa a desejar quando comparado a outros lançamentos do gênero mais recentes.

No papel, Rushing Beat X tem tudo para trazer a franquia de volta, contudo a experiência é afetada por algumas questões técnicas. Para começar não temos uma constância na ação e os cenários variam bastante, no sentido de alguns terem confrontos divertidos, mas curtos, outros enrolando demais e estendendo confrontos desnecessariamente, já alguns estão na medida certa. A dificuldade também não é constante e eu diria que de 75 a 80% do jogo é fácil, mas os últimos estágios acabam subindo de dificuldade consideravelmente, isso é causado por conta da quantidade de perigos adicionados ao estágio como armadilhas e lasers. A jogatina também sofre com problemas relacionados a caixa de dano e a interação com inimigos, às vezes não registrando contato ou sendo difícil acertá-los, principalmente quando estão no chão. Aliás, mesmo nos estágios com o ângulo de câmera alterado, onde é necessário se movimentar na diagonal, os personagens infelizmente continuam atacando somente para os lados e isso inclui os itens arremessáveis, o que causa certa frustração.

No final, apesar de trazer algumas inconsistências e de não ser o melhor beat ‘em up
já feito. Rushing Beat X: Return of Brawl Brothers é um retorno decente de uma série que ficou no passado, sua experiência é OK e quem gosta do gênero com certeza irá se divertir por algumas horas, principalmente se jogar em coop. O preço cobrado é justo pela experiência e eu posso recomendar este título a todos que gostam do gênero ou para quem procura por algo para se jogar em coop.

RUSHING BEAT X: Return Of Brawl Brothers

7

Nota

7.0/10

Positivos

  • Divertido
  • Combate
  • Coop com RemotePlay
  • Preço

Negativos

  • Ritmo e caixas de dano inconsistente
  • Visuais
  • Baixo Fator replay

Jeferson Vasconcelos

PC Gamer desde os anos 90, entusiasta de VR que não consegue ficar sem jogar os velhos consoles. Aguardando há anos pelo próximo Lineage
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