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Of Ash and Steel – Retornando com tudo que era questionável em RPGs antigos e mais | Análise

Analisado no PC


Of Ash and Steel é um RPG de ação desenvolvido pela Fire & Frost e distribuído pela tinyBuild. O título foi lançado em 24/11/2025 e atualmente está disponível somente no PC.

Se inspirando nos RPGs do início dos anos 2000, Of Ash and Steel traz sistemas “old school” combinados à algumas escolhas de design questionáveis, um progresso demasiadamente lento e problemas que os jogadores veteranos podem relevar, mas que definitivamente vão desagradar os novatos.

Nessa aventura nós iremos embarcar como Tristan, um Cartógrafo que embarca para a ilha de Grayshaft juntamente com uma expedição, porém após chegar ao local, a tripulação que estava com Tristan é atacada e morta. Agora como único sobrevivente do ataque e sozinho, Tristan precisa se aventurar pela ilha, fazendo amizades, desenvolvendo suas habilidades e quem sabe se aliando a alguma das facções que lutam pelo controle do local.

Como dito mais acima, o título se inspira nos RPGs do início dos anos 2000, mais precisamente na série Gothic, portanto esta é uma aventura aberta e sem “rumos”, não temos marcadores de missões e o foco da jogatina está na exploração juntamente com o desenvolvimento do personagem. Assim, esqueça recursos de qualidade de vida modernos, a aventura aqui é feita no estilo “old school” e os indicadores de missões são as informações obtidas através de diálogos e interações com NPCs, além de também termos tentativas e erros.

A aventura aqui já começa com o pé esquerdo e temos dezenas de minutos iniciais que se resumem a cinemáticas e fetch quests completamente desnecessárias, pois ambos não apresentam nada complexo ou consistente e as missões iniciais nem sequer servem como tutorial. Passada a introdução, a aventura “realmente” começa, isso porque finalmente temos tutoriais com novas fetch quests, estas que apenas nos mostram alguns dos sistemas presentes, isso porque o personagem não sabe fazer nada no início do jogo e apesar de termos os sistemas ali disponíveis, você não poderá os utilizar.

No decorrer da aventura, nós iremos conhecer Grayshaft e praticamente todo NPC interativo poderá te fornecer missões, o que por um lado é bom e por outro pode acabar sendo uma cilada. O problema aqui está principalmente ligado à missão de escoltar ou seguir NPCs, pois eles literalmente vão andar do ponto A ao B e lá se vão dezenas de minutos desnecessários. O lado positivo destas missões é que geralmente os NPCs destas quests são extremamente desbalanceados e um monstro que o jogador passaria minutos combatendo, acaba sendo eliminado com um ou dois ataques do NPC, porém caso o jogador deixe NPC finalizar o inimigo, ele não irá render experiência.

Por conta deste aspecto de Tristan ser um sobrevivente e um Cartógrafo, o personagem começa muito fraco, sem habilidades ou perícia alguma, para se ter ideia você literalmente pode cair ao correr, ou escorregar em lama, não preciso dizer que Tristan não entende nada de armas e qualquer situação de combate acaba sendo extremamente frustrante. O sistema de combate é ruim e também não ajuda em nada no início da aventura, uma experiência que com certeza irá afastar jogadores novatos, isso logo no início da experiência.

Para se ter ideia, Tristan só começa a ficar jogável de maneira decente, após algumas dezenas de horas de aventura, ou seja, é preciso insistir bastante ou entender como o jogo quer que você jogue. O sistema aqui força o jogador a jogar com armas de Destreza inicialmente, pois elas são mais rápidas, sendo que só é possível trocar para armas pesadas de Força como espadas de duas mãos, após o personagem alcançar status consideráveis para contrabalancear a lentidão da arma pesada. No geral o combate é lento, frustrante, com sistema de deflexão e esquiva imprecisos e nada generosos, para piorar a situação, diversos inimigos são completamente desbalanceados e atacam mais rápido que o jogador, dando stagger e quebrando nossas ações, além de também poderem nos colocar em situações de stagger/stun perpétuo.

Se o combate é ruim, o sistema de furtividade e roubo é completamente quebrado ou praticamente inexistente. Sim tecnicamente é possível se tornar um bandido ou realizar ataques furtivos, isso tecnicamente pois o sistema aqui é totalmente quebrado, funcionando através de um cone de visão que ignora paredes e obstáculos, além disso mesmo que você tecnicamente consiga roubar alguém que não esteja no seu campo de visão, o NPC automaticamente irá reconhecer você como ladrão e às vezes isso acontece até outro NPC que esteja na mesma área, mas afastado do local do crime. A cereja do bolo aqui está no sistema de arrombamento de fechadura e se você conseguir passar despercebido, prepare-se para mais um sistema quebrado e frustrante.

O título foi desenvolvido na Unreal Engine 4 e por isso os gráficos são de certa forma decentes, mas com ressalvas. No geral os modelos que compõem o cenário são OK, não temos nada impressionante, mas o jogo não é feito e tem seus momentos, como situações interessantes de névoa dificultando a visão e uma iluminação interessante durante o período noturno. Já os modelos de personagens incluindo monstros tem qualidade variada, alguns são bastante simples, outros já mais complexos, mas novamente nenhum impressiona e faltam expressões faciais e detalhes gerais nos personagens interativos, pois parte da jogatina envolve falar diretamente com estes em um sistema que aproxima a câmera da face de cada um e estes mal movem a boca para falar.

A trilha sonora também não impressiona, mas é OK. Os efeitos sonoros no geral são genéricos, mas servem para a jogatina e a música de fundo varia conforme a situação e faz seu papel. O ponto mais alto e também controverso dos sons é a dublagem para os personagens interativos, tecnicamente todos os personagens que você pode conversar possuem dublagens, contudo dado o escopo do projeto, temos um limite de vozes e não é incomum encontrar personagens com as mesmas vozes.

Se a experiência não é das melhores por conta dos sistemas e escolhas de design, os bugs definitivamente não contribuem para melhorar esta aventura. O título está repleto de bugs e problemas que afetam a jogatina, temos desde telas de carregamento demasiadamente demoradas, até mesmo itens desaparecendo do inventário e quebrando missões, impedindo assim o progresso. Por conta dos problemas é recomendado utilizar mods que habilitem o modo debug, para assim poder pelo menos criar novamente os itens perdidos.

No final, Of Ash and Steel acaba entregando uma aventura old school demais, com problemas em sistemas de jogo que acabam comprometendo a experiência dos veteranos e um conjunto que definitivamente não irá agradar aos novatos. O preço cobrado é salgado pela experiência e por conta dos problemas eu prefiro recomendá-lo somente para quem se interessar.

Of Ash and Steel

5.8

Nota

5.8/10

Positivos

  • Abre e é possível jogar
  • Old School
  • Cenário interessante

Negativos

  • Sistema de combate ruim
  • Progresso muito lento
  • Sistema furtivo ruim
  • Diversos bugs e inconsistências

Jeferson Vasconcelos

PC Gamer desde os anos 90, entusiasta de VR que não consegue ficar sem jogar os velhos consoles. Aguardando há anos pelo próximo Lineage
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