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John Carpenter’s Toxic Commando – Caos, gosma e sintetizadores, é o apocalipse mais divertido do ano | Análise

Toxic Commando entrega ação cooperativa explosiva, humor ácido e uma identidade única no meio dos shooters modernos

Analisado no PlayStation 5


John Carpenter’s Toxic Commando é um jogo FPS cooperativo e sobrevivência de horda zumbi, desenvolvido pela Saber Interactive e distribuído pela Focus Entertainment, lançado em 12 de março de 2026 para Playstation 5, Xbox Series X e S e PC.

Quando John Carpenter emprestou seu nome a um jogo de tiro cooperativo, as expectativas foram imediatas: você imaginava algo sombrio, atmosférico, cheio da estética de horror que fez dele um dos maiores cineastas do gênero. O que Toxic Commando entrega é outra coisa completamente, e curiosamente, isso não é necessariamente um problema.

O jogo abraça sem vergonha a estética de filme B dos anos 80: mercenários exagerados, um deus do lodo lovecraftiano chamado de Sludge God que quer terraformar a Terra, e zumbis verdes escorregadios aos montes. É cômico, é absurdo e quando funciona é absolutamente delicioso.

A Saber Interactive aproveitou da base tecnológica do World War Z para construir algo com mais personalidade. O Swarm Engine continua sendo uma maravilha técnica: ver centenas de criaturas avançando sobre sua posição enquanto você opera uma metralhadora montada em uma caminhonete é pura adrenalina.

A grande sacada do jogo está nos veículos. Encontrar um caminhão abandonado no lamaçal, encher o tanque com combustível coletado no mapa e então usar ele como plataforma móvel de destruição muda completamente a dinâmica das missões. O sistema lembra os mecânicos de atoleiro do SnowRunner, e funciona surpreendentemente bem no contexto de um shooter frenético.

Com quatro classes distintas (Atacante, Médico, Operador e Defensor), cada uma com árvore de habilidades e até o nível 40, o jogo convida à especialização e à sinergia entre jogadores. Replay em dificuldades mais altas tem propósito real. A trilha sonora assinada pelo próprio Carpenter e seu filho é simplesmente impecável, afine o tom com maestria em cada missão.

Onde o jogo tropeça é exatamente onde você esperaria. A narrativa existe apenas como desculpa para a ação, e Carpenter, um gênio da construção de tensão e atmosfera no cinema, parece quase ausente na escrita. Os personagens são esquecíveis e a história se encerra de forma abrupta. A campanha com nove missões tem cerca de sete a dez horas de duração, o que é honesto para o tipo de jogo, mas o conteúdo pós-campanha é escasso demais para justificar o preço de lançamento.

Jogar solo é possível com os bots preenchendo o time, mas a IA dos companheiros deixa a desejar em momentos críticos. O jogo floresce quando jogado com um grupo de amigos que sabem se comunicar. Também há bugs e algumas inconsistências de polimento, como o irritante sistema de revive que pode ser cancelado se o aliado se mover apenas alguns centímetros.

Toxic Commando não reinventa o gênero e carrega o peso de um nome grande sem cumprir totalmente a promessa que ele sugere. Mas quando você e três amigos entram num jipe, ligam o rádio com a trilha incrível do Carpenter e partem para destruir centenas de mortos-vivos verdes numa noite ensolarada, poucos jogos entregam aquela sensação específica de caos glorioso e sem pretensão. É um jogo honesto sobre o que é: um excelente passatempo cooperativo que precisava de mais conteúdo no lançamento. Vale a pena, especialmente com desconto ou com o grupo certo.

Veredito Gamers & Games

Nota Final
7.2
/ 10

“John Carpenter’s Toxic Commando entrega caos cooperativo divertido e tecnicamente sólido, mas peca na narrativa e no conteúdo pós-campanha.”

John Carpenter's Toxic Commando

7.2

Nota

7.2/10

Positivos

  • Sistema de veículos original e divertido
  • Trilha sonora de John Carpenter excepcional
  • Hordes massivas com ótima performance técnica
  • Co-op com amigos é pura diversão caótica

Negativos

  • Narrativa rasa e personagens esquecíveis
  • Conteúdo pós-campanha insuficiente para o preço
  • Solo com bots é decepcionante
  • Potencial da marca Carpenter subutilizado

Lennon Rubens

Gamer por hobby e viciado por opção. Toco Barões da Pisadinha no Guitar Hero. Jogador de quase todas as plataformas. Não dispensa uma boa coquinha gelada e pizza.
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