
Embracer Group vai se dividir e criar a Fellowship Entertainment
A nova empresa “IP‑first” ficará com as maiores franquias do grupo.
Destaques – Embracer Group e Fellowship Entertainment
- Divisão em duas empresas públicas: Embracer Group criará, em 2027, a Fellowship Entertainment, focada em IPs de grande porte como Tomb Raider, The Lord of the Rings, Metro e Dead Island.
- Reorganização de estúdios e marcas: Crystal Dynamics, Eidos-Montréal, 4A Games, Dark Horse Media e outros passam para a Fellowship, enquanto IPs como Gothic, Titan Quest e Wreckfest permanecem com a Embracer.
- Foco e resposta à crise recente: a mudança busca dar mais foco de gestão e valorizar ativos subestimados, ao mesmo tempo em que Wingefors reconhece o impacto da estratégia de aquisições, demissões e fechamentos ocorridos desde 2023.
A Embracer Group anunciou que pretende se dividir em duas empresas públicas, em um dos maiores movimentos de reestruturação recente da indústria. A nova companhia, chamada Fellowship Entertainment, será criada em 2027 e ficará responsável por algumas das maiores e mais valiosas franquias do grupo — incluindo Tomb Raider.
Segundo o comunicado, a Fellowship Entertainment será uma empresa “IP-led”, ou seja, totalmente organizada em torno de propriedade intelectual: desenvolvimento, publicação e licenciamento de jogos sob um plano de negócios centralizado. A ideia é concentrar ali as marcas “premium” e o núcleo criativo mais forte.

Entre as IPs que ficarão sob a gestão da Fellowship estão:
- The Lord of the Rings (O Senhor dos Anéis)
- Tomb Raider
- Darksiders
- Dead Island
- Kingdom Come Deliverance
- Metro
- Remnant
E não são só as marcas que mudam de “endereço”: diversos estúdios e empresas também serão realocados para a nova companhia, incluindo:
- 4A Games (Metro)
- Crystal Dynamics (Tomb Raider)
- Dambuster Studios (Dead Island 2)
- Dark Horse Media
- Eidos-Montréal
- Fishlabs
- Flying Wild Hog Studios
- Gunfire Games (Remnant)
- Middle-earth Enterprises (licenças de O Senhor dos Anéis)
- RedOctane Games
- Warhorse Studios (Kingdom Come Deliverance)
Já a Embracer Group que permanece “original” vai operar como uma organização altamente descentralizada, com estratégias distintas para cada um dos seus segmentos de negócio. Ela continuará responsável por IPs como:
- Destroy All Humans!
- Desperados
- Gothic
- Killing Floor
- Kingdom of Amalur
- MX vs. ATV
- Reanimal
- Ride
- Screamer
- Titan Quest
- Wreckfest
Além de licenças como Hot Wheels Unleashed e SpongeBob SquarePants.
Entre as empresas que permanecem na Embracer estão:
- Aspyr
- Beamdog
- CrazyLabs
- Deca
- Demiurge
- DPI Merchandising
- Limited Run Games
- Milestone
- Plaion Partners e Plaion Pictures
- THQ Nordic (com 35 estúdios e subsidiárias)
- Tripwire
- Vertigo Games

De acordo com o anúncio, a divisão em duas companhias serve para dar mais flexibilidade à Embracer na hora de buscar fusões e aquisições (M&A), enquanto a Fellowship foca nos estúdios e na publicação de seus grandes títulos, com um direcionamento estratégico próprio.
Na parte de liderança, a mudança também é significativa: o atual CEO da Embracer, Phil Rogers, e o COO Lee Guinchard vão migrar para a Fellowship Entertainment, assumindo os mesmos cargos lá (CEO e COO), junto com a CFO Müge Bouillon. Paralelamente, já foi iniciado o processo de recrutamento para um novo CEO e um novo CFO para a Embracer.
Em carta aos acionistas, Lars Wingefors, presidente do conselho da Embracer Group, afirmou que o principal motivo para o spin-off da Fellowship é “aumentar o foco da gestão para capturar todo o potencial conjunto das IPs, de suas comunidades e de alguns dos melhores desenvolvedores do mundo”. Ele compara a lógica à de outras empresas do grupo, como Asmodee e Coffee Stain, que, segundo ele, prosperaram ao se tornarem negócios independentes.
Wingefors também declarou acreditar que os ativos sob a Fellowship estão entre os “mais subestimados da indústria” e disse se sentir na obrigação, como maior acionista, de mudar essa percepção e criar uma estrutura que permita realizar todo o potencial dessas IPs. Na visão dele, a Fellowship pode atingir rentabilidade líder de mercado e apresentar crescimento orgânico saudável acima da média do setor.

Na mesma mensagem, ele reconhece a polêmica jornada de aquisições da Embracer, marcada por uma sequência de compras agressivas que acabou resultando em milhares de demissões e vários estúdios fechados como parte da “redefinição” feita em 2023 — período em que o grupo também vendeu a Gearbox (Borderlands) e a Saber Interactive.
Wingefors afirma que, embora muitos associem a Embracer diretamente aos cortes de pessoal, a empresa teria trabalhado para reter o máximo de pessoas possível, tentando equilibrar isso com a necessidade de manter o negócio lucrativo. Ele diz que, ao revisar o ajuste feito em 2023, a companhia optou por não seguir um “modelo corporativo americano” de corte brutal de headcount, e em vez disso dar a alguns estúdios e IPs a chance de provar seu valor.
No cenário atual, a mensagem é clara: a Embracer quer organizar a casa depois do “boom” de aquisições, separar as grandes IPs “globais” em uma estrutura própria (Fellowship) e manter uma Embracer mais leve, flexível e focada em portfólio amplo, parcerias e novas oportunidades de negócio.






