S&P prevê queda acentuada nos envios de consoles até 2027

Antes de uma recuperação lenta até 2030.

Destaques – Previsão S&P para o mercado de consolas até 2030

  • Queda em 2026–2027: envios de consoles caem de 42,1M em 2025 para 33,9M em 2026 e 27,1M em 2027, com recuperação lenta até 37,4M em 2030.
  • Causa principal: crise de RAM/armazenamento, preços altos, hardware envelhecido e catálogo de software pouco robusto fora de grandes lançamentos.
  • Switch 2: 17,1M previstos em 2026, mas com queda subsequente e falta de grandes títulos até Pokémon Wind and Waves no fim de 2027.
  • PS5 e PS6: PS5 caí para 13,2M em 2026, com aumentos de preço significativos; PS6 é esperado para 2028, começando em 4M e chegando a 17,2M em 2030.
  • Xbox Series e Project Helix: Series X|S entra em declínio acentuado (2,5M em 2026, rumo a zero), enquanto o sucessor “Project Helix” é pensado como hardware para entusiastas, com 2M no lançamento e 7,3M em 2030.
  • Assunção crítica: recuperação depende de a crise de componentes aliviar até 2028, permitindo novos modelos a 600–800 dólares.

Os envios de consoles de jogos deverão cair 19,5% em 2026, para 33,9 milhões de unidades, segundo dados da S&P Global Market Intelligence (Kagan). Esta descida anula o crescimento de 13,5% em 2025, ano em que o lançamento da Nintendo Switch 2 fez subir o total global para 42,1 milhões de consoles.

O relatório da S&P, divulgado pelo site gamesindustry.biz, compilado em julho de 2026, considera apenas consoles domésticos de Microsoft, Sony e Nintendo. A empresa projeta que os envios caiam ainda mais até cerca de 27,1 milhões de unidades em 2027, antes de uma recuperação gradual até 37,4 milhões de unidades em 2030.

A principal causa apontada é o aumento dos preços dos consoles, justificado pela crise de RAM e armazenamento, que está a tornar o hardware menos acessível para o consumidor médio. O analista Neil Barbour resume o problema como um conjunto de fatores: consoles que são “ou demasiado velhos ou demasiado caros”, uma oferta de software fraca fora de alguns grandes lançamentos, e um contexto econômico que impede uma redução significativa de preços.

A notícia boa, é que há uma recuperação prevista para o final da década, já que é projetado que a crise de componentes seja aliviada até 2028, permitindo a Sony e à Microsoft lançar novo hardware de próxima geração com preços na faixa dos 600 a 800 dólares. Sem esse alívio, a pressão sobre preços e sobre o apelo dos consoles tende a manter o mercado em baixa.

No caso do Nintendo Switch 2, a S&P prevê 17,1 milhões de unidades vendidas em 2026, um desempenho comparável ao segundo ano do Switch original e semelhante ao do Wii. A própria Nintendo, nos seus resultados anuais, projeta uma queda de 16,9%, para 16,5 milhões de unidades, no segundo ano fiscal da Switch 2. Para além de um aumento de preço de 50 dólares em relação ao modelo anterior, a S&P destaca a ausência de um grande título de referência a curto prazo: Pokémon Wind and Waves, apontado como principal “system seller”, só chegará no final de 2027, deixando um período sem um grande jogo a impulsionar vendas do console.

O PlayStation 5, no seu sexto ano de mercado, mostra sinais claros de desgaste de ciclo. Em 2025, a Sony enviou 17,1 milhões de unidades (todos os modelos), o que representa uma queda de 15,2% face ao ano anterior. Para 2026, a S&P espera nova queda, para cerca de 13,2 milhões de unidades. Em abril de 2026, devido à mesma crise de RAM, a Sony aumentou os preços de todos os modelos: o PS5 base passou de 550 para 650 dólares, a edição digital de 500 para 600 dólares, e o PS5 Pro saltou de 750 para 900 dólares. Barbour sublinha que estes valores são difíceis de justificar para um console com seis anos de mercado e observa que o gap entre PS5 e PS4 em termos de vendas já é negativo e está aumentando. Mesmo com a expectativa de que Grand Theft Auto 6 possa estimular a procura por hardware compatível, o analista questiona se um único título será suficiente para contrariar preços tão elevados. No modelo da S&P, o cenário conduz a um lançamento potencial do PlayStation 6 em 2028, com cerca de 4 milhões de unidades vendidas no ano de estreia e crescimento até 17,2 milhões de unidades em 2030.

No lado do Xbox, a situação é descrita como particularmente frágil. Em 2025, a Microsoft enviou 3,2 milhões de Xbox Series X|S, o pior total anual registado na série histórica da S&P. No primeiro trimestre de 2026, os envios trimestrais caíram para menos de 500 mil unidades, outro mínimo inédito nos dados da empresa. Para 2026, a previsão aponta para apenas 2,5 milhões de unidades Xbox Series vendidas, cainda ainda mais nos anos seguintes à medida que o ciclo chega ao fim. Barbour atribui este declínio a uma combinação de biblioteca first‑party irregular, uma estratégia centrada em assinaturas (como Game Pass) que não se traduziu em melhoria visível nas vendas de hardware, e um posicionamento de preço desfavorável, já que um Xbox Series X custa agora 100 dólares a mais do que um PS5 standard.

Quanto ao sucessor do Xbox, conhecido internamente como Project Helix, a S&P descreve uma máquina que suportará jogos Xbox e PC, com uma grande retrocompatibilidade, algo que deverá contribuir para um preço mais elevado. Barbour alerta que este design, mais próximo de um PC de entusiastas com marca Xbox, pode restringir o apelo da plataforma a um público menor e altamente entusiasta, em vez de um mercado de massas típico de console. A previsão da S&P é de 2 milhões de unidades vendidas no ano de lançamento deste novo hardware, escalando até 7,3 milhões de unidades em 2030, mas o próprio analista adverte que o resultado real pode divergir bastante. Ele nota que um PC totalmente aberto com marca Xbox “não se pareceria realmente com um console” e provavelmente nem seria contabilizado nestes números. Por isso, o Helix é descrito como um cenário intermédiário entre um sucessor clássico do Xbox e um programa de certificação Xbox para fabricantes de PCs, e a trajetória da Microsoft pós‑2027 deve ser encarada como uma série de possibilidades dependente de decisões que ainda não foram tomadas ou reveladas.

Em síntese, a S&P vê um mercado de consoles atravessando em uma fase em que o hardware é simultaneamente caro e envelhecido, em que os grandes lançamentos de software são escassos e em que a crise de componentes dificulta qualquer correção de preços. A recuperação prevista para o final da década depende fortemente da saída desta crise e da capacidade das próximas gerações de PS6, Switch 2 e Project Helix de oferecerem o suficiente em valor e novidades para reconquistar um público que, hoje, hesita entre consoles e alternativas como o PC e o mobile.

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