Analisado no PC
Desenvolvido pelo estúdio espanhol Weird Beluga e publicado pela Fireshine Games, Duskfade é um jogo indie de ação e plataforma 3D no estilo clockpunk, que chega hoje ao PC, PlayStation 5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch 2. Jogamos com Zirian, um jovem aprendiz em uma jornada para restaurar o tempo e salvar sua irmã de uma misteriosa Torre do Relógio. Acompanhado por seu companheiro Cuco, você atravessará um mundo mergulhado na noite eterna, explorando reinos diversos, como florestas etéreas e dunas ensolaradas. Combinando a nostalgia dos jogos de plataforma do PlayStation 2 com mecânicas modernas, Duskfade oferece uma emocionante aventura ambientada em um mundo visualmente impecável.
A trama começa quando Allira, a irmã do protagonista Zirian, mexe em um relógio misterioso e acaba ficando presa na Torre do Relógio. Para resgatá-la, Zirian precisa quebrar as quatro correntes que sustentam a torre, com isso ele acaba explorando Lacrimosa, um lugar vasto composto por diferentes cenários e povoado por figuras marcantes como os Nuvenosos, personagens espalhados pelos reinos que possuem nomes, aparências e personalidades próprias, além de serem bem amigáveis. Ah, é claro, há também os monstros que nos impedem de realizar o nosso objetivo principal. Ao longo do caminho, o jogador também pode coletar “Ecos”, vozes do passado que expandem o lore e ajudam a compreender a história por trás desse mistério. Algumas lembranças surgem no decorrer do jogo, Zirian frequentemente lembra de seu avô, que o chama de “Vozinho”, e de sua importância na história, pois esses dois elementos são os alicerces que nos tentam dar alguma explicação do que pode ter acontecido.
O jogo conta com uma excelente localização para o português brasileiro, abrangendo legendas e interface de forma impecável. As brincadeiras, os trocadilhos e até os nomes de certos personagens foram traduzidos com muito carinho e adequação à nossa cultura, tornando a experiência acolhedora. Quanto a dublagem, as cutscenes e alguns momentos de gameplay contam com dublagem em inglês, enquanto os diálogos casuais são apresentados por caixas de texto. Um dos pontos mais carismáticos da jornada é justamente a química entre Zirian e seu parceiro Cuco. A relação da dupla é quase digna de uma comédia: vivem “entre tapas e beijos” e Cuco não tem papas na língua, chamando Zirian de “cabeção” com frequência. Essa leveza se reflete inclusive nas mortes, onde cair no limbo rende comentários bem-humorados do Cuco, como “Ei, boa tentativa!”, mantendo o clima descontraído mesmo em momentos difíceis. É bom frisar, Cuco é fundamental para derrotar os inimigos, ele ajuda muito em um conflito com uma horda grande de monstros, o que pode ocorrer em quase todo o jogo.
A jogabilidade de Duskfade conta com comandos clássicos e prazerosos do gênero de plataforma: pular, rolar, dar duplo pulo, saltar entre paredes, usar combate corpo a corpo, se defender de projéteis, emendar dois pulos com uma esquiva no ar para alcançar plataformas distantes e muito mais. A exploração favorece a sensação de descoberta, já que não há um mapa tradicional; a navegação depende de sinos espalhados pelo cenário que indicam direções ao serem golpeados. Complementando essa imersão, a HUD é extremamente minimalista e limpa, mostrando apenas a vida restante e a quantidade de poções. A jogabilidade se torna ainda mais empolgante quando Zirian recebe um gancho de um conhecido ao longo da história, um recurso que muda totalmente o ritmo do gameplay, trazendo uma dinâmica radical e extremamente divertida de controlar.
O combate é dinâmico e com uma certa variedade. O uso da espada Minuteira ao lado de outros artefatos permite criar combos fascinantes e destruidores contra os inimigos. Esquivar-se no momento exato recompensa o jogador com um efeito de slow motion, e os explosivos arremessados pelos inimigos podem ser rebatidas ou desviadas para explodir nos próprios oponentes ao redor. Duskfade não facilita: mesmo na dificuldade normal, o desafio é muito grande e exige atenção constante. Os chefões são especialmente exigentes, contando com múltiplas fases e transições que alteram seus padrões de ataque e concedem novos poderes. Além do combate direto, essas lutas contra eles exigem atenção ao cenário, forçando o jogador a subir em plataformas nos intervalos para destruir objetos específicos antes que um cronômetro limite resulte em dano contínuo e morte inevitável.
Visualmente, o jogo é um espetáculo que combina um traçado de animação envolvente (lembrando a estética colorida de títulos da Nintendo) a cenários ricos em iluminação, sombreamento e texturas. A qualidade das cutscenes lembram muito um curta-metragem da Pixar. O visual de Zirian carregando uma espada maior do que ele próprio sobre os ombros é uma clara e nostálgica referência a Sora, da franquia Kingdom Hearts. O level design é inteligentemente construído para fazer o jogador se perder propositalmente, oferecendo múltiplos caminhos e muita liberdade, além de fazer você ficar muitos minutos admirando os cenários. Caminhos esses que há objetos escondidos, não seja um speedrun e procure por eles, vale a pena! As plataformas, claro, elas são diversificadas, em um momento estamos em cima de um cogumelo que se move lentamente dependendo de onde você posiciona Zirian e daqui a pouco o jogo te coloca em um outro cenário com você em cima de uma engrenagem de relógio eletrificada. A mudança de cenários e de plataformas são incríveis.
Para se aventurar em reinos distintos e não perder muito tempo, o jogo conta com pontos de teletransporte que conectam rapidamente as regiões e servem muito bem de atalho. A trilha sonora de Duskfade é muito bonita, sendo bem detalhista ao ponto de combinar perfeitamente com cada local que estamos, sua harmonia diz muito sobre o local que estamos explorando. Seus efeitos sonoros caprichados reforçam o clima de estar dentro de um verdadeiro conto de fadas que se renova constantemente com novas mecânicas, plataformas interativas (que giram, sobem ou pegam fogo) e desafios crescentes a cada momento que progredimos no jogo.
As melhorias e o gerenciamento de recursos funcionam de maneira muito integrada ao ecossistema do jogo. Ao explorar os cenários e quebrar objetos destrutíveis ou derrotar inimigos, o jogador coleta Lascas Estelares (esmeraldas que servem como moeda do jogo), além de engrenagens de melhoria e peças de Coração de Relógio usadas para aumentar a capacidade da barra de vida de Zirian. O ponto central de gerenciamento é a loja da personagem Viajante, localizada exclusivamente na Cidade do Ponteiro. É nela que se investe os recursos acumulados para aprimorar o Cuco, desbloquear novas habilidades e evoluir a Minuteira, desbloqueando novas habilidades e combos no combate. Visitar a Viajante é fundamental para conseguir derrotar os monstros que você irá enfrentar com mais facilidade. Além disso, Duskfade oferece personalização da Minuteira e de trajes de Zirian. O único detalhe incômodo dessa mecânica de customização é a ausência de uma pré-visualização dos trajes antes de realizar a compra, o que pode levar a escolhas no escuro e gastar Lascas Estelares em vão.
Já dei muitos motivos para Duskfade ser bom, e realmente ele é. Foi difícil encontrar algum defeito nele, mas como revisor sempre preciso ter uma imparcialidade mesmo gostando muito de determinado jogo antes de dar uma nota. Principalmente essa nota sendo tão alta. Mas vou explicar agora de forma mais direta: Duskfade foi divulgado e lançado como um jogo que é inspirado em jogos de plataforma 3D da época de PlayStation 2 (isso pode ser visto em publicações e páginas da desenvolvedora) e conseguiu me recordar dos tempos que joguei Kingdom Hearts no meu PlayStation 2. Joguei em Acesso Antecipado e não encontrei nenhum bug, nem de gameplay ou qualquer outro possível. Jogos de plataforma não são os que eu mais joguei ou jogo, e Duskfade conseguiu me prender durante horas, é um jogo muito gostoso de jogar, você se identifica com os personagens e quer avançar, avançar e avançar. Eu sei que quem é muito fã de jogos de plataforma irá encontrar algum defeito nele, talvez no combate?! Irão dizer que poderia ter uma mecânica de seleção de inimigo ou defesa no combate muito melhor ou algo do tipo. Mas e para quem não curte o gênero?
Duskfade é surpreendente para quem busca jogar um jogo de ótima qualidade. Ele é visualmente incrível, um jogo muito diversificado se falarmos de inimigos, cenários, recursos, personalizações e upgrades. Duskfade se inspirou, mas conseguiu ter sua própria identidade. Além de ter uma duração entre 15 e 20 horas. Peguemos, como exemplo, o jogo do ano de 2024, Astrobot. Um jogo de plataforma, de um estúdio grande, com suporte total da PlayStation como um lançamento principal de grande escala, contando com altíssima qualidade de produção, polimento impecável e preço de jogo grande e com um orçamento de produção superior a qualquer jogo indie, ele tinha entre 12 e 15 horas de duração. Apesar de vencer o prêmio de jogo do ano e ter sido aclamado por sua jogabilidade e visual, ele foi criticado por ter poucas opções de dificuldade, de inimigos e curta duração.
Duskfade não traz revolução para o gênero, mas nos entrega aquilo que esperamos de um AAA e que muitas vezes não temos ou somos presenteados com um trabalho mediano. O jogo nos leva a uma aventura rica em detalhes. Detalhes visuais, sonoros, narrativos e tudo mais. Mesmo para um jogo indie, Duskfade consegue ser bom em tudo.
Veredito Gamers & Games:
10
/ 10
“Duskfade é uma aventura de plataforma 3D extremamente competente, com visual impressionante, gameplay variado e excelente localização em português brasileiro. Mesmo sem revolucionar o gênero, o jogo consegue entregar uma experiência rica, divertida e com identidade própria.”

