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Digimon Story: Time Stranger – Uma ótima aventura que não depende da nostalgia para funcionar! | Análise

Analisado no Nintendo Switch 2


Lançado pela Bandai Namco Entertainment em 2 de outubro de 2025, e chegando ao Nintendo Switch em 10 de julho de 2026, Digimon Story Time Stranger convida o jogador a desvendar uma série de mistérios que podem estar diretamente relacionados ao colapso do mundo tal como o conhecemos. Os nostálgicos monstros digitais estão de volta para mais uma aventura que promete te deixar horas completamente grudado na tela da sua TV ou do seu Nintendo Switch, caso você prefira jogar no modo portátil!

A aventura começa quando você é informado sobre uma série de anomalias que vêm acontecendo no mundo. Esses eventos podem estar ligados a um colapso do mundo real, e o mundo digital talvez tenha alguma relação com essas anomalias! A partir daí, o protagonista (ou a protagonista) da aventura passa a trabalhar como agente da ADAMAS e, acompanhado pelo Digimon escolhido (entre Gomamon, Patamon e Demidevimon), parte em busca de pistas que possam ajudar a compreender e talvez solucionar os mistérios que pairam entre o nosso mundo e o mundo digital Ilíada.

E erra feio quem imagina que, por ser um jogo baseado em monstrinhos, ele terá muitas semelhanças com Pokémon. Aqui, você não é uma criança de oito anos recebendo seu primeiro monstrinho para treiná-lo e virar um mestre através de campeonatos! O clima é bem diferente…

Tem viagem no tempo, investigação, guerra entre facções de Digimon… É um prato cheio! Mas para evitar spoilers, vamos parar por aqui em termos de detalhes da história. Se você gosta de jogos com uma narrativa envolvente, cheia de mistérios e reviravoltas, pode vir sem medo. O início é um pouco lento (ou bem desenvolvido, dependendo do seu ponto de vista), mas, em pouco tempo, você já está completamente imerso na trama e querendo descobrir qual será o próximo acontecimento, tal como em um bom anime.

O jogo é ambientado em Shinjuku e consegue transportar muito bem para as telas as ruas e a atmosfera do Japão contemporâneo. A sensação que passa é de se teletransportar e estar realmente percorrendo uma cidade japonesa, o que acabou sendo uma surpresa bastante divertida! Por outro lado, a exploração é algo limitada. Como Time Stranger é um jogo bem linear, frequentemente você fica com a sensação de que poderia explorar um pouco mais aqueles cenários, e o que acontece é que tudo no jogo se passa em áreas razoavelmente pequenas, delimitadas por paredes invisíveis.

Com relação à progressão dos seus parceiros digitais, temos ferramentas bem interessantes: os Digimon podem não só digivolver, mas também de-digivolver, ou seja, retornar a formas anteriores. Para isso, entretanto, é necessário cumprir determinados requisitos, que envolvem tanto as características do Digimon quanto a progressão do próprio protagonista (sinalizada pelo “nível de agente da ADAMAS”). Isso faz com que, além do elemento surpresa ao se deparar com as inúmeras possibilidades, você ainda possa voltar seu monstrinho para a forma inicial caso não curta tanto as formas digivolvidas que você tinha escolhido.

Isso é bastante relevante porque, dependendo dos atributos e de outros parâmetros, um mesmo Digimon pode seguir caminhos evolutivos diferentes, frequentemente com várias possibilidades de evolução. Dois Digimon diferentes, por exemplo, podem digivolver para uma mesma forma em comum, o que pode ser uma novidade principalmente para quem acompanhou a franquia somente pelos episódios matinais do anime. Por outro lado, a grande maioria dos Digimon pode se transformar em outras 3, 4 ou 5 formas evoluídas diferentes, por exemplo.

Quando o assunto são as batalhas, temos ainda o clássico sistema de vantagens entre os atributos Vírus, Dados e Vacina, que formam um ciclo de forças e fraquezas. Fatores elementais também influenciam o dano dos movimentos, fazendo com que não baste escolher os Digimon mais poderosos: é preciso pensar na composição da equipe e explorar as fraquezas dos adversários.

O problema é que o equilíbrio dos combates nem sempre funciona tão bem. Enquanto os inimigos comuns são fáceis e rápidos demais, muitas vezes derrotados em dois turnos ou menos, as batalhas com os chefes são excessivamente longas. Mesmo com as melhores combinações, você percebe logo nos primeiros turnos que aquela luta vai demorar muito!

A duração, por si só, não seria um problema se houvesse maior profundidade estratégica. O sistema de fraquezas é claro e funciona bem, mas os golpes de suporte têm impacto bastante limitado, com bônus que representam poucos pontos percentuais e duram poucos turnos. Na prática, isso faz com que muitas batalhas se resumam a repetir o mesmo movimento várias vezes (e, quando o combate se prolonga, a monotonia aparece rapidamente).

Para quem não tem paciência para batalhas assim mais repetitivas, existe a função de piloto automático, que permite aos Digimon lutarem sozinhos. É uma função conveniente, mas que deve ser usada com cautela: é bom, às vezes, parar o piloto automático para reviver ou usar um item aqui e ali para não acabar perdendo o tempo após todos os seus parceiros serem derrotados.

Mesmo com a tela maior do Nintendo Switch 2, Time Stranger é um daqueles jogos que parecem pedir para ser jogados no modo dock: as letras e, principalmente, alguns quadros de mensagens são frequentemente bem pequenos, o que acaba interferindo no ritmo da jogatina. Em determinados momentos, você precisa se concentrar mais do que deveria para conseguir ler os textos e acompanhar a história e, como a narrativa é justamente um dos pontos fortes da experiência, isso acaba sendo uma questão.

Falando em textos, tem ainda um detalhe que com certeza vai aquecer o coração de quem cresceu acompanhando a franquia: a localização em português do Brasil! Poder revisitar o universo de Digimon tantos anos depois, com toda a nostalgia envolvida, e ainda por cima em nosso idioma, é uma experiência bastante memorável! Ainda mais quando os Digimon iniciais são os grandes queridinhos da galera!

Mas vamos deixar claro uma coisa: Digimon Story Time Stranger consegue fazer algo que nem sempre é fácil para franquias tão antigas: apresentar uma nova aventura que não depende apenas da nostalgia para funcionar! A história é envolvente, o sistema de evolução oferece bastante liberdade e existe uma boa ideia por trás da composição das equipes e do sistema de vantagens.

Por outro lado, as batalhas contra chefes poderiam ser mais dinâmicas e estratégicas, enquanto a exploração limitada e os textos pequenos no modo portátil são pontos que poderiam ser melhores.

Custando R$ 339,90 e contando com legendas em português, Digimon Story Time Stranger é, no fim das contas, uma ótima aventura não só para quem gosta de Digimon, mas também uma porta de entrada para quem nunca teve contato mais profundo com a franquia.

Veredito Gamers & Games:

Nota Final
8.9
/ 10

“Digimon Story Time Stranger entrega uma ótima aventura, com história envolvente, evolução flexível e localização em português. As batalhas contra chefes, a exploração limitada e os textos pequenos no modo portátil impedem que a experiência seja ainda melhor.”

Digimon Story: Time Stranger

8.9

Nota

8.9/10

Positivos

  • História envolvente
  • Sistema de evolução flexível
  • Localização em português

Negativos

  • Chefes muito longos com batalhas repetitivas
  • Exploração limitada
  • Textos pequenos no modo portátil

Vlademir Vitaliano

Químico de formação, com doutorado em engenharia da nanotecnologia. Meu primeiro videogame foi um Mega Drive, através do qual me apaixonei pelos jogos mais casuais, sejam eles de aventura, luta ou corrida. Atualmente sou fã da Nintendo e suas "Nintendices".
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