Call of Duty: Modern Warfare 4 – Acertos, erros e o que esperar do lançamento | Beta

Jogo testado no PC


A Infinity Ward e a Activision abriram as portas para o próximo capítulo da franquia com um extenso período de testes para Call of Duty: Modern Warfare 4, que ocorreu em dois finais de semana durante agosto de 2026. A Beta com Acesso Antecipado aconteceu de 21 a 25 de agosto, liberada para quem fez a pré-venda do jogo, enquanto a Beta Aberta ocorreu de 28 de agosto a 1º de setembro, disponível gratuitamente para todos os jogadores. Pela primeira vez na história da franquia, a beta incluiu uma missão da campanha, além do Multiplayer e do Warzone.

A missão coloca o jogador no meio de uma grande ofensiva militar, avançando ao lado de outros soldados por trincheiras, enfrentando veículos blindados e seguindo até uma usina nuclear que precisa ser protegida. Chamada de Entrenched, a missão coloca os jogadores em Hajin, uma cidade fictícia da Coreia do Sul, controlando o soldado Park. Mesmo sendo uma missão curta, ela consegue variar bem as situações e mantém aquele ritmo cinematográfico que Call of Duty sempre soube entregar. O tom da campanha parece mais militar, mais sério, mais pé no chão, algo que lembra bastante os Call of Duty mais antigos. Ainda é cedo para dizer se esse ritmo será mantido durante toda a história, mas o trecho me deixou bem otimista. Visualmente, Modern Warfare 4 continua impressionando, com explosões acontecendo ao redor, soldados avançando pelo campo de batalha e efeitos de iluminação que ajudam a dar escala ao confronto. Este é o primeiro título da franquia exclusivo da nona geração de consoles, com PlayStation 4 e Xbox One ficando de fora.

A maior reformulação foi na mecânica de armas e tiros. A base dessa mudança é a remoção completa do “bloom” (a dispersão aleatória de balas) que fazia os tiros saírem fora da mira mesmo quando o jogador estava apontando corretamente. A Infinity Ward implementou a tecnologia “Ballistic Authority”, que unifica a trajetória dos projéteis, o movimento das armas, a postura do operador, o áudio e a visibilidade dos alvos em um único sistema para eliminar qualquer aleatoriedade nos confrontos. Na prática, as armas agora possuem um peso mecânico tátil e um impacto satisfatório, com diferenças perceptíveis entre cada modelo. O sistema de personalização, o Gunsmith, também recebeu melhorias significativas. A grande novidade são os Apex Attachments, modificações especiais desbloqueadas ao maximizar o nível de uma arma que alteram fundamentalmente seu comportamento sem ocupar um slot de acessório comum.

Por outro lado, o multiplayer ainda mantém o ritmo extremamente acelerado dos últimos Call of Duty, o que pode acabar cansando quem só quer entrar, jogar algumas partidas e se divertir sem tanta pressão. Em comparação com Black Ops 6 e Black Ops 7, o novo título apresenta uma abordagem mais controlada, com a inclusão de um sistema que limita a distância do slide e remove o pulo na parede, deixando o multiplayer um pouco menos caótico. O famoso omnimovement foi removido, apostando em algo mais próximo do DNA da franquia Modern Warfare. Porém achei o tempo de reação muito curto. Somado a um sistema de spawn problemático, isso transformou algumas partidas em um banho de frustração, e perdi a conta de quantas vezes morri segundos depois de renascer. A Infinity Ward até ajustou o TTK durante a própria beta, mas, pelo que testei, o equilíbrio ideal ainda parece distante. Os spawns, aliás, foram outro problema constante. Em todos os mapas que joguei, nasci várias vezes na linha de tiro do oponente, o que tornava impossível esboçar qualquer reação. É o tipo de coisa que corrói a paciência mesmo de quem está disposto a relevar.

A estratégia de matchmaking da beta me deixou genuinamente confuso. A Infinity Ward decidiu testar dois formatos ao mesmo tempo — o Classic e o Open — mas nunca ficou claro o que exatamente diferenciava um do outro na prática, nem qual deles estava sendo aplicado nas partidas que eu jogava. A Activision divulgou estatísticas do Black Ops 7 para defender o SBMM, mas os dados vinham de um jogo com contexto completamente diferente, e ninguém explicou direito como aquilo se aplicava ao Modern Warfare 4. Fiquei com a impressão de que a própria desenvolvedora ainda não sabia qual caminho seguir e estava usando a beta como um teste às cegas.

Os mapas 6v6 somaram seis arenas principais, cada uma com design e ambientação distintos. Rooftops é um mapa vertical de curto a médio alcance, ambientado em telhados nevados de Nova York. Silkworm é mais aberto, de médio a longo alcance, com múltiplas rotas e posições elevadas. Transit 213 é um hub de transporte urbano com trens, plataformas e corredores internos. Cachette se passa numa área comercial densa da Coreia do Sul. Lotus é um mapa costeiro com combate em vielas e espaços abertos. E Lithium é uma refinaria de lítio no México, com combate em áreas industriais. O grande destaque entre os mapas foi Kill Block, um espaço de combate modular que se reconfigura a cada duas rodadas. Com mais de 500 configurações possíveis, o mapa altera rotas, linhas de visão, clima e espaços de combate, e cada combinação traz um conjunto de armamento aleatório e compartilhado entre os jogadores. Foi jogável nos modos Gunfight 3v3 e na nova variante 10v10. A Guerra Terrestre retornou com 24v24, misturando combate de infantaria e veículos em espaços amplos. Os jogadores podiam estabelecer Postos Avançados para ganhar recursos e completar objetivos, além de enfrentar Séries de Baixas aéreas poderosas. Dois mapas estiveram disponíveis: Imjin Farmland e Wolves Stadium. Além dos clássicos Team Deathmatch, Domination, Hardpoint, Kill Confirmed e Search & Destroy, a beta introduziu dois modos inéditos. Inflation é um modo onde cada eliminação aumenta o valor da sua fortuna, tornando-o um alvo cada vez mais valioso, e se você for eliminado, parte do dinheiro acumulado fica para trás. Já Hijack coloca os times disputando o controle de um Data Spike, que pode ser carregado, arremessado ou passado entre companheiros de equipe, com o objetivo de plantá-lo na Estação de Comunicações inimiga e defendê-lo até a detonação para obter pontos.

A boa notícia é que a desenvolvedora mostrou estar atenta ao feedback e aplicou correções durante a própria beta. Resta saber se isso será suficiente até 23/10/2026, quando o jogo chega às lojas. Se a Infinity Ward conseguir polir esses pontos sem perder a qualidade do combate, Modern Warfare 4 tem tudo para ser um dos grandes shooters da geração. Se não, pode acabar sendo mais um capítulo de potencial desperdiçado. Por enquanto, a beta cumpriu seu papel: mostrou uma base sólida, mas também revelou que o caminho até o lançamento ainda tem obstáculos pela frente.

Veredito Gamers & Games:

“Modern Warfare 4 apresenta uma base sólida, com boas mudanças no sistema de armas e bastante conteúdo na Beta, mas problemas de spawn, TTK e matchmaking ainda preocupam. Se os ajustes forem bem aplicados até o lançamento, o jogo tem potencial para se destacar entre os shooters da geração.”

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