
Stupid Never Dies – Os veteranos da Capcom se reuniram e trouxeram um zumbi apaixonado | Análise
Em Stupid Never Dies, o time de Devil May Cry e Resident Evil faz sua estreia com muito estilo e pouca vergonha na cara

Versão Testada: PlayStation 5
Stupid Never Dies
PlayStation 5 e PC
21/out./2026
Ação
GPTRACK50 Inc. – SEGA
Quando um estúdio estreia com Hiroyuki Kobayashi no comando e Eiichiro Sasaki na direção, a expectativa já vem de brinde. A GPTrack50 é novinha, mas está lotada de gente que passou anos em Resident Evil, Dino Crisis e Devil May Cry. Stupid Never Dies é a primeira cartada desse time, e o que sai dali é um jogo que não tem vergonha nenhuma de ser exagerado. Ele chega no dia 21 de outubro de 2026 para PlayStation 5 e PC, via Steam.
Em Stupid Never Dies, você controla Davy, que de herói tem quase nada. Ele é o zumbi mais fraco do mundo e, mesmo assim, vai encarar uma masmorra misteriosa atrás de KOM, o Rei dos Monstros, uma entidade que reúne todo o conhecimento do planeta. O motivo é Julia, uma universitária que morreu congelada durante a Grande Guerra e por quem Davy se apaixona à primeira vista. Para trazê-la de volta, ele come um ovo de fênix que lhe dá o poder de absorver habilidades de outros monstros, e o Dr. Frank o manda derrubar KOM e recuperar o conhecimento perdido da humanidade.
A premissa é boba, e o jogo sabe disso. O curioso é que, no meio da piada, existe um carinho genuíno pela história. A gente acaba se importando de verdade com o Davy, coisa que não é comum num gênero que costuma tratar narrativa como enfeite.
A base é um RPG de ação 3D, single player, com tempero de roguelike. Você mergulha nas masmorras com tempo limitado antes de ser expulso, e a cada tentativa o Davy volta mais forte e mais rápido. O medidor de EXP sobe, você distribui atributos, libera habilidades e tenta chegar mais fundo antes de o relógio zerar. Dá aquela vontade de fazer só mais uma run.
O combate é fluido, como se espera de quem passou pela turma de Devil May Cry, mas sem festival de combos. A ênfase está nas habilidades ativas com tempo de recarga, o que deixa o jogo com cara de beat-em-up 3D das antigas. As transformações lembram Altered Beast, do PS2, e também Abyss Odyssey, que segue a mesma ideia de roguelike com inimigos jogáveis, só que em 2D. Armas, equipamentos e habilidades diferentes fazem cada descida ter um jeito próprio.
A rejogabilidade é um dos pontos mais fortes de Stupid Never Dies. A cada run o Davy volta para a base, e os espólios conquistados viram melhorias permanentes. Dá para evoluir atributos básicos, como força e vitalidade, e também fazer o “Hack Corporal”, que instala implantes Overtech poderosos para turbinar o personagem e liberar habilidades ativas e passivas novas. Tem bastante coisa além disso e a sensação de evolução aparece rápido.
Cada área tem seus próprios inimigos e novas criaturas vão aparecendo a cada tentativa. Dá para acompanhar isso nas fichas de inimigos e áreas, que mostram quem já apareceu e quantos ainda faltam. Lobisomens, vampiros, harpias, homens-lagarto e outros bichos mutantes pela Overtech formam um bestiário variado.
As apresentações dos chefes são um show à parte. Enfrentei o andarilho Bob Dullahan e a Fênix Zazá Penaquente, e os dois têm entradas hilárias, mas isso não tira a seriedade da luta. Ambos entregam combates muito bons.
Aqui o jogo brilha, é colorido, cheio de estilo e espetáculo, com direção de arte inspirada em cenários e iconografia urbana, e dá para sentir ecos de Arcane e Homem-Aranha no Aranhaverso. As cutscenes usam elementos recortados e estética de grafite, e a vibe punk-rock está presente o tempo todo. Bate uma nostalgia de jogo do começo dos anos 2000, quando a diversão desenfreada não precisava de justificativa.
O design de som merece elogio. Cada pancada dada e recebida tem uma qualidade ótima, e é gostoso ouvir cada ataque encaixando nas animações do Davy. Isso faz muita diferença num jogo em que você passa o tempo todo batendo.
A trilha também capricha. Cada dungeon tem sua música, e cada chefe também. Conforme você derrota novos chefes, as faixas vão para uma jukebox dentro do jogo, onde dá para montar playlists personalizadas.
No PS5, Stupid Never Dies roda com muita fluidez e os comandos respondem rápido. As telas de carregamento são praticamente inexistentes. Quando precisa carregar algo mais pesado, ele disfarça do mesmo jeito que os Resident Evil clássicos faziam: em vez de uma porta abrindo devagarinho, aqui você entra num portal para o próximo nível. É uma solução esperta e que combina com a identidade do jogo.
A falta de mira automática incomoda. Em vários momentos, um empurrãozinho de assistência de mira resolveria o problema e deixaria tudo mais gostoso. Outro ponto é a aleatoriedade dos conjuntos de movimentos ao longo de cada run. Fica a vontade de poder aumentar a durabilidade de um estilo ou começar a partida com aquele que você já domina, para não ficar tão à mercê da sorte.
O jogo tem áudio, legendas e interface em inglês e conta com mais 12 idiomas em legendas e interface. Na PlayStation Store e na Steam, a versão base custa R$ 207,90, e a edição Glorious Idiot Edition, com extras estéticos, sonoros e visuais, sai por R$ 250,90. Para o que entrega, o preço se justifica, e ainda parece honesto quando a gente lembra do time de veteranos por trás dele.
Em conclusão, Stupid Never Dies não reinventa o gênero, mas entrega uma estreia cheia de charme, boas ideias e uma identidade difícil de esquecer. Os ajustes de mira e de controle sobre os estilos fariam muita diferença, mas mesmo como está, é um jogo fácil de gostar e difícil de largar.
Veredito Gamers & Games:
8.0
/ 10
Stupid Never Dies entrega uma aventura de ação cheia de personalidade, com progressão viciante, visual vibrante e chefes divertidos. A falta de mira automática e o controle limitado sobre os estilos são pontos que poderiam melhorar uma experiência que já é muito boa.
Stupid Never Dies
Positivos
- Direção de arte vibrante
- História e personagens carismáticos
- Progressão viciante
- Chefes com apresentações hilárias e combates muito bons
- Excelente design de som e trilha sonora
Negativos
- Falta de mira automática atrapalha o combate
- Combate mais simples, com poucos combos
- Pouco controle sobre a durabilidade e a escolha dos estilos











