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Box Knight – Transforma o expediente em uma batalha roguelite | Análise

Vista a armadura de papelão e enfrente a segunda-feira

Analisado no PC


Sexta-feira, fim do expediente. Para a maioria das pessoas isso significa o fim do dia. Para o herói de Box Knight, é o sinal de que a batalha está prestes a começar. Desenvolvido e publicado pela pequena equipe australiana We Made A Thing Studios, o jogo pega uma ideia simples (a cultura corporativa tóxica transformando funcionários em monstros) e constrói em cima dela um roguelite de ação com visual cartunesco, combate ágil e bastante irreverência.

A premissa funciona bem no papel: um funcionário comum veste uma armadura improvisada de papelão, pega armas feitas de material reciclado e sobe andar por andar de um prédio corporativo tomado pela escuridão, até chegar à sala do CEO, o vilão final escondido no conforto do último andar. No caminho, colegas viram inimigos grotescos, de goblins zumbis de escritório a criaturas explosivas que exigem um bom pisão no chão para serem derrotadas.

O moveset de Box Knight é enxuto: ataque básico, pulo, pisão no chão e um golpe carregado que muda de acordo com a arma equipada. Segurar o botão prepara golpes mais fortes, e inimigos enfraquecidos podem ser executados. No papel, é a base clássica de um beat ‘em up, e nos primeiros minutos ela realmente empolga.

O problema é que, com o tempo, os combates tendem a virar uma sequência repetitiva de apertar botão. Inimigos isolados caem fácil, mas quando a sala enche de adversários diferentes ao mesmo tempo, o jogo perde o ritmo: ou você fica preso numa saraivada de golpes sem conseguir respirar, ou passa o combate inteiro correndo de um lado para o outro tentando reorganizar a situação. As execuções, que deveriam ser o momento mais cômico e satisfatório, acabam sendo só uma forma de economizar apertos de botão, sem o impacto visual que o conceito pedia.

Há também uma sensação de que a sátira corporativa poderia ir mais fundo. A ideia de cartões de visita como shuriken, post-its como armadilhas grudentas ou um grampeador como arma de dano contínuo passa longe do que realmente foi implementado. O humor está lá, mas fica mais na superfície (uniforme de papelão, escritório em chamas) do que em piadas realmente afiadas sobre a vida de escritório.

Como todo bom roguelite, morrer em Box Knight não é o fim, é parte do processo. Cada tentativa deixa o jogador mais preparado para a próxima: XP e moedas coletadas ao longo da run são convertidas em melhorias permanentes através do Conselho dos Zeladores, permitindo desbloquear armas, capacetes, uniformes e habilidades passivas e ativas.

Dentro de cada tentativa, o jogo também oferece escolhas de upgrades temporários (mais ataque, defesa, velocidade ou dano elemental) que ajudam a montar builds diferentes a cada partida. É um sistema familiar para quem já jogou outros roguelites de ação, e a variedade de inimigos obriga a variar de estratégia com frequência, numa dinâmica que lembra um pouco pedra, papel e tesoura. Ainda assim, boa parte dos upgrades entrega ganhos discretos demais para se sentir realmente transformador. Aumentar 5% de evasão é bom no papel, mas raramente muda a forma como você joga.

O jogo também suporta cooperativo, o que ajuda bastante a lidar com situações de muitos inimigos em tela, algo que sozinho pode ficar frustrante em determinados momentos.

Se tem uma coisa que Box Knight acerta sem hesitar é a apresentação. O estilo cartunesco, desenhado à mão, dá personalidade tanto aos monstros quanto aos cenários, que vão de cubículos apagados a data centers ameaçadores. Mesmo com sangue espalhado pela tela depois dos combates, o tom nunca fica pesado ou perturbador, lembrando mais um desenho animado do que um jogo violento de verdade. Os efeitos sonoros de impacto e a trilha animada completam bem esse clima.

Por outro lado, a interface deixa a desejar. Menus de upgrade e desbloqueio ficam poluídos e com textos pequenos demais, algo que incomoda ainda mais em telas menores, como no Steam Deck.

Box Knight não reinventa o roguelite de ação, mas usa um conceito engraçado e visualmente atraente para dar uma nova cara a uma fórmula já conhecida. Funciona melhor como piada leve sobre o expediente das 9 às 17 do que como crítica social afiada, e o combate, apesar de ágil no início, acaba esbarrando em repetição e em uma progressão que nem sempre parece valer a pena. Ainda assim, é uma estreia divertida, bonita de se ver e capaz de arrancar boas risadas de quem já sonhou em trocar uma reunião chata por uma boa pancadaria.

Veredito Gamers & Games:

Nota Final
7.0
/ 10

“Box Knight entrega uma aventura roguelite divertida, bonita e irreverente, com progressão permanente e cooperativo. Porém, o combate repetitivo, upgrades pouco impactantes e algumas limitações técnicas impedem o jogo de ir além.”

Box Knight

7

Nota

7.0/10

Positivos

  • Visual cartunesco cheio de personalidade, com ótima direção de arte
  • Trilha sonora e efeitos sonoros animados que reforçam o tom leve
  • Progressão permanente que recompensa cada tentativa, mesmo as fracassadas
  • Cooperativo ajuda a equilibrar momentos de muitos inimigos em tela
  • Variedade de inimigos exige adaptação de estratégia

Negativos

  • Sátira corporativa fica mais na superfície do que realmente aprofundada
  • Combate tende à repetição, principalmente contra grupos grandes
  • Execuções sem o impacto que o conceito prometia
  • Upgrades muitas vezes entregam ganhos pouco perceptíveis
  • Interface poluída, com textos pequenos e travamentos ocasionais

Lennon Rubens

Gamer por hobby e viciado por opção. Toco Barões da Pisadinha no Guitar Hero. Jogador de quase todas as plataformas. Não dispensa uma boa coquinha gelada e pizza.
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