
A Microsoft não considera mais outras fabricantes de consoles como seu principal rival no mercado de jogos, segundo Matt Booty, presidente dos estúdios de conteúdo e jogos da Xbox. Em entrevista ao The New York Times, o executivo afirmou que a companhia agora enxerga o entretenimento digital em geral, como redes sociais e plataformas de vídeo, como sua verdadeira concorrência.
A declaração ocorreu no mesmo dia em que a empresa confirmou que Halo, franquia símbolo da marca Xbox, chegará pela primeira vez ao PlayStation, um movimento que consolida a estratégia multiplataforma da Microsoft.
“Estamos todos tentando chegar até as pessoas onde elas estão”, disse Booty. “Nossa maior competição não é outro console… estamos competindo cada vez mais com tudo, desde o TikTok até os filmes.”
A fala reflete o reposicionamento estratégico da divisão Xbox, que vem expandindo seu ecossistema muito além do hardware tradicional. Com vendas do Xbox Series X|S abaixo do esperado, com estimativas indicando que o PlayStation 5 vendeu o dobro de unidades, a Microsoft aposta cada vez mais em serviços digitais como o Game Pass, mesmo que isso ocorra à custa da redução nas vendas de jogos premium.
Mudança de estratégia e impacto interno

O foco da empresa em um modelo mais aberto e multiplataforma começou oficialmente em 2024, quando o CEO da divisão de jogos, Phil Spencer, anunciou que “apenas quatro títulos” do catálogo próprio chegariam a plataformas concorrentes, enfatizando que não se tratava “de uma mudança fundamental na estratégia de exclusividade”. Desde então, porém, diversos títulos tradicionalmente exclusivos de Xbox cruzaram a fronteira, chegando também aos consoles da Sony.
Entre os exemplos mais recentes estão Indiana Jones e o Grande Círculo, Forza Horizon 5 e Gears of War: Reloaded, todos lançados também para PlayStation. A própria presidente da Xbox, Sarah Bond, reforçou a mudança de mentalidade ao afirmar, no início de outubro, que “a ideia de exclusividade se tornou antiquada.”
Contudo, essa transição vem acompanhada por grande pressão interna por resultados financeiros. Um relatório recente da Bloomberg indicou que a Microsoft exigiu que a divisão Xbox atingisse margens de lucro muito acima da média do setor, o que levou a cortes de custos, cancelamentos de projetos e encerramento de estúdios.
Consequências corporativas

Em julho de 2025, a Microsoft anunciou demissões que afetaram cerca de 9.000 funcionários em toda a empresa, com impacto direto no braço de jogos. Entre os projetos cancelados estão Everwild, da Rare, e Perfect Dark, da The Initiative, estúdio que também foi fechado após a reestruturação.
“Demissões são difíceis”, comentou Booty na entrevista. “Elas fazem parte da gestão do nosso negócio.”
Em meio à reestruturação, a Microsoft também implementou aumento de preços em seus principais produtos, incluindo um reajuste de 50% no Xbox Game Pass Ultimate e duas altas no preço dos consoles ao longo de 2025 — medidas que provocaram críticas entre os fãs.
Apesar das polêmicas, os números apontam que a estratégia multiplataforma está começando a gerar frutos. De abril a julho, seis dos dez jogos mais vendidos no PlayStation 5 foram produzidos por estúdios da Microsoft, um feito impensável até pouco tempo atrás.






