
Eurogamer e rede Gamer Network sofrem novos cortes sob gestão da IGN
Jornalismo de games global já perdeu 25% de sua força de trabalho em dois anos.
A indústria de mídia especializada em videogames enfrenta um novo capítulo de instabilidade com o anúncio de demissões em massa na Gamer Network, conglomerado que inclui marcas icônicas como Eurogamer, Rock Paper Shotgun e VG247. Adquirida pela IGN Entertainment (subsidiária da Ziff Davis) em maio de 2024, a rede passa por sua segunda rodada de cortes profundos em menos de dois anos. As dispensas atuais incluem editores com muita experiência e a totalidade da equipe de vídeo do Eurogamer, além de reduções operacionais no canal Outside Xbox, que conta com mais de 3,5 milhões de inscritos.
O impacto da gestão da IGN transformou radicalmente a identidade dessas publicações históricas. O site de notícias VG247, fundado em 2008, foi reduzido a uma operação mínima focada em guias, após ter quase toda a sua equipe editorial realocada ou dispensada sem reposição. Enquanto o renomado selo técnico Digital Foundry conseguiu garantir sua independência através de um buy-out, outros braços, como o site de jogos de tabuleiro Dicebreaker, foram encerrados definitivamente. Essa “limpeza” editorial reflete a pressão por consolidação de lucros no cenário pós-pandemia.
Estatisticamente, o setor vive uma recessão sem precedentes. Dados da Press Engine revelam que o contingente global de jornalistas de games encolheu 25% nos últimos dois anos, resultando na perda de mais de 1.200 postos de trabalho. Analistas apontam que a dependência de algoritmos de busca do Google (especialmente após o Helpful Content Update), a fragmentação do investimento publicitário e o surgimento de sumários por inteligência artificial são os catalisadores dessa erosão, forçando veículos tradicionais a competirem de forma predatória pelo tráfego de grandes lançamentos.
O desmantelamento das redações profissionais levanta um alerta sobre a sobrevivência da crítica independente e da apuração jornalística de longo prazo. Com a redução das equipes, a tendência é que o conteúdo se torne cada vez mais voltado a guias de SEO e coberturas superficiais, alienando o público que busca análises profundas. A diversificação de receita e o suporte direto dos leitores são as únicas vias para evitar a extinção das vozes históricas da crítica europeia e global.






