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EA inicia reestruturação profunda com despedimentos nas equipes de Battlefield

Cortes atingem Criterion, DICE, Ripple Effect e Motive numa fase de “realinhamento” interno.

A Electronic Arts deu início a uma reestruturação profunda que está resultando em despedimentos nas várias equipes responsáveis pela franquia Battlefield. A decisão surge como um choque para muitos, porque acontece apenas alguns meses depois do lançamento de Battlefield 6, que não só recuperou a imagem da série após tropeços anteriores, como bateu todos os recordes comerciais da marca no final de 2025.

De acordo com as informações apuradas, os cortes estão afetando funcionários em quatro dos estúdios-chave da EA: Criterion Games, DICE, Ripple Effect e Motive Studios. Essas equipes desempenham papéis centrais no desenvolvimento e suporte à série, seja na criação de novos conteúdos, no trabalho de live-service ou em tecnologia e ferramentas compartilhadas.

Battlefield6_BF6 Screen 8

Os trabalhadores afetados foram informados de que estes despedimentos fazem parte de um “realinhamento” estratégico da empresa. Oficialmente, o objetivo é reajustar a dimensão e a estrutura das equipes enquanto estas asseguram o suporte contínuo a Battlefield 6 no modelo live-service, incluindo atualizações constantes, novos conteúdos sazonais e manutenção técnica. A EA pretende, em teoria, alinhar os recursos com a fase pós-lançamento do jogo, que costuma exigir equipes mais focadas em operações contínuas do que no desenvolvimento de um produto totalmente novo.

Apesar disso, o impacto interno é significativo. Todos os quatro estúdios vão permanecer abertos e operacionais, mas os cortes atingiram vários departamentos de forma pouco seletiva, afetando múltiplas áreas. Até ao momento, a Electronic Arts ainda não revelou publicamente o número exato de profissionais que perderam o emprego, o que contribui para um ambiente de incerteza entre os que ficaram.

Battlefield 6 - Modo solo

A ironia da situação torna-se evidente quando se olha para o desempenho de Battlefield 6. Lançado a 10 de outubro de 2025, o jogo rapidamente se afirmou como um dos maiores fenômenos recentes da indústria. Vendeu 7 milhões de cópias nos primeiros três dias no mercado, estabeleceu um pico máximo de 747 440 jogadores em simultâneo no Steam e terminou o ano como o jogo mais vendido de 2025 nos Estados Unidos. Esses números colocaram-no num patamar raro mesmo entre grandes blockbusters, alimentando a ideia de que a série tinha regressado com força após um período turbulento.

Os despedimentos orrem num momento particularmente sensível para a EA. A empresa ainda está lidando com o impacto emocional e organizacional da morte de Vince Zampella, o veterano líder associado à franquia Battlefield e uma das figuras mais respeitadas dentro da companhia, que faleceu num acidente há alguns meses. A sua ausência é sentida tanto na liderança criativa como na coesão das equipes, e a reestruturação agora anunciada surge sobre esse pano de fundo já frágil.

Battlefield 6_03

Em paralelo, a Electronic Arts encontra-se na fase final de um processo de aquisição histórico: a editora está prestes a ser comprada por um consórcio de investidores que inclui o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita, a Silver Lake e a Affinity Partners, num negócio avaliado em cerca de 55 bilhões de dólares. A conclusão desta operação está prevista para o primeiro trimestre do ano fiscal de 2027. Fontes internas dizem que a administração da EA garantiu aos funcionários que os atuais cortes não estão diretamente ligados à mega-aquisição, apresentando-os antes como uma medida de eficiência e “realinhamento” operacional.

Mesmo com essa explicação oficial, o contraste entre o sucesso estrondoso de Battlefield 6, a perda recente de uma figura central como Zampella e os despedimentos em equipes-chave alimenta a perceção de um ambiente altamente turbulento nos bastidores. Para muitos, o caso volta a expor a desconexão frequente entre o desempenho de um jogo e as decisões corporativas mais amplas, num cenário em que mesmo um dos maiores êxitos comerciais da EA não foi suficiente para travar uma nova vaga de cortes.

Marcelo Rodrigues

Old Gamer, se aventurando no ramo dos video-games deste o Atari. Já foi só do lado "Azul" da Força, mas hoje distribui sua atenção para todas as plataformas. Apesar de jogar todos os estilos, Adventures e Plataformas ainda tem um lugar especial em seu coraçãozinho.
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