
Analisado no Nintendo Switch 2
Anunciado durante o Nintendo Direct em dezembro de 2025, Pokémon Pokopia parecia apenas mais um spin-off da série Pokémon, com um visual fofinho e gameplay único na série, mas o que de fato recebemos é algo muito maior e muito mais profundo. Lançado em 05 de março de 2026 como um exclusivo para o Nintendo Switch 2, Pokémon Pokopia foi desenvolvido pela Game Freak em colaboração com o estúdio Omega Force da Koei Tecmo e publicado pela Nintendo.
Em Pokémon Pokopia, jogamos como um Ditto, o Pokémon capaz de se transformar e assumir o visual de seu antigo treinador. Esse visual pode ser todo definido pelo jogador, com tons de pele, estilo e cor de cabelo, vestuário completo e muito mais. Assim que Ditto se liberta de sua Pokébola, o impacto é imediato, ele nota que o mundo ao seu redor não parece mais o mesmo de suas lembranças, mas sim algo completamente destruído e modificado. O que será que aconteceu? Para onde foram todos os Pokémon e onde estão os humanos?
Sem spoilers, a história de Pokémon Pokopia é um tanto quanto profunda e até mesmo pesada, apesar de ser quase toda opcional, uma vez que, tirando alguns momentos-chave do game, quase todas as informações que levam ao conhecimento amplo do jogo precisam ser coletadas ou podem ser skipadas sem que o jogador dê muita atenção. Mas, basicamente, o mundo sofreu um colapso, diversas cidades e áreas foram destruídas e/ou modificadas, e a sua missão no comando desse Ditto é reconstruir esse mundo e preparar novos habitats para que os Pokémon possam voltar, e quem sabe, os humanos também.
Essa tarefa não será feita sem ajuda. Você sempre pode contar com a instrução do Professor Tangrowth, um Pokémon Tangrowth que, por conta da ação do tempo, tem um visual diferenciado, com parte de suas vinhas esbranquiçadas, uso de óculos, um bastão em uma das mãos e um CD colado numa vinha superior, lembrando o visual clássico de um pesquisador ou médico.
Na superfície, a gameplay parece simples e direta: você coleta recursos, produz itens básicos e cria novos habitats. Pokémons podem se interessar por aquele ambiente e voltam a conviver neste mundo. As tarefas simples são muito prazerosas, como quebrar blocos para liberar o fluxo de água ou passar horas regando o solo para trazer a vida de volta. Dependendo do Pokémon que aparece, ele pode te conceder algumas habilidades. Por exemplo: o Squirtle te ensina a habilidade de canhão de água, capaz de irrigar áreas secas, já o Bulbasaur ensina a habilidade de folhagem, criando áreas cobertas de grama ou vinhas em penhascos e paredes.
Outros Pokémon vão ensinar ou fornecer novas habilidades de mobilidade, como pular, planar e surfar. Pokémon do tipo fogo podem usar a habilidade “Queimar” para transformar argila em tijolos, ou ainda operar uma fornalha para transformação de minerais em lingotes. Pokémon com habilidades de corte transformam troncos em tábuas; outros criam novos itens a depender de suas capacidades.
O game parece ser um sandbox, mas não se engane, Pokémon Pokopia é baseado em missões, sejam elas do mundo, de outros Pokémon ou ainda do Professor. Cada missão faz com que o jogo progrida, e muito disso é contabilizado pelo PC disponível nos Centros Pokémon de cada região (que estão destruídos e precisam ser reconstruídos). Nele, temos missões para cumprir; algumas são diárias, outras são mais gerais. Cada missão cumprida fornece moedas que podem ser gastas na lojinha.
Essa loja fornece diversos itens que vão desde coisas básicas, como sementes e móveis para as residências, até expansão do seu inventário e aumento dos seus Pontos Pokémon (que aqui funcionam como sua estamina para as ações feitas pelo Ditto). Vale notar que, embora existam melhorias e comida farta, a estamina acaba rápido no início, o que exige um gerenciamento constante de consumo de itens. A loja ainda fornece receitas de como produzir uma quantidade absurda de coisas, sejam móveis, itens de decoração, itens funcionais, elementos para construção e, claro, blocos customizados. As receitas também podem ser coletadas no mundo ou ganhas como recompensa.
Conforme progredimos nas missões, melhorando o ambiente em que os Pokémon vivem e também aumentando sua felicidade, nosso nível de “treinador” aumenta, e a Pokédex – que conta com 300 Pokémon para encontrar – é capaz de abrir portões que levam para novas áreas. Essas novas regiões oferecem um novo estilo de ambientação, bem como novas missões e, claro, novos Pokémon e elementos para coleta e criação. Por exemplo: na segunda área, Bleak Beach, temos que fazer o sol voltar a brilhar; lá também conhecemos mecanismos de geração de eletricidade. Já em Rocky Ridges, aprendemos a cozinhar e temos o primeiro contato com o processo de fundição que citei anteriormente e o de culinária, após uma missão bastante demorada, mas muito recompensadora.
O game ainda conta com ciclo dinâmico de dia e noite, proporcionando interações diferenciadas, mudanças no visual e, às vezes, no clima. Além disso, temos viagens para ilhas dos sonhos para coleta abundante de materiais e outras coisinhas mais, além da possibilidade de acesso ao mundo de outros jogadores para exploração e interação.
A realidade é que Pokémon Pokopia é um game colossal. Você pode criar quase tudo que imagina, e não estou exagerando: precisa de vidro? Coloque areia na fundição. Quer produzir uma sopa? Crie uma panela de cobre, selecione os itens e pode cozinhar. Decidiu construir uma mansão? Sem problemas. Quer fazer do quê? Blocos de madeira, tijolos, blocos de mármore, blocos de cobre ou de ouro? Ou prefere uma construção envidraçada? Sem problemas também. Uma casa verde com adornos roxos? Sim, você pode, basta entregar algumas frutas ou vegetais para um Pokémon com capacidade de esmagar que ele vai te devolver alguns potes de tinta.
Deu para entender do que estou falando? Pokémon Pokopia é estilo Animal Crossing, com uma pitada de Stardew Valley num mundo moldável como o de Minecraft ou Dragon Quest Builders.
Eu posso estar falando bobagem, mas não me estranharia se, por muitos anos pela frente, víssemos criações fantásticas feitas no game, como já estamos vendo em menos de um mês pós-lançamento. Quer um exemplo bem legal disso? Em Pokémon Pokopia, você pode criar melodias, algo parecido com o que existia no clássico Mario Paint. Sim, até isso o game é capaz de fazer.
Eu poderia ficar falando aqui muito sobre o jogo, mas a intenção não é descrever ele todo ou dar spoilers de todas as coisas incrivelmente legais que acontecem, seja na interação entre você como jogador e os Pokémon, ou na interação entre eles mesmos, que aparecem brincando e conversando, como, por exemplo, o papo super profundo entre um Psyduck e um Slowpoke. Imagina a cena que engraçada!
Em performance, o game roda muito bem no Nintendo Switch 2. Joguei a maior parte na dock numa TV 4K e tudo rodou bem, não senti quedas de quadros, visual embaçado ou problemas na renderização e texturas. Tudo correu muito bem e, sendo franco, o game é lindo. Cada Pokémon é perfeitamente modelado e animado, uma coisa mais linda que a outra, um trabalho excepcional e de qualidade. A parte sonora é agradável, com músicas que combinam bem com cada área do game sem se tornarem cansativas. Afinal, é possível ficar horas na mesma área com aquela música tocando, então melhor que seja assim mesmo.
Eu joguei tanto com o Pro Controller do Switch 1 quanto com os Joy-Cons 2. A experiência foi parecida, mas com o Joy-Con 2 no modo mouse temos algumas possibilidades expandidas no gameplay, em ações como quebrar ou colocar blocos, por exemplo. Então vale a pena testar e ver qual você acha melhor.
Infelizmente, o game beira a perfeição, mas ainda não chega lá. Por exemplo, algumas das missões principais podem ser difíceis de completar, uma vez que é necessário conversar e fazer várias etapas para o seu andamento, e algumas vezes você pode ficar confuso sobre o que fazer. Não é um problema grave, mas isso é capaz de desacelerar o andamento de algumas missões. Outro ponto é o fato de que algumas opções de craft e criação demoram a ser introduzidas, então, por vezes, dá uma sensação de que o game não está progredindo conforme você gostaria.
E, por fim, o ponto crítico: infelizmente, Pokémon Pokopia ainda não foi o game agraciado com localização em português do Brasil. Isso, pelo jeito, vai ficar mesmo para os títulos da série principal em 2027, mas como existe um espaço vazio na tela de seleção de idioma, fica aí a esperança por uma atualização.
No final, Pokémon Pokopia é uma grata surpresa em 2026. O game que parecia algo apenas cozy e fofinho no mundo Pokémon é, na realidade, um colosso. Eu mesmo fiquei dias imerso nesse mundo, criando, coletando e reconstruindo, melhorando minhas habilidades e encontrando novos monstrinhos. E se você acha que, após esse texto, vou parar com o game, pode ter certeza de que não. Pokopia é um título que com certeza pode e será jogado por toda a geração do Nintendo Switch 2. Ele não é barato, mas é duro dizer que ele não vale cada centavo.












