
Moss: The Forgotten Relic – Às vezes um conto de fadas é tudo o que a gente precisa | Análise
Analisado no PlayStation 5
Sempre existe aquele preconceito quando anunciam que um jogo feito para realidade virtual vai ganhar uma versão “normal”. A primeira coisa que passa pela nossa cabeça é: “isso só devia funcionar no VR.” Eu fui jogar Moss esperando exatamente isso. Achei que encontraria um jogo interessante, mas claramente limitado pela adaptação. Felizmente, estava redondamente errado.
Moss: The Forgotten Relic reúne os dois jogos da série, Moss e Moss: Book II, formando a coletânea definitiva dessa pequena aventura. São jogos de ação, aventura e quebra-cabeças estrelados por Quill, uma camundongo extremamente carismática que embarca em uma jornada num mundo que parece existir dentro de um livro ilustrado. Originalmente criados para realidade virtual, eles agora chegam às telas flat sem perder aquilo que realmente importa: o coração da experiência que o jogo promove.
A primeira coisa que me conquistou foi a direção de arte. Não existe nenhuma intenção de competir com gráficos ultrarrealistas. Pelo contrário. Tudo parece uma miniatura feita à mão por algum artista independente e talentoso. Florestas, castelos, cavernas… Cada cenário lembra aqueles dioramas de museu que você fica olhando por vários minutos só procurando detalhes escondidos. É um daqueles jogos em que eu frequentemente paro de andar para simplesmente admirar o ambiente.
A trilha sonora entende perfeitamente qual é o papel dela. Ela não tenta ser protagonista. Está ali para reforçar a atmosfera, deixar os momentos emocionantes ainda melhores e desaparecer quando a ambientação fala por si só. É delicada, bonita e combina perfeitamente com esse universo de fantasia.
A jogabilidade me surpreendeu mais do que eu esperava. Eu imaginava controles estranhos por causa da origem em VR, mas a adaptação ficou muito competente. Quill responde muito bem aos comandos, os pulos têm precisão e o combate é simples, mas divertido. Não espere dezenas de golpes ou árvores de habilidades gigantescas. O foco nunca foi esse. O combate existe para dar ritmo entre uma exploração e outra.
E é justamente na exploração que o jogo encontra sua melhor versão. Os quebra-cabeças são inteligentes sem serem frustrantes. Em nenhum momento senti que o jogo queria me fazer parecer burro. Pelo contrário: ele sempre dá pequenas pistas visuais e deixa que a solução apareça naturalmente. Existe uma sensação muito boa quando você resolve um desafio apenas observando melhor o cenário.
Mas nada disso funcionaria se Quill não fosse uma personagem tão bem construída. É interessante como uma protagonista que praticamente não conversa consegue demonstrar tanta personalidade. Um aceno, um sorriso, um olhar para o jogador depois de resolver um desafio… pequenos detalhes fazem parecer que ela realmente sabe que você está ali. Parece uma viagem absurda falando assim, mas poucos jogos conseguem criar esse tipo de conexão de forma tão natural, entre personagem e jogador. A história segue exatamente essa filosofia. Ela não tenta ser grandiosa, nem cheia de reviravoltas absurdas. É um conto de aventura clássico, contado com muita delicadeza. Funciona justamente porque não exagera.
Claro que nem tudo é perfeito. Dá para perceber em alguns momentos que determinadas mecânicas nasceram pensando na realidade virtual. Algumas interações perderam parte daquele fator “UAU” quando migraram para uma tela comum. O combate, apesar de divertido, começa a repetir ideias perto do final da jornada. E eu também gostaria que existisse um pouco mais de conteúdo entre um grande momento e outro.
Mesmo assim, terminei a coletânea bastante satisfeito. É um daqueles jogos que não dependem de orçamento milionário, centenas de horas ou mapas gigantescos para deixar uma lembrança boa. Ele simplesmente entrega uma aventura extremamente bem feita, cheia de personalidade e com um charme que poucos jogos conseguem reproduzir.
No fim das contas, Moss me lembrou por que eu gosto tanto de videogame. Às vezes não preciso salvar o universo inteiro nem enfrentar um chefão de quinze metros de altura. Às vezes basta acompanhar a jornada de uma pequena camundongo carregando uma espada maior do que ela mesma.
E, sinceramente… isso já é suficiente!
Veredito Gamers & Games:
9.6
/ 10
“Moss: The Forgotten Relic entrega uma aventura encantadora, com direção de arte impecável, excelente adaptação para telas tradicionais e uma protagonista extremamente carismática. Apesar de algumas limitações herdadas do VR e de um combate simples, a coletânea oferece uma experiência memorável para fãs de ação, exploração e quebra-cabeças.”
Moss: The Forgotten Relic
Positivos
- Direção de arte encantadora
- Cenários ricos em detalhes
- Protagonista extremamente carismática
- Excelente equilíbrio entre exploração
- Combate e quebra-cabeças
Negativos
- Mecânicas deixam evidente que o jogo nasceu para VR
- Combate simples, que acaba se tornando repetitivo na reta final
- Quem gosta de aventuras mais longas pode terminar querendo mais conteúdo










