

Versão Testada: PC
Gears of War: E-Day
Xbox Series X|S e PC
01/out./2026 (Premium Edition) | 06/out./2026 (Padrão)
Ação, Aventura, Tiro
The Coalition – Xbox Game Studios
Gears of War: E-Day é o novo jogo da franquia Gears of War, desenvolvido pela The Coalition e distribuído pela Xbox Game Studios. O título será lançado em 06/10/2026 com versões e cross-play para PC e Xbox Series X|S.
Demorou alguns anos, mas finalmente a franquia Gears of War que popularizou o estilo stop-and-pop, também conhecido como shooter de “murinho”, recebe um novo jogo que não é um remaster nem um remake, mas também não é uma sequência.
Gears of War: E-Day retorna aos primórdios da série, como uma prequel que coloca os jogadores para vivenciar o momento principal que desencadeou todo o conflito da humanidade contra os Locusts. Tudo isso em uma experiência mais tradicional, com o foco em coop e em uma expansão dos sistemas que popularizaram a franquia, combinados a uma excelente otimização e alguns recursos extras.
Um pequeno contexto, sem spoilers para quem é novo e não conhece a franquia. Gears of War se passa no planeta Sera, que no universo do jogo é o único lugar conhecido por abrigar vida, onde a humanidade passou por um grande período de conflitos internos pelo controle da Emulsão, um líquido que serve como a principal fonte de combustível. O conflito central da série não está atrelado às facções lutando pelo controle da Emulsão e sim, pela humanidade tentando sobreviver e combater a Horda Locust, que são seres que saíram do chão do Planeta e dizimaram a maior parte da humanidade, um evento conhecido como Emergence Day.
Todos os jogos da franquia se passam após o Emergence Day, seja semanas, anos ou décadas, entretanto como o próprio nome sugere, Gears of War: E-Day se passa durante o Emergence Day e nos coloca no controle de um grupo de soldados, improvisando e tentando combater a ameaça, ao mesmo tempo que trabalham em conjunto do que restou das tropas para salvar os civis que estão sendo dizimados.
Continuando sem spoilers. E-Day traz uma trama simples e direta, com uma pitada de profundidade adicionada por alguns momentos durante a jogatina e pelas interações dos personagens. Aqui, tudo começa na megacidade de Kalona, com os amigos de longa data Marcus Fenix e Dominic Santiago bebendo em um bar, neste também estavam presentes civis e os outros personagens incluindo os outros dois jogáveis, Mags e Lucas, mas sem os conhecerem e tendo apenas em comum a experiência em ser Gears. Após alguns eventos, eles são indiretamente forçados a trabalharem em grupo e depois de sobreviverem e se juntarem às forças de defesa, o grupo é comandado para formar o Esquadrão Bravo, com a missão de auxiliar nos esforços de emergência.
A campanha não é focada em nenhum personagem em especial e sim nos acontecimentos do Emergence Day sob o ponto de vista do Esquadrão Bravo, tendo em vista que outros esquadrões também participaram do combate em missões e objetivos diferentes. Assim nós veremos o desenvolvimento da trama e o impacto que os acontecimentos têm em cada um e também nos personagens secundários ao nosso redor. Fenix e Santiago, ambos sofrem com perdas próximas e uma certa dose de Transtorno de estresse pós-traumático por conta do tempo de serviço militar durante o conflito que tinha recentemente chegado ao fim e que agora os força a retornar ao serviço em uma guerra sem regras. Mags Carter é uma Gear veterana e aposentada que também precisa voltar a ativa e é forçada a lidar com lembranças de combate, além de problemas pessoais e de saúde que impactam sua vida. Lucas Reyes é o novato que tem alguns segredos revelados durante a história e precisa lidar com essa nova situação de combate árdua, sem nenhuma experiência prévia.
Os quatro personagens jogáveis têm seus momentos durante a trama, mas a cereja aqui está nos acontecimentos secundários, pois temos outros Gears e também civis tendo de lidar com tudo o que está acontecendo. Como os Locust tem como único objetivo a eliminação dos humanos, nós iremos presenciar algumas cenas e momentos impactantes durante a campanha, pois os monstros não têm piedade nenhuma e eliminam todos que estão pela frente, deixando um rastro de destruição por onde passam, o que deixa certas partes do cenário com um tom semelhante ao de um jogo de terror.
Trama a parte, a campanha tem uma duração na medida certa que acaba antes da jogatina começar a cansar. São cinco atos subdivididos em capítulos, mais prólogo e epílogo para uma duração de cerca de 14 horas no nível normal. A campanha pode ser jogada solo ou em coop com até outros três jogadores, totalizando 4 no esquadrão e já adianto que ter pelo menos um amigo para jogar vai fazer diferença, pois a AI aliada continua ruim.
A jogatina segue o padrão da série com uma dinâmica de correr, entrar em cobertura, atirar e refazer este ciclo. Entretanto o estilo está mais voltado para o dos primeiros jogos, priorizando muito o tiroteio com confrontos constantes, onde ficar pouco tempo fora de cobertura resulta em queda e os explosivos aqui são mais um recurso secundário do que realmente algo efetivo, até porque a quantidade de inimigos é grande e a de munição nem tanto.
E-Day tem como palco de combate a megacidade de Kalona e seus arredores e durante a jogatina você irá acompanhar um cenário que vai se transformando conforme a horda de Locusts avança e vai destruindo tudo o que vê pela frente. O mapa começa bonito e detalhado, mas logo começamos a encontrar paredes quebradas, carros incendiados, buracos no chão, mais uma ou duas missões e o quarteirão que você passou a 20 minutos agora não existe ou está completamente destruído.
Diferente de Gears 5, onde tivemos um mapa aberto, mas vazio com áreas de combate separadas por vários metros de distância. Em E-Day tudo irá acontecer dentro da cidade de Kalone e seus arredores, mas não espere por um mapa pequeno e linear pois temos uma exploração semiaberta com diversas edificações para serem exploradas de forma vertical e horizontal, para assim conseguirmos modificações para nossos equipamentos e também coletar itens colecionáveis, sendo que ambos estes são variados e com uma boa quantidade que te recompensa de maneira justa por “perder” tempo indo e vindo.
Além das missões principais, também teremos secundárias que consistem basicamente em pequenas tarefas de ataque ou defesa de pontos, também nos recompensando com modificações e às vezes com alguma interação com personagens secundários e elas realmente valem a pena ser feitas.
Para combater esta nova ameaça os Gears têm disponível um vasto arsenal com armas principais, secundárias, arremessáveis, gadgets e modificações para estes e para a armadura. São diversas combinações possíveis e os modificadores assim que liberados, potencializam e modificam os equipamentos de forma profunda, seja aumentando o dano, adicionando miras, diferentes carregadores, baionetas, cadência de tiro, alcance, estabilidade e precisão. Alguns têm benefícios em troca de malefícios como aumentar dano mas diminuir o alcance, algo que vale a pena testar para assim deixar seus equipamentos da forma com que queira jogar, mas já adianto que nem tudo são flores aqui.
Nos arremessáveis, temos diferentes tipos de granada que incluem a explosiva, de fogo, concussão, fumaça, estimulante e temos até algumas minas e drones/torretas fixos. A armadura por outro lado traz benefícios passivos para o personagem e são diversos disponíveis para o jogador aumentar sua resistência e recuperação, restaurar vida com abates corpo a corpo ou em cobertura, fazer inimigos deixarem cair munição, diminuir recuo, aumentar capacidade de munição geral, ficar invulnerável e curar durante finalização, além de outros.
Para finalizar, temos a adição de um gadget que funciona por tempo limitado e recarrega após um período que pode ser encurtado por modificações. Temos quatro variações deste, o de adrenalina que reduz o dano recebido e aumenta o dano causado e pode ser melhorado com outras modificações, o sônico que projeta um campo a nossa frente para impedir ações inimigas por um breve momento e também pode ser modificado aumentando a área e tempo de ação. Temos o de estimulante que funciona como uma cura em área e é uma mão na roda para ajudar principalmente nas batalhas de chefe e por último temos o de pulso, que marca os alvos e também tem outras modificações para potencializar seu uso.
Vale lembrar que o sistema de recarga ativa continua presente neste título e se você conseguir completar o mini-game de recarga, poderá receber algum bônus temporário variando de arma e modificador equipado. O bônus de recarga continua fazendo a diferença durante a jogatina, pois por exemplo temos um modificador de munição incendiária que é ativado ao conseguir vencer o mini game de recarga, o fato é que deixar um inimigo queimando o faz parar de atacar e abre espaço para uma finalização ou até mesmo tempo para conseguir se recuperar.
Como nada é perfeito, infelizmente a maior parte deste arsenal é inútil e só começa a ficar menos pior no final do jogo. Vale lembrar que jogamos uma versão pré lançamento e atualizações podem corrigir os problemas, contudo na versão jogada as armas estavam fracas demais e totalmente desbalanceadas. Por exemplo, temos a Lança protótipo, a primeira versão da famosa arma do jogo que é um rifle com uma serra elétrica e na build jogada era necessário mais de um carregador para abater um inimigo padrão com dano crítico, sendo que com uma pistola bastava cinco ou seis disparos críticos para derrubar o mesmo inimigo.
Com inimigos que são esponja de bala, nós fomos forçados a jogar com o rifle de precisão, combinado com o lançador de granadas ou o arco explosivo para fechar tocas e arrebentar armaduras. Somente com estes itens que começava a ficar justo ter de lidar com a quantidade de inimigos que apareciam, até mesmo os maiores que dão trabalho e infelizmente a maior parte do arsenal só começa a ficar jogável lá pelo fim da campanha, mas aí já é tarde.
Em relação a inimigos, o jogo introduz basicamente quatro tipos, os grubs e suas variações que são pequenos e em sua grande maioria podem ser abatidos com um simples ataque básico de corpo a corpo. Depois temos soldados Locust padrão e suas variações com ou sem armadura, portando rifles ou outras armas, Locust grandes e suas variações que geralmente trazem armas pesadas e extremamente destrutivas, onde geralmente apenas um acerto é o suficiente para derrubar o jogador. Por último temos os especiais que se movem pelo campo de batalha e traem ataques únicos, seja atirando misseis, ácido ou até criando torretas.
No geral todos são esponjas de balas, mas os especiais e os grandes até que fazem sentido, o que não faz sentido são os grubs e os soldados Locus. Os primeiros requerem pelo menos quatro balas para serem eliminados, mas apenas um simples chute ou soco é o suficiente, já os segundos requerem mais de um carregador para cair, mas também podem ser eliminados com um ataque corpo a corpo, o que não faz muito sentido, ainda mais quando comparados com os outros do mesmo tipo dos outros jogos da franquia.
Em relação a AI, este novo título entrega algumas melhorias, mas também os velhos problemas da série. Todo mundo que joga ou já jogou Gears, sabe que a AI aliada nunca foi das melhores e isso infelizmente se repete aqui. Infelizmente a AI dos aliados continua praticamente inútil na maior parte das vezes e proporciona algumas situações bizarras, como pode exemplo você cair em combate e o personagem aliado gritar que está vindo de ajudar, só para ele então passar por você e entrar em cover te ignorando completamente mesmo sem estar sob pressão disparos. Os aliados são super inconsistentes até mesmo para atirar em inimigos, pois estes detêm uma mira terrível e o mais esquisito do sistema é que os NPCs acabam sendo mais prestativos e assertivos em suas ações de ajuda do que nossos companheiros de time.
De um lado completamente oposto está a AI inimiga e esta sim evolui. Os inimigos aqui usam e abusam do sistema de cobertura, eles caem em batalha e mancam em direção para seus aliados para serem revividos e os inimigos revivem seus companheiros com uma frequência maior do que a nossa. Além disso, eles também usam e abusam de arremessáveis, até tentando e às vezes conseguindo nos flanquear. O mesmo não pode ser dito de fato para a AI dos chefes que diferente dos inimigos comuns, não é tão refinada e realiza alguns erros ou sequências de ações não tão espertas.
Jogatina a parte, o novo título entrega uma ambientação fantástica com cenários incrivelmente detalhados e uma trilha sonora legal que inclui localização para PT-BR com legendas e dublagem. E-Day foi feito na Unreal Engine 5 e os desenvolvedores não pouparam esforços para deixar o mapa de jogo incrível, utilizando os recursos do motor, mas também otimizando a experiência de forma a deixar o título visualmente bonito e performance mesmo em máquinas mais modestas.
Como dito mais acima a jogatina se passa na megacidade de Kalona e nada aqui foi feito às pressas. Todos os distritos foram bem feitos e a atenção aos detalhes é perceptível em todas as esquinas, é difícil encontrar partes do cenário limpas ou vazias, a todo momento você irá se deparar com um cenário praticamente apocalíptico com marcas da devastação que passou por ali. Seja no campo de batalha ou nas etapas de exploração, nós temos belos efeitos visuais de iluminação, sombra e partículas que variam na intensidade e deixam locais escuros com um clima de terror e os mais claros com um visual de campo de batalha devastado.
Nas opções gráficas nós temos os últimos métodos de upscaling, opções para ray tracing de sombras e geometria, este que infelizmente é obrigatório e não pode ser desativado, assim quem não tem uma placa compatível não conseguirá executar o título. Entretanto não pense que a exigência de ray tracing combinada a Unreal Engine 5, façam com que o jogo fique pesado e com problemas, E-Day entrega uma experiencia extremamente otimizada e durante nossa jogatina não tivemos nenhum crash, nenhuma queda de quadros ou stutter, nem mesmo nenhum problema que afetasse a jogatina.
O título também chega já nesta versão de avaliação com o Advanced Shader Delivery (ASD) da Microsoft, disponível para placas de vídeo AMD durante a avaliação, com a atualização para Nvidia no lançamento do jogo. O Advanced Shader Delivery (ASD) chegou primeiro ao Rog Ally e depois nos PC e é uma solução pensada para eliminar os travamentos (stutters) causados pela compilação de shaders, bem como também acelerar a compilação deste e o resultado é assustador. Durante nossos testes, nós não precisamos ficar esperando por vários minutos pela compilação de shaders, mas sim menos de 20 segundos e o jogo já estava pronto para jogar, sem qualquer erro ou problema durante a jogatina.
Performance de lado, também temos diversas opções extras de configuração, suporte a alguns recursos e acessibilidade. Nas opções é possível alterar o áudio nível do áudio além do volume padrão através de um equalizador de áudio, temos efeitos de áudio para feedback de jogo com opções de volume para passos de jogador, inimigos e aliados, além de também termos áudio para acertos confirmados. O áudio também pode ser aprimorado com opções de acessibilidade através de narração de menus e pings de navegação. O visual pode ser alterado com a correção e contraste de cores, além de diversas opções de legendas e interface para quem possui deficiência visual.
Os controles são completos e podem ser remapeados, mas o interessante é o suporte total ao DualSense. Nos primeiros anúncios de E-Day, existiu uma especulação de que o jogo também sairia no PlayStation 5 e este fato pode ser confirmado parcialmente pelo suporte ao DualSense, que aqui é completo e parte desde o layout com botões do controle da Sony, também temos opções de gatilhos adaptáveis e até mesmo suporte ao motion do controle. Jogar no DualSense com os recursos ligados realmente altera a experiência, mas o jogo continua jogável sem este e você pode customizar algumas opções extras como auxílio de mira com alguns níveis disponíveis.
Como citado no início, o modo história pode ser jogado offline e solo ou em coop em um esquadrão de até quatro jogadores, tendo split screen nas versões de console, mas somente online na versão de PC. Uma abordagem diferente que é interessante e com certeza irá render bons momentos para quem jogar em coop. Assim como de praxe da franquia o título também terá modo horda e pvp, porém ambos não estavam disponíveis durante o período de revisão e só irão chegar após o lançamento do jogo, por este motivo nós iremos atualizar a análise em um futuro próximo. De toda forma, o modo horda aqui promete uma experiência com três mapas diferentes no lançamento pará até 12 jogadores, divididos em três esquadros de quatro jogadores, estes que serão encarregados de realizar diferentes objetivos na cidade, com seus caminhos se cruzando durante a jogatina e precisando cooperar entre si. O modo PVP não trouxe muita informação, mas deve continuar com padrão da série com modos de Team Deathmatch, Conquest, Demolition e Crucible.
No final, Gears of War: E-Day entrega uma experiência sólida e muito bem otimizada, que faz jus ao legado da franquia e apresenta os eventos que desencadearam todo o conflito. Tudo isso em uma trama com momentos impactantes em um mapa de jogo muito bem detalhado e construído, mas com uma jogatina que ainda precisa de atualizações. O preço cobrado é salgado, mas o título também estará disponível no lançamento através do XBOX Game Pass Ultimate e PC Game Pass sendo esta a opção mais acessível e eu recomendo este título para todos os fãs da franquia ou para quem procura por um título divertido para se jogar em coop, até porque a história pode ser jogada em um grupo de quatro jogadores.
Veredito Gamers & Games:
9.0
/ 10
Gears of War: E-Day resgata as origens da franquia com uma campanha marcante, gráficos impressionantes e excelente otimização. Apesar da IA aliada inconsistente e do arsenal desbalanceado, a experiência diverte, especialmente no cooperativo.

















