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Bodycam – Impressões de um acesso antecipado que aparenta estar antecipado demais | Preview

Capa de Bodycam

Versão Testada: PC
Acesso Antecipado

Bodycam

Disponível em:
PC
Lançamento:
07/jun./2024 (Early Access)
Gênero:
FPS, Realístico, Tático
Estúdio / Editora:
Reissad Studio
Cópia digital cedida pela Reissad Studio para fins de análise.

Bodycam é um FPS tático desenvolvido e distribuído pela Reissad Studio. O título ainda está em desenvolvimento, sendo lançado como acesso antecipado para PC em 07/06/2024.

Em uma época em que grandes estúdios param de inovar e preferem apostar em repetir os modelos de sucesso, resta aos indies explorarem os diferentes conceitos e inovarem. Assim, em 2023 nós tivemos o trailer de anúncio de Unrecord, um FPS tático e realista que traz a câmera pessoal de um operador como ponto de vista do jogador. O trailer causou uma enorme reação da comunidade, porque o jogo era diferente, mas ainda não tínhamos data confirmada, nem mesmo uma demo ou informações do que realmente se tratava.

Aproveitando deste hype e explorando os conceitos de iluminação da Unreal Engine, surgiu Bodycam, um FPS tático que mantém o conceito de ponto de vista de uma câmera corporal, mas que é jogável e infelizmente conta com os típicos problemas de jogos indies em desenvolvimento e outros.

Sem enrolação, Bodycam não traz história nem mesmo missões, o que temos disponível neste acesso antecipado é apenas um jogo de ação que foca em pequenos momentos de alta adrenalina, combinados com alguns modos de jogo disponíveis e suporte para jogatina online com opção de competição e solo com bots.

A ideia por trás de Bodycam segue o típico “fast follow”, aproveitando a empolgação causada pelo anúncio de outro título, mas conseguindo chegar ao mercado antes desse. E neste quesito, o jogo consegue entregar de forma satisfatória o conceito apresentado no trailer de Unrecord. Assim, nós temos um FPS com o ponto de vista de uma câmera corporal, sem mira, sem interface, nem mesmo contador de munição ou pontuação.

Por conta do ponto de vista, a jogatina é um pouco diferente e já adianto que como no VR, ela não vai se adaptar a 100% dos jogadores. O título entrega uma experiência visual interessante e fiel ao conceito, temos gráficos no estilo foto realista com cenários muito bem feitos e cheios de detalhes, além de uma iluminação pesada que força o jogador a utilizar lanternas e outros acessórios para conseguir enxergar certas partes do cenário.

O ponto de vista da câmera é reforçado pelos efeitos de iluminação e partícula, com um efeito de lente que limita o campo de visão e é acentuado pela combinação de partículas e sujeira, passando a impressão de que você realmente está observando a ação através de uma câmera corporal. O lado ruim deste ponto de vista, é que quando combinado a locomoção, ele acaba podendo desencadear os efeitos da cinetose e fazer o jogador passar mal, assim como acontece com algumas pessoas no VR que acabam ficando enjoadas ou com dor de cabeça após pouco tempo de jogo.

Por conta da câmera, todas os outros aspectos da jogatina acabam sendo influenciados e mirar com a arma é mais uma tarefa de ponto de referência do que algo preciso, arremessar granadas é algo completamente estranho, pois você fica sem ponto de referência e o sistema atualmente se encontra quebrado, com várias granadas sumindo ou teleportando para o seu pé.

Os outros aspectos da jogatina estão bastante crus e também são afetados pela câmera. Para começar a interface de menus não é fixa e se move um pouco com o mouse, acentuando já de início os problemas relacionados a cinetose, a movimentação no geral também é estranha e inconsistente, com o personagem ficando travado em esquinas e você constantemente sendo interrompido por elementos do cenário, fator este que acontece com maior frequência em locais fechados, a animação de correr também é estranha e existe uma pausa inexplicável entre os estados de correr e andar.

Temos acessórios para as armas e também diversas destas com a opção de criar e customizar loadouts, mas a maior parte desses demora demais para serem liberados. Infelizmente a economia do jogo é quebrada e tudo custa muitos créditos em relação ao que recebemos por partida, para piorar a maior parte dos acessórios é inútil, pois a câmera limita as opções de mira e na maior parte do tempo, é melhor atirar por um ponto de referência do que no inimigo em si, até porque o tempo de morte é baixo e bastam um ou dois disparos acertados para derrubar um inimigo.

Os modos de jogo são variações e adaptações do que temos no gênero, sendo estes o Deathmatch, onde vence o primeiro que alcançar 40 eliminações, o Gungame onde a arma principal muda a cada eliminação e vence o primeiro que conseguir uma eliminação com todas as armas, o Team Deathmatch vencendo o time com mais eliminação no final do tempo, Hardpoint com dominação de zonas e o Versus onde o time que sobreviver vence. O modo competitivo é baseado no Wingman que traz um confronto 2×2 com o objetivo de armar e desarmar uma bomba e por último temos o modo zumbi que atualmente se encontra desabilitado, mas funciona como uma espécie de left 4 dead.

Como dito acima, temos modos online ou solo com bots e a experiência online vai depender de onde você e os jogadores estiverem em relação uns aos outros, pois não existem servidores oficiais. Infelizmente jogar online neste acesso antecipado está limitado a P2P e pela grande variação da comunidade é difícil encontrar partidas mais locais, assim é necessário ter de conviver com problemas relacionados ao atraso entre jogadores.

O desempenho no geral é ruim e falta otimização. Como citado, este é um título desenvolvido na Unreal Engine 5 e os desenvolvedores fizeram o uso pesado do sistema de iluminação do motor, o resultado final ficou visualmente bom, mas também pesado e mesmo com um hardware moderno você irá encontrar quedas de quadros e até stutters durante a jogatina.

Fora os problemas de desempenho, também temos diversos bugs e inconsistências que afetam duramente a experiência. Começando pela granada citado mais acima que não funciona corretamente, os pontos de respawn estão completamente quebrados e te colocam para aparecer na maioria das vezes à frente de algum jogador, ou até mesmo atrás de alguém que está em uma sala fechada, o que não faz sentido algum e quebra completamente o aspecto tático do título. Os drones são uma ideia interessante, mas mal implementada e também estão ruins, às vezes eles até atravessam o terreno, além de outros problemas gerais. A cereja dos pontos negativos está nos cheaters que infelizmente começaram a aparecer nas últimas semanas, arruinando a jogatina dos outros jogadores e infelizmente o jogo não conta com nenhum sistema anti cheat.

No final, apesar de ser trazer um conceito interessante, Bodycam atualmente é só isso, uma prova de conceito. Infelizmente o título aparenta ter sido lançado cedo demais para conseguir bater o hype de Unrecord e a experiência final não é das melhores, pois os sistemas claramente não estão prontos e ainda precisam de muitas atualizações. O preço cobrado pelo acesso antecipado é salgado pela experiência e eu prefiro recomendar este título no seu atual estado somente para quem se interessar, do contrário é melhor esperar por atualizações.

Veredito Gamers & Games:

“Bodycam apresenta uma proposta interessante e um visual impressionante, mas o acesso antecipado ainda sofre com bugs, falta de otimização e sistemas que precisam de melhorias.”

Jeferson Vasconcelos

PC Gamer desde os anos 90, entusiasta de VR que não consegue ficar sem jogar os velhos consoles. Aguardando há anos pelo próximo Lineage
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