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Gungrave G.O.R.E – Um jogo Velho com uma nova maquiagem | Análise

Se o jogo manteve sua jogabilidade ultrapassada, pelo menos a apresentação gráfica utiliza os recursos atuais.

Analisado no PC


Gungrave G.O.R.E é um jogo de ação e tiro em terceira pessoa, desenvolvido pela Iggymob Co. Ltd e distribuído pela Prime Matter. O título tem data de lançamento para hoje, 22/11/2022 com versões para PC, PlayStation 4 | 5 e Xbox One / Serie X | S com confirmação de lançamento no Xbox Game Pass Day One.

Mais de duas décadas após seu lançamento no PS2, a franquia Gungrave finalmente está recebendo seu terceiro título. Gungrave G.O.R.E é uma experiência nostálgica que chega com todas as melhorias visuais proporcionadas pelos hardwares atuais e ao mesmo tempo fica presa a uma jogabilidade datada que não envelheceu bem, infelizmente este é um jogo “velho” com cara nova.

Gungrave G.O.R.E

A franquia Gungrave teve seu início em 2002 com o título que dá o nome da série, Gungrave (2002) trazia um tiroteio frenético para a era e apresentava a “seed” (uma droga que transforma as pessoas em monstros) neste primeiro título nós fomos introduzidos e acompanhamos a história de vingança do protagonista Brandon Heat de codinome “GRAVE”. O título obteve um certo sucesso e acabou recebendo uma adaptação para anime em 2003 e uma sequência em 2004 com Gungrave: Overdose, o segundo título também foi lançado como exclusivo para PS2 e dessa vez trouxe uma história simples e focou totalmente no combate.

Este terceiro jogo continua sem nada de impressionante e a história aqui é baseada na luta para exterminar a droga Seed que voltou a ser fabricada por um cartel de drogas composto por 4 clãs, cada um com seu chefe. A história vai sendo contada através de cutscenes, que por sinal foram muito bem feitas, mas para ver essas cenas você precisa jogar e a jogabilidade aqui é um grande problema.

Gungrave G.O.R.E

Diferente de outros hack’n slashes como Devil May Cry, Bayonetta e God of War que foram evoluindo suas mecânicas com o tempo, Gungrave G.O.R.E insiste em manter seus sistemas ultrapassados. Praticamente tudo aqui é idêntico ou fortemente baseado no que era encontrado nos jogos do PS2, a mira é automática, os golpes são guiados e você só precisa andar com o personagem ao mesmo tempo que quebra seu controle e desenvolve lesões por esforço repetitivo enquanto alterna entre tiro, esquiva e corpo a corpo.

O combate é simplesmente datado, todas as mecânicas antigas desenvolvidas na época pela limitação do console foram praticamente portadas para 2022, a experiência é extremamente simples, repetitiva, cansativa e ultrapassada, nem ao menos tiro automático nós temos por padrão e só de jogar as três primeiras fases você já “clicou” mais para atirar do que em meses jogando algum outro FPS. São tantos cliques que eu me vi forçado a criar um macro para atirar automaticamente e quem joga com controle pode preparar aquele controle extra para essa jogatina.

Gungrave G.O.R.E

Fora esse excesso de cliques o combate corpo a corpo não é bem refinado, suas animações são lentas, sem fluidez e com atrasos entre movimentos que acabam travando o personagem no local, o que leva a vários momentos onde o jogo trava e não registra os comandos em alguns combos. Além de atrapalhar no combate esta falta de fluidez e o atraso nas ações fazem algumas partes que envolvem esquiva e pulo serem bem frustrantes durante o game.

Se o jogo manteve sua jogabilidade ultrapassada, pelo menos a apresentação gráfica utiliza os recursos atuais. Como disse mais acima este é um jogo velho com cara nova e isso fica claro em seus visuais que chegam com recursos atuais como DLSS e FSR para ajudar a manter os quadros com os vários efeitos visuais acentuados pelo uso de Ray Tracing, mas em contrapartida a qualidade gráfica oscila bastante com cenários e modelos que variam do bem feito ao apagado. A trilha sonora é animal com músicas divertidas para embalar este frenético tiroteio e os problemas com a sincronização das músicas que encontramos na versão preview foram resolvidos, agora o áudio sempre vem nos momentos corretos.

Gungrave G.O.R.E

Quando o assunto é performance o jogo acaba apresentando alguns problemas que não são graves mas incomodam. No geral não temos problemas com quadros e o DLSS e FSR conseguem segurar legal, contudo o jogo sofre de “stutters”, aquelas travadinhas que aqui são comuns quando temos alguma informação de tutorial, sempre que alguma nova área está sendo carregada ou um save está sendo feito, o que também ocorre quando irá aparecer uma grande horda de inimigos. Uma vez que o stutter acontece ele passa e você consegue realizar todo o tiroteio naquela área sem problemas, mas é só partir para uma nova que ele pode vir novamente, esse problema era frequente mesmo com o jogo instalado no SSD e rodando em uma máquina bem acima dos seus requisitos. Fora os problemas com stutters, o jogo também apresentou alguns crashes aleatórios, que não foram tão frequentes e são em parte remediados pelo sistema de save que é de certa forma constante.

No final a experiência de Gungrave G.O.R.E é a de um jogo que traz mecânicas ultrapassadas combinadas com uma apresentação visual mais moderna, esta nova entrada provavelmente irá agradar aos seus fãs, contudo suas mecânicas de jogo com certeza irão afastar jogadores novatos nesta franquia. O preço cobrado é extremamente salgado pela experiência proporcionada e a melhor alternativa é joga-lo através do Xbox GamePass, por estes motivos eu prefiro recomendar este título somente para quem é fã e deseja jogar um jogo “idêntico” aos de PS2, quem esperava por uma evolução ou procurava por algo diferente é melhor passar longe.

Confira neste vídeo de gameplay o início de Gungrave G.O.R.E:

Gungrave G.O.R.E

6

Nota

6.0/10

Positivos

  • Trilha Sonora
  • Cinemáticas

Negativos

  • Jogabilidade Datada
  • Muitos Cliques
  • Repetitivo
  • Cansativo
  • Preço

Jeferson Vasconcelos

PC Gamer desde os anos 90, entusiasta de VR que não consegue ficar sem jogar os velhos consoles. Aguardando há anos pelo próximo Lineage
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