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Fractured Sanity – É melhor preservar a sua sanidade | Análise

A história é interessante e envolve um Hospital Psiquiátrico chefiado por um psicólogo que realizava experimentos nada éticos em seus pacientes.

Analisado no PC com o Quest 2


Fractured Sanity é um jogo de sobrevivência e terror desenvolvido e publicado pelo estúdio brasileiro United Games. O título é exclusivo das plataformas de realidade virtual e está sendo lançado na data desta publicação 28/03/2023 com versões disponíveis para PC na SteamVR e Meta Quest através da Oculus App Lab.

Trazendo uma boa ambientação e puzzles interessantes, infelizmente Fractured Sanity é mais um título com uma proposta legal, mas que peca na execução e a experiencia é duramente afetada pelas inconsistências em seus sistemas.

Fractured Sanity

A história é interessante e envolve um Hospital Psiquiátrico chefiado por um psicólogo que realizava experimentos nada éticos em seus pacientes. Nós começamos o jogo acordando sozinhos em uma cela sem a mínima ideia de como chegamos neste lugar, após algumas breves interações encontramos as primeiras pistas do que possivelmente está acontecendo ali e a aventura começa de fato. Toda a trama é desenvolvida através de gravações, itens e eventos que acontecem durante a jogatina, mas para avançar é preciso jogar e infelizmente aqui surgem vários problemas.

O jogo é um survivor horror que se apoia pouco em jumpscares e foca mais na ação utilizando uma combinação de ambiente escuro com pouca luz e efeitos sonoros para criar a tensão. Não espere nada impressionante pois os visuais aqui são básicos, mas a ambientação é legal e definitivamente atende a proposta do jogo.

A jogatina aqui é dividida entre fazer puzzles e sobreviver a encontros com inimigos, a parte de puzzles é o melhor desta experiência com quebra cabeças interessantes que envolvem números e interações. O que mais impressiona neste sistema é a aleatoriedade dos números utilizados nas combinações que sempre mudam a cada carregamento, fato este que contribui para o fator replay e adiciona um pouco de dificuldade no jogo. O lado ruim dos quebra cabeças é que tudo é travado por gatilhos e não adianta tentar acelerar o processo adivinhando os códigos, pois as portas só poderão ser abertas após o jogador fazer todos os passos que levariam a solução de cada código.

Além de resolver quebra cabeças também é preciso sobreviver e aqui é onde as coisas se complicam. Infelizmente na versão testada (antes do lançamento) o título apresentou sérios problemas em seus controles, física e sistemas de combate, o que acabou tornando a experiência extremamente frustrante e praticamente acabou com o terror.

Fractured Sanity

Começando pelos controles que entregam o básico com pouca acessibilidade. Para sobreviver a essa aventura é possível escolher e alternar entre movimentação do personagem por analógicos ou teleporte e o controle de câmera snap ou smooth turn, este último que pode ser calibrado e só. O jogo não traz nenhuma opção de acessibilidade, não temos opções de grip, sendo necessário segurar o botão a todo momento para manter os itens nas mãos, não temos modo sentado ou de pé, não existe botão para abaixar e nenhuma alternativa de gravity grab. Por causa desta falta de acessibilidade esta é uma experiência praticamente impossível de ser jogada por um jogador que tenha alguma necessidade especial que limite seus movimentos.

Não bastasse os controles básicos, a física do jogo é extremamente inconsistente e a todo momento eu me vi lutando com o sistema para realizar ações básicas como abrir um livro, porta ou gaveta. Os sistemas de física parecem funcionar de maneira bastante aleatória e na maioria das vezes suas mãos passam por objetos que você acabou de tocar e para piorar ainda mais a experiência, as caixas de interações dos objetos também estão inconsistentes e você nunca sabe quando realmente irá conseguir interagir com seu objeto alvo. Às vezes é possível pegar algo de uma certa distância, outras vezes você chega a passar a mão por dentro do objeto e o jogo simplesmente não identifica a caixa de interação, esses problemas incomodam bastante enquanto estamos tentando interagir com itens de puzzles e acaba tornando esta etapa um verdadeiro exercício de paciência.

Fractured Sanity

Todas essas inconsistências relacionadas à física de objetos e interações poderiam ser relevadas se o jogo fosse uma aventura sem combate, mas infelizmente este não é o caso aqui. Como dito mais acima este é um survivor horror onde lidar com inimigos faz parte da jogatina e se a física tem problemas, os sistemas de combate acabam sendo ainda piores.

Imagine ter de jogar sem coldre de munição. com um inventário composto de somente dois espaços, controles sem opção de autograb que te forçam a ter de segurar a lanterna em uma mão e uma arma na outra em um ambiente escuro, quando de repente você se vê em um confronto, tendo de jogar sua lanterna no chão para tentar recarregar sua arma e fazer tudo isso com uma física cheia de problemas. A partir do momento em que coletamos a pistola e precisamos utilizá-la para enfrentar inimigos, o jogo muda de um exercício de paciência para múltiplas doses de frustração, pois nada aqui funciona de maneira correta.

Os problemas no sistema de combate começam desde o início, com o jogador batendo os controles para tentar recarregar a arma, pois as mãos estão fora de alinhamento, para piorar o sistema de recarga é falho e não funciona na maior parte do tempo. Basicamente o sistema de recarga é impreciso e não registra as ações de jogar o carregador para fora e puxar o ferrolho na maior parte do tempo, sendo comum você apertar o botão ou puxar o ferrolho, observando e ouvindo as animações do carregador saindo da arma ou do ferrolho se movendo, mas nada disso registrar e você não conseguir inserir o novo carregador ou a arma não engatilhar. Os problemas envolvendo as armas são só uma parte das inconsistências do combate que também conta com inimigos atravessando paredes, portas e também causando danos através de paredes.

Fractured Sanity

No final, Fractured Sanity é mais um título com um conceito interessante que acaba não conseguindo entregar uma experiência adequada por conta da quantidade de problemas técnicos. O preço cobrado na versão de Quest é salgado por conta da conversão de dólares americanos USD para o real BRL, já o preço da versão de PC é mais camarada, mas por conta dos problemas encontrados, se você se interessou eu recomendo que espere por uma promoção ou acompanhe a página na loja para ver as atualizações.

Confira no vídeo abaixo as primeiras impressões de Fractured Sanity:

Fractured Sanity

6

Nota

6.0/10

Positivos

  • Puzzles
  • Ambientação

Negativos

  • Falta acessibilidade
  • Bugs
  • Física
  • Sistema de combate

Jeferson Vasconcelos

PC Gamer desde os anos 90, entusiasta de VR que não consegue ficar sem jogar os velhos consoles. Aguardando há anos pelo próximo Lineage
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