
Armored Core VI: Fires of Rubicon – Um sólido e divertido combate de Mechas | Análise
Servindo como uma espécie de reboot, Armored Core VI Fires of Rubicon traz um divertido e desafiador combate de mechas
Analisado no PC
Armored Core VI: Fires of Rubicon é um jogo de ação e tiro em terceira pessoa baseado em combate de mechas. Desenvolvido pela FromSoftware e distribuído pela Bandai Namco Entertainment, o título foi lançado em 24/08/2023 com versões disponíveis para PC, PlayStation 4|5, Xbox One e Xbox Series X|S.
Apesar de ser conhecida pela série Souls e cia, a FromSoftware também é responsável pela criação de várias outras franquias e para quem não conhece Armored Core teve seu início nos anos 90 no PlayStation. Servindo como uma espécie de reboot, Armored Core VI Fires of Rubicon traz um divertido e desafiador combate de mechas, acompanhado de interessante sistema de customização de personagem, em uma experiência que só não é melhor por causa do modo com que a jogatina é formatada.
Sem spoilers, a trama de Armored Core VI envolve os conflitos em torno do Coral, uma rara substância que guarda um potencial energético que pode mudar o rumo da humanidade. Essa aventura se passa em Rubicon 3, a única fonte conhecida de Coral e um planeta devastado pelos conflitos gerados pelas corporações que tentam assegurar o controle da substância. Aqui nós assumimos o papel de C4-621, um humano aprimorado para pilotar mechas que clandestinamente é enviado ao planeta, após uma pequena introdução assumindo o codinome Raven, partindo para uma jornada recheada de combates e conflitos onde as decisões do jogador influenciam diretamente no desenvolver dos acontecimentos que culminam em diferentes finais.
Diferente dos jogos da série Souls, a história de Armored Core VI é contada de maneira direta através de audio logs e diálogos que acontecem, antes, durante e depois de cada missão, assim é mais fácil entender o que está acontecendo para tomar suas decisões. Apesar de uma premissa interessante, não espere uma obra de arte até porque o foco do jogo está no combate, este que é bem divertido, mas pode ser uma pedra no sapato dos jogadores acostumados com os jogos souls like que se baseiam em se especializar em um único conjunto de armas.
O combate de Armored Core VI mostra uma grande evolução da série e no controle do nosso mecha temos acesso a diversos sistemas que incluem armas principais e secundárias, controle e trava de mira, além dos boosters responsáveis pela movimentação. Tudo acontece de maneira acelerada e dinâmica, com mísseis e diversos projéteis voando pela tela, sendo de extrema importância ficar atento aos sinais sonoros que indicam as ameaças e ataques perigosos a serem evitados. No geral, a dificuldade é adaptativa e tudo depende da combinação de peças que você escolher para cada confronto.
Sim, eu sei que uma parcela dos jogadores está com dificuldades para enfrentar alguns chefes e acabam espalhando que o jogo é difícil, não me leve a mal pois existem alguns aumentos repentinos de dificuldade, mas tudo aqui tem um jeito e só é preciso experimentar diferentes combinações. Para dar suporte a este sistema, temos a nossa disposição um grande arsenal de peças que incluem diferentes tipos de armas, partes do esqueleto do robô e componentes internos, assim é possível deixar seu mecha mais pesado e protegido ou mais leve e ágil, variando seu poder de fogo e recursos especiais para tentar facilitar os confrontos. Força bruta até funciona em alguns chefes, mas no geral a melhor alternativa sempre é descobrir e adaptar seu mecha para explorar os pontos fracos de cada inimigo.
Se o combate contra chefes é o ponto alto da jogatina, infelizmente a maneira como tudo se desenvolve é um tanto limitada e antiquada. Diferente da fórmula de mundo aberto dos últimos jogos da desenvolvedora, em Armored Core VI temos o velho sistema de missões que se passam em mapas limitados, com objetivos semelhantes e baixa variedade de cenários. Com exceção de algumas missões que trazem objetivos específicos, geralmente tudo se resume a enfrentar vários mechas de produção que morrem com um ou dois disparos enquanto evita e destrói canhões ou estruturas, feito isso será preciso enfrentar um mini chefe e assim partir para o chefe final do mapa. Não espere por nada grandioso, pois geralmente as missões têm duração baixa e a maior parte do tempo e da repetição está centrada nas lutas com os chefes, temos várias telas de carregamento e é possível sentir uma certa repetição com o tempo.
Além das missões principais, também temos disponível uma arena de combate, modo treino, modo teste e o PVP que é liberado no decorrer da campanha. O ciclo de jogo é limitado, as peças são caras e infelizmente a única forma de se conseguir fazer dinheiro é repetindo as missões, por este motivo você terá de enfrentar várias telas de carregamento só para passar um minuto rejogando aquela missão que te recompensa de forma mais eficiente. Até temos o modo PVP para dar uma variada, mas ele é limitado e traz somente confrontos 1×1 e 3×3 com um limite de dois minutos por partida, este que geralmente não é o suficiente para eliminar um piloto mais preparado.
Jogamos a versão de PC e embora os gráficos não sejam de nova geração, a otimização está boa e o jogo nem de longe se compara aos problemas encontrados nos ports da séries Souls e cia. Visualmente o jogo não impressiona, até temos alguns bons efeitos de iluminação e textura, mas no geral nada aqui é incrível, a interface é carregada e confusa, os modelos são limitados e o ray tracing só é habilitado na garagem onde modificamos o mecha. No geral, mesmo não sendo de nova geração, o jogo não é feio e a ambientação com visuais mais simples contribui para o desempenho, sendo que o jogo está muito bem otimizado, mantendo quadros altos e constantes mesmo em máquinas mais modestas.
O áudio é um dos pontos altos do título, temos uma boa trilha sonora com faixas que embalam as lutas contra chefes, mas o melhor aqui são os efeitos sonoros e a dublagem. Os efeitos sonoros foram muito bem feitos e fazem parte da jogatina sendo que parte da dinâmica de combate se resume a prestar atenção e reagir aos sons emitidos pelos sistemas de alerta do mecha para poder evitar ataques. A dublagem dos personagens está boa e a aventura vai te apresentar a diferentes personagens com interesses antagonistas e alguns que lembram bastante as dublagens de anime, o ponto fraco aqui é que parte das conversas pode acontecer durante os confrontos, onde não temos tempo para prestar atenção no que eles estão dizendo.
No final, Armored Core VI: Fires of Rubicon traz um combate sólido que vai fazer todo fã de mechas querer mais, a experiência só não é melhor pois o sistema de missões é um tanto antiquado e apesar de termos chefes interessantes é fácil sentir a repetição. O preço cobrado é um pouco salgado pela experiência final e por este motivo se você não estiver no veneno para partir em um combate com robôs gigantes, eu recomendo que espere por uma promoção.






