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Akihiro Hino, da Level‑5, comenta polémica da IA após caso de Clair Obscur

Diretor executivo afirma que IA pode reduzir drasticamente o tempo de produção de AAA e alerta contra demonização da ferramenta.

Akihiro Hino, diretor executivo da Level‑5 e conhecido por séries como Inazuma ElevenYo‑kai Watch e Professor Layton, decidiu entrar de vez no debate mais quente da indústria: o uso de inteligência artificial no desenvolvimento de jogos. O comentário veio logo após a polémica envolvendo Clair Obscur: Expedition 33, que teve prêmios revogados no Indie Game Awards por uso de IA, e depois de declarações antigas de Hino voltarem a circular de forma descontextualizada. No X, ele iniciou dizendo que o tema estava “um pouco estranho” porque não dizia respeito a nenhum jogo que estivesse produzindo agora, mas que a situação reacendeu discussões equivocadas sobre o que a Level‑5 realmente faz com IA.

Hino explicou que muitas empresas já usam IA internamente para melhorar eficiência, mas que poucas falam abertamente sobre isso. O problema, segundo ele, é o mal‑entendido generalizado: algumas pessoas passaram a acreditar que a Level‑5 estaria usando IA para escrever 80% a 90% de todo o código dos seus jogos, algo que ele classificou como completamente falso. O executivo revelou que um jogo ainda não anunciado, cuja narrativa envolve IA, de fato está explorando ferramentas de IA para gerar trechos de código como parte de um experimento interno. Ele usou esse exemplo em conversas no passado para ilustrar possibilidades futuras, mas a história acabou “tirada do contexto”.

Mesmo assim, Hino afirma que a IA já oferece ganhos reais de tempo que não podem ser ignorados. Para ele, é possível que a tecnologia reduza drasticamente os ciclos de produção de jogos de grande porte, mudando o cenário atual em que títulos AAA levam entre cinco e dez anos para serem concluídos. Segundo o executivo, não é impossível imaginar um futuro onde esse tipo de jogo seja lançado a cada dois anos, algo que mudaria completamente a forma como a indústria funciona. Ele também lamentou que a IA muitas vezes seja tratada como sinônimo de plágio, reforçando que, como qualquer ferramenta, ela pode ser usada de maneira indevida ou criativa. Para Hino, quando empregada corretamente, a IA “tem o poder de enriquecer o mundo criativo”, em vez de prejudicá‑lo.

Num momento mais pessoal, o diretor afirmou que quer ver os jogos avançarem para além dos padrões AAA atuais, criando experiências que hoje parecem sonhos. Mas alerta que demonizar a IA pode prejudicar seriamente a evolução tecnológica e limitar esse potencial. E, para uma empresa como a Level‑5, marcada por longos ciclos de produção, atrasos constantes e dificuldades para lançar títulos fora da Ásia, a discussão toca especialmente fundo. Hino sabe que a IA poderia ajudar a agilizar processos internos e a reduzir a demora em colocar novos jogos nas mãos dos jogadores.

Os exemplos recentes não faltam. Deca Police, anunciado em fevereiro de 2023 para sair no mesmo ano, acabou adiado para 2026 durante 2024, mais de três anos após o anúncio inicial. O novo Professor Layton também sofreu atrasos, e a série Yo‑kai Watch não recebe um novo título da linha principal desde 2019. Com esse histórico, faz sentido que Hino veja a IA como uma peça importante para diminuir gargalos e modernizar o ritmo de produção da Level‑5.

Marcelo Rodrigues

Old Gamer, se aventurando no ramo dos video-games deste o Atari. Já foi só do lado "Azul" da Força, mas hoje distribui sua atenção para todas as plataformas. Apesar de jogar todos os estilos, Adventures e Plataformas ainda tem um lugar especial em seu coraçãozinho.
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