
Yerba Buena – Um puzzle brilhante dentro de um jogo travado | Análise
Analisado no PC
Yerba Buena é um puzzle-platformer em primeira pessoa desenvolvido pela Mad About Pandas e publicado pela Focus Entertainment. Lançado em 26/05/2026 para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S, o jogo chega com a proposta ousada de combinar uma mecânica de copiar e colar propriedades físicas com uma narrativa meta sobre o que significa ser um personagem dentro de um videogame.
A premissa é atraente. Você controla Barb, uma jovem desempregada que, após o sequestro de seu amigo Russell pelo motoclube Bay Angels, encontra uma maleta contendo o Oscilador, um dispositivo capaz de hackear a realidade ao seu redor. A revelação central, entregue nas primeiras horas, é que Barb não vive na São Francisco real dos anos 1970, mas sim dentro de um jogo incompleto e abandonado por seus desenvolvedores, consumido por glitches que distorcem a cidade. A partir daí, a trama se aprofunda em temas como esquecimento digital, inteligência artificial e a relação entre criador e criatura, com direito a diários de desenvolvimento espalhados pelo mapa e reviravoltas que remetem ao filme Free Guy e à série Portal.
O problema é que a execução narrativa é desleixada. O roteiro força saltos de lógica para chegar aos momentos que deseja, com personagens tomando decisões absurdas apenas para justificar a ação. Barb, apesar de simpática, é retratada como uma protagonista apática e confusa, que parece mais reagir aos eventos do que agir. O roteiro quer ser meta e filosófico, mas entrega diálogos previsíveis e uma progressão que, embora melhore após o primeiro terço, nunca abandona completamente a sensação de que falta polimento.
A grande estrela do jogo é a jogabilidade. O Oscilador permite copiar propriedades físicas de objetos e colá-las em outros, quebrando as regras do mundo. Você pode copiar o movimento de um carro e aplicá-lo a um quarteirão inteiro, transformar uma parede sólida em gás para atravessá-la ou dar o efeito de uma cama elástica a uma superfície de concreto. A mecânica de empilhar propriedades, combinada com a possibilidade de resetar ações sem custo, nos convida a testar livremente os Glitches no mapa. No entanto, o jogo peca ao não explicar adequadamente certas dinâmicas iniciais e a variedade de mecânicas demora a se desdobrar. Felizmente, quando o repertório finalmente se expande, o design de puzzles brilha. As soluções exigem criatividade e entregam momentos de “eureca” extremamente recompensadores, com uma dificuldade que escala de forma justa, sem apelar para a tentativa e erro frustrante nas fases finais.
A campanha dura em torno de 8 a 10 horas, o que parece a medida certa para que a mecânica do Oscilador não se torne cansativa. Explorar os cantos da cidade distorcida em busca dos diários de desenvolvimento é um incentivo razoável para sair do caminho principal, embora o fator replay seja baixo… Uma vez que os quebra-cabeças são resolvidos e a história concluída, há poucos motivos para retornar a esse mundo inacabado.
Yerba Buena acerta ao apostar em um estilo cartoon com cores vibrantes, que lembra as obras da antiga Telltale Games. A São Francisco psicodélica dos anos 1970 é retratada com carisma, com ruas coloridas, personagens de cabelos volumosos e roupas típicas da época. A trilha sonora busca capturar uma atmosfera hippie e descontraída, mas em alguns momentos acaba sendo genérica demais, faltando referências mais autênticas ao rock psicodélico, ao funk ou ao soul que marcaram a década.
Tecnicamente, o acabamento é inconsistente. Além de texturas menos detalhadas e de um número excessivo de telas de carregamento que quebram o ritmo, o jogo sofre com quedas pontuais de taxa de quadros. Ironicamente, em um título onde a premissa é um mundo bugado, fica difícil, às vezes, distinguir o que é um erro intencional da narrativa e o que é falha real de programação.
Se você é fã de puzzles experimentais e consegue relevar uma narrativa frágil por uma ideia central inovadora, vale a pena. Para quem prioriza história coesa e fluidez na experiência, é melhor esperar uma promoção ou pular.
Veredito Gamers & Games
6,9
/ 10
“Yerba Buena entrega puzzles criativos e momentos brilhantes graças à sua mecânica de manipulação física, mas a narrativa inconsistente e os problemas técnicos impedem que a experiência alcance todo o seu potencial.”










