
Analisado no PC
ALL WILL FALL é um jogo de simulação de colônia e construção de cidades ambientado em um mundo pós-apocalíptico completamente inundado. Sua proposta central é desafiar os jogadores a construir cidades verticais em pleno oceano, considerando leis da física, onde qualquer erro estrutural pode levar ao colapso de toda a civilização. Desenvolvido pela All Parts Connected e publicado pela tinyBuild, o título foi lançado em 03/04/2026 exclusivamente para PC (Steam).
A premissa é simples e eficiente: o mundo afundou, a humanidade sobrevive em plataformas improvisadas e você é o líder de um bando de desesperados tentando construir uma cidade vertical sobre o mar. A história é contada em textos curtos, objetivos de missão e uma atmosfera de decadência constante. Funciona como pano de fundo, mas não espere reviravoltas ou diálogos memoráveis. A grande promessa do jogo é a construção baseada em física realista. Cada prédio tem peso, tensão estrutural e centro de gravidade. Se você colocar um andar pesado demais numa base frágil, o negócio desaba e leva metade da cidade junto. É tipo jogar Jenga, só que cada peça que você remove custa recursos e vidas.
Na prática, o sistema é legal, mas… não é tudo aquilo que o marketing vendeu. A física existe, sim, e você precisa pensar duas vezes antes de empilhar blocos de concreto sobre madeira podre. Porém, depois que você entende os padrões básicos de distribuição de carga, o medo inicial diminui e as quedas das construções são quase zero. Além da construção, você gerencia recursos (água, comida, energia) e lida com três facções: Trabalhadores, Marinheiros e Engenheiros. Cada uma tem habilidades específicas (só engenheiros operam guindastes ou só marinheiros operam barcos de pesca e coleta, por exemplo) e demandas conflitantes. Agradar um grupo significa irritar outro, e eles vão te cobrar às vezes com protestos, às vezes com motins. Atualizações recentes adicionaram uma nova classe, os forasteiros. Eles não pertencem a nenhuma das três facções, e você pode treiná-los para se tornarem membros de qualquer facção que desejar.
No decorrer do jogo, você se depara com escolhas de teor moral que afetam diretamente o rumo da sua colônia. Você pode decidir se raciona os estoques de comida em tempos de escassez, se decreta lei marcial para conter protestos ou se privilegia uma facção específica. O jogo reage a essas decisões, porém as consequências são, na maioria das vezes, quantitativas e mecânicas, como alterações nos índices de aprovação popular, na produtividade dos trabalhadores ou na eficiência logística. O impacto se reflete mais nos números da gestão do que em eventos ou diálogos únicos.
O jogo entrega 8 cenários feitos à mão, cada um com sua própria geografia, desafios e condições de vitória. Aqui cada nível tem personalidade, você vai começar em cima de uma plataforma de petróleo abandonada, depois tentar a sorte sobre um navio-tanque enferrujado… cada cenário exige uma estratégia diferente. Alguns cenários são desbalanceados no início, mas não demora para aprender a mecânica.
ALL WILL FALL não é um jogo que impressiona pelo visual. Os gráficos são competentes, mas totalmente esquecíveis. A desenvolvedora optou por um estilo industrial e caótico, com estruturas feitas de madeira, metal enferrujado e concreto rachado. O problema é que falta personalidade. A paleta de cores é muito cinza, marrom e um azul desbotado para o oceano. Depois de algumas horas, tudo parece igual. Os efeitos de partículas, por outro lado, são muito bons. A água se mexe de forma convincente, a poeira sobe quando um prédio desaba, e a fumaça dos incêndios dá uma dose extra de caos. Ver uma torre inteira ruir em cadeia, com destroços voando para todo lado, é satisfatório e aí a física compensa a falta de capricho artístico. A modelagem dos personagens são genéricas e mal dão para distinguir as facções à distância, com animações bem básicas como andar, carregar suprimentos e subir escadas. Mesmo com gráficos simples, o jogo sofre com quedas de FPS e travamentos, especialmente quando a cidade cresce e a física começa a exigir mais processamento.
A trilha sonora aposta em tons graves e cordas para criar um clima de desastre… funciona bem nas primeiras horas, mas o problema é o repertório limitado, e a repetição cansa rápido. É algo recorrente no gênero city builders e simuladores de colônia, então resolvi da mesma forma que fiz em praticamente todos os jogos desse gênero, mutei a música do jogo, deixei apenas efeitos sonoros e coloquei minha própria playlist. Já falando sobre os efeitos sonoros, são um ponto positivo para o game. Madeira estalando sob pressão, o estrondo de uma torre desabando, gritos ao fundo, tudo soa convincente. Os alertas de recursos baixos e facções insatisfeitas são claros e eficientes. O problema é que em cidades grandes, a mixagem vira uma bagunça.
No fim das contas, ALL WILL FALL é uma experiência sólida para quem ama o gênero e não se importa em passar raiva de vez em quando. O Modo Sandbox deixa você construir livremente e o Editor de Mapas permite criar seus próprios cenários, dando liberdade total e conteúdo infinito. Vale ressaltar também a tradução total em PT-BR, já que ultimamente até games AAA estão sofrendo com a falta da nossa localização.
Veredito Gamers & Games
7.2
/ 10
“ALL WILL FALL entrega uma proposta sólida de construção com física e gestão estratégica, mas limitações técnicas e visuais impedem que o jogo alcance todo seu potencial.”










