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MIO: Memories in Orbit – Beleza inigualável, paciência à prova | Análise

Analisado no PC


MIO: Memories in Orbit é um jogo de plataforma e exploração Metroidvania, onde controlamos MIO, um robô ágil que explora uma imensa arca tecnológica à beira do colapso, agora dominada pela vegetação e por máquinas descontroladas após a falha de suas IAs cuidadoras. Desenvolvido pelo estúdio independente francês Douze Dixièmes e publicado pela Focus Entertainment, o jogo será lançado no dia 20/01/2026, após um adiamento de sua data original de 2025. Estará disponível para Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X/S e PC (via Steam).

Essa é uma jornada introspectiva de descoberta pessoal em um cenário de colapso tecnológico e ecológico. Você assume o papel de MIO, que desperta neste mundo em ruínas sem memória de seu propósito ou origem. A história se desenrola a bordo de “A Nau”, uma imensa arca espacial que já foi um ecossistema perfeito governado por IAs benevolentes (The Pearls), mas após um catastrófico apagão, a ordem entrou em colapso e a Nau foi tomada por uma vegetação exuberante e por máquinas que se rebelaram. A missão de MIO é dupla, reviver as memórias perdidas da própria Nau para evitar seu colapso total e, ao fazer isso, desvendar os segredos de seu próprio passado e identidade. A narrativa é construída principalmente de forma ambiental e não linear. Conforme exploramos os diversos biomas da nave, coletamos fragmentos de memória, interagimos com os vestígios dos antigos residentes e enfrentamos os Chefes Guardiões, que muitas vezes são mecanismos de defesa da Nau ou entidades corrompidas.

A obra adota uma estética que pode ser descrita como uma pintura em movimento, se inspira em aquarelas e ilustrações de quadrinhos, utilizando traços de contorno grossos e expressivos de lápis. Com uma paleta de cores de tons pastéis, terrosos e esmaecidos, o jogo transmite uma sensação de memória desbotada e de um mundo em decadência. Esse estilo de desenho a mão deixa em cada cenário uma sensação orgânica e única, como se cada frame fosse uma página de um livro ilustrado. A animação dos personagens e a trilha sonora complementam perfeitamente essa visão. Os movimentos de MIO são fluidos e elegantes, enquanto a trilha sonora, que mistura beats lo-fi suaves com corais, acentua a atmosfera de solidão e descoberta.

O combate é preciso e tático, focando mais no posicionamento e no timing do que em combos complexos. Você conta com algumas ferramentas essenciais para avançar no game e para enfrentar os chefes, que são adquiridas explorando a Nau. Um exemplo dessas ferramentas é o Grampo, que permite se balançar e se impulsionar entre plataformas, sendo essencial para a travessia e descoberta de áreas secretas. Porém o Grampo é impreciso em certos momentos, principalmente em lutas contra chefes, e acaba levando a mortes injustas e frustrantes.

As melhorias de personagem são baseadas em três componentes principais: Os Modificadores, o Espaço de Modificadores que eles consomem, e a moeda Madrepérola usada para adquiri-los. Os MODs permitem mudanças significativas e estratégicas. Você deve decidir quais melhorias se encaixam no seu estilo e gerenciar o Espaço de Modificadores limitado para equipar sua combinação ideal (mais agressivo, defensivo ou móvel). Essa progressão acontece em paralelo ao aumento da vida máxima, que é melhorada coletando Componentes de Revestimento.

Os chefes são desafiadores, exigem atenção aos padrões de ataque e bom uso de esquiva, parry e movimentação ágil, assim como um bom Metroidvania. A vitória depende de habilidade, não de estatísticas superiores. Porém a falta de checkpoints próximos às arenas dos chefes obriga você refazer o caminho após cada derrota, o que deixa o andamento do game menos fluido e causa frustração.

MIO: Memories in Orbit é uma experiência visual memorável com uma jogabilidade que nem sempre acompanha a mesma altura. Ele brilha ao fazer você se sentir um explorador ágil em um mundo moribundo e belo, mas tropeça quando o combate básico se repete e a punição por erros parece desproporcional. A progressão do personagem é lenta e as recompensas da exploração nem sempre são emocionantes. Ele brilha para um nicho específico de jogadores, mas dificilmente se tornará um clássico unanimemente aclamado do gênero.

MIO: Memories in Orbit

7.1

Nota

7.1/10

Positivos

  • Arte e trilha sonora
  • Narrativa
  • Exploração e movimentação
  • Chefes bem elaborados

Negativos

  • Combate repetitivo
  • Progressão lenta no início
  • Variedade de inimigos comuns

Lucas Brito

Fã de games desde que ganhou aos 6 anos seu primeiro Nintendinho (NES) do seu avô, aprecia boas histórias seja nos jogos, séries ou filmes. Na música, Metalcore é sua paixão, mas curte todo tipo de música Underground.
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