
Destaques – Reestruturacao na Xbox
- Novas demissoes: Microsoft planeja cortes significativos na divisao Xbox logo apos o fim do ano fiscal, em 30 de junho, segundo a Bloomberg.
- Reducao de orcamentos: Xbox tambem deve cortar gastos em marketing e outras areas do negocio como parte de um “reset”.
- Historico de cortes: medida vem um ano apos 9.000 demissoes, que levaram ao cancelamento de projetos como Perfect Dark e Everwild, e apos cortes em 2023 e 2024.
- Margem de 3%: Asha Sharma revelou que a divisao opera com accountability margin de apenas 3%, apos mais de US$ 20 bilhoes investidos em cinco anos e queda de meio bilhao na receita anual.
- Portfólio em revisao: Xbox deve repensar seu conjunto de estudios e jogos, apos tentar suprir multiplas estrategias (assinatura, streaming, dispositivos).
- Franquias subfinanciadas: Sharma admite que a empresa nao financiou adequadamente suas franquias de grande potencial para competir em alto nivel.
- Proximos 5 anos: foco sera reequilibrar investimentos entre exclusivos, novas IPs e series existentes, visando recuperar a saude do negocio Xbox.
A Microsoft está planejando grandes demissões na divisão Xbox já no próximo mês, segundo uma reportagem da Bloomberg que cita fontes familiarizadas com a situação. As fontes afirmam que a escala exata dos cortes ainda não está clara, mas que eles devem acontecer pouco depois do fim do ano fiscal da Microsoft, em 30 de junho, o que coloca a reestruturação no início do segundo semestre de 2026.
De acordo com o mesmo relatório, a Xbox também planeja reduzir significativamente os orçamentos de marketing e de outras áreas do negócio, em um movimento mais amplo de corte de custos e reorientação estratégica. Esses novos cortes surgem logo após a participação da nova CEO da Xbox, Asha Sharma, na conferência Bloomberg Tech, onde ela afirmou que pretende “resetar o negócio”, descrevendo o estado atual da divisão como “não saudável”.

O momento também chama a atenção porque essas medidas chegam exatamente um ano depois de a Microsoft ter realizado cortes de cerca de 9.000 postos de trabalho, no verão passado, que atingiram fortemente a divisão Xbox. Naquele período, foram cancelados projetos de peso como o reboot de Perfect Dark, o jogo Everwild, da Rare, e outros desenvolvimentos internos. A empresa também já havia feito cortes significativos em 2023 e 2024, incluindo a eliminação de 1.900 postos de trabalho entre Activision Blizzard, Bethesda e a própria Xbox, mostrando uma tendência contínua de enxugamento.
Em um e-mail enviado aos funcionários na quarta-feira, visto pela Bloomberg e posteriormente publicado no Xbox Wire, Asha Sharma revelou que o negócio Xbox recuou para uma “Margem de lucro operacional” de apenas 3%, métrica interna utilizada pela Microsoft para acompanhar a margem de lucro da divisão. Segundo a executiva, excluindo a Activision Blizzard King, a Xbox gastou mais de 20 bilhões de dólares nos últimos cinco anos em investimentos contínuos em conteúdo, plataforma e subsídios de hardware, mas, nesse mesmo período, a receita anual caiu cerca de meio bilhão de dólares. Para Sharma, essa equação é insustentável: “no futuro, isto não pode continuar”.

A mensagem da CEO também indica que a Xbox deverá repensar o seu portfólio de estúdios e jogos à luz desses cortes de custos. Sharma explica que a empresa expandiu o sistema de estúdios em uma fase em que precisava de um fluxo constante de conteúdo para servir múltiplas estratégias, como assinaturas, streaming e dispositivos. No entanto, com o tempo, essa abordagem deixou a divisão sobrecarregada, especialmente em um cenário em que há mais conteúdo disponível do que nunca no mercado.
A executiva afirma que a Xbox é “guardião de franquias que definem a indústria”, com enorme potencial e forte demanda dos jogadores, mas admite que a empresa não financiou essas séries de forma adequada para competir e vencer. Ao mesmo tempo, ela sublinha que, como ficou evidente no recente Xbox Games Showcase, uma linha confiável de exclusivos de firts e third party, além de novas propriedades intelectuais, é crítica para o sucesso da marca.

Nesse contexto, Sharma defende que a empresa precisa reavaliar o equilíbrio entre o investimento em novos exclusivos, o suporte às franquias existentes e as demais prioridades de gasto para os próximos cinco anos. O cenário que se desenha é o de uma Xbox a tentar enxugar a estrutura, cortar projetos menos estratégicos e, ao mesmo tempo, focar recursos nas séries e iniciativas que tenham maior capacidade de retorno, tanto financeiro quanto de imagem, numa tentativa de devolver a divisão a um estado mais saudável.






