Xbox aposta em mais exclusivos para tentar voltar à rentabilidade

Foco agora é no consola e planeja tornar mais jogos exclusivos para seguir a estratégia da Sony.

Destaques – Reestruturação e nova estratégia da Xbox

  • Cortes e vendas: venda de 4 estúdios, preparação da venda da Arkane e 3.200 demissões para reduzir custos.
  • Negócio “não saudável”: Asha Sharma admite que a Xbox gasta mais do que ganha e precisa de se transformar.
  • Console no centro: a Xbox assume que o console é 80% do seu negócio e volta a colocá-lo como prioridade estratégica.
  • Mais exclusivos: grandes jogos multiplayer continuam multiplataforma, mas mais títulos de topo tornam-se exclusivos Xbox, aproximando a estratégia da de Sony.

A Xbox está passando pela maior transformação da sua história recente. A empresa vendeu quatro estúdios, está na tentativa da venda da Arkanedespediu 1.600 pessoas e vai despedir outras 1.600 ao longo dos próximos meses, totalizando 3.200 demissões. Ao mesmo tempo, colocou todos os seus estúdios focados nos maiores blockbusters, numa tentativa clara de reduzir custos e regressar aos dias de rentabilidade.

Segundo a CEO Asha Sharma, o negócio Xbox “não está saudável” e é hora de transformar o negócio. A leitura interna é que a combinação de aquisições gigantes, Game Pass, investimentos em multiplataforma e aumento dos custos de hardware criou uma estrutura que a receita atual já não consegue suportar.

Um dos pilares dessa estratégia foi comprar a Activision Blizzard e colocar Call of Duty no Game Pass, esperando que isso disparasse o número de subscritores. Porém, a realidade foi menos brilhante: essa jogada não atraiu o volume de assinantes que a Xbox queria. Em consequência, a divisão começou a gastar mais dinheiro do que ganhava, o que retirou à empresa a capacidade de aguentar a atual crise de componentes e o aumento dos custos de produção de hardware.

Perante esse cenário, a Xbox decidiu cortar nas despesas para inaugurar uma “nova era”, na qual pretende recentrar o foco no console, que representa cerca de 80% do negócio Xbox. No entanto, a marca perdeu muita da popularidade conquistada em gerações anteriores, em parte porque a sua estratégia recente de levar vários jogos para outras plataformas e para o PC fez com que muitos jogadores deixassem de ver o console Xbox como “obrigatória”.

Parte do plano para revitalizar o console passa, assumidamente, por imitar a Sony em um ponto específico: usar exclusivos fortes como motivo para compra de hardware. De acordo com a Bloomberg, a linha geral será a seguinte: os grandes jogos multiplayer vão continuar a chegar às principais plataformas, onde o objetivo é maximizar base de jogadores e receita, mas a Microsoft vai tornar mais dos seus melhores jogos exclusivos do Xbox, para dar aos jogadores uma razão concreta para comprar o console.

Na prática, a Xbox está saindo de uma fase em que queria ser a plataforma mais aberta, com tudo em todo o lado, e a caminhar para um modelo mais focado, com blockbusters de alto perfil a puxar o ecossistema Xbox (console + PC + Game Pass), enquanto mantém o multiplataforma apenas quando fizer sentido estratégico e financeiro.

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