
Halloween: The Game – O verdadeiro pesadelo em Haddonfield é a falta de otimização | Análise
Com fidelidade impecável ao clássico de John Carpenter, Halloween: The Game falha na otimização.
Analisado no PC
Desenvolvido e publicado pela IllFonic, Halloween: The Game chega hoje, 8 de setembro de 2026, ao PC, PlayStation 5 e XBOX Series X|S como um jogo de terror assimétrico. O jogo traz o grande criador de Michael Myers, o diretor, produtor e compositor John Carpenter como auxílio à IllFonic na produção e na consultoria criativa. O título leva os jogadores diretamente para Haddonfield na noite de Halloween de 1978 e aposta no formato 1v4 no modo online, além de ter um modo história solo que reconta a origem de Michael Myers.
Em termos de ambientação, o trabalho realizado em Halloween: The Game é impecável para os fãs da franquia. O jogo recria cenários do filme de 1978, repetindo diálogos, personagens e, acima de tudo, a icônica trilha sonora em sintetizadores composta por Carpenter, cuja mixagem se intensifica a tensão conforme o perigo se aproxima. Assumir o controle de Michael Myers é ao mesmo tempo desafiador e satisfatório, trazendo detalhes impressionantes como o andar compassado do assassino, idêntico ao visto nos filmes. No visual, a atmosfera vintage e o trabalho de iluminação têm bastante precisão ao clima dos anos 70, embora a modelagem dos modelos dos personagens lembre produções como Dead by Daylight e deixe muito a desejar na expressividade facial dos personagens. O modo história de Halloween: The Game conta com um prólogo e seis capítulos narrados pelo Dr. Sam Loomis, focando nas execuções de personagens e na conclusão de desafios de cada capítulo que uma vez eles sendo concluídos você recebe recompensas de customização.
A campanha é o filme de 1978, é basicamente para conhecermos a história de Michael, como, por exemplo, como ele conseguiu sua clássica máscara e o seu macacão. Contudo, essa história é bastante curta, sofre com um excesso de cutscenes que limitam o controle do jogador e funciona, em grande parte, como um extenso tutorial para ambientar as mecânicas do modo online. Já o modo online, que é cross-play, ele se destaca ao colocar quatro civis tentando fugir ou conter a ameaça com itens domésticos, enquanto Michael Myers caça usando habilidades sombrias como o Salto do Vulto e o Sentido Assassino para rastrear vítimas apavoradas. Temos diversas formas de executar os civis enquanto controlamos Michael, muitas brutais e bem pesadas.
O arsenal é variado, indo de facas de cozinha e ferramentas pesadas (como chaves inglesas e garrafas quebradas) até interações do cenário com fios de telefone ou máquinas de oficina, além de contar com ampla customização de tags, banners, fotos de perfil, trajes e acessórios conforme o progresso do jogador.
Vale lembrar que Halloween: The Game não foi lançado para PlayStation 5 no Japão por não ter conseguido uma classificação nacional por conta de sua violência extrema. Além disso, no modo online, onde dois personagens podiam fazer um minigame de sexo, foi retirado do jogo. A IllFonic esqueceu que havia um personagem jogável, o próprio Dr. Sam Loomis, que tem mais de 60 anos, sendo que os civis são adolescentes ou menores de idade.
Mas o verdadeiro terror de Halloween: The Game é o desempenho e a inteligência artificial; eles representam os maiores tropeços do título. Lembrando que eu joguei no PC e vi muitas pessoas comentando que também enfrentaram esses problemas, enquanto as versões de consoles não aparentam ter passado por isso. A IA dos NPCs é quase inexistente: eles comportam-se de forma apática como “bonecões”, ignorando a presença aterrorizante do assassino bem ao lado deles, escondendo-se em locais óbvios ou simplesmente ficam estáticos enquanto presenciam assassinatos. Além disso, problemas evidentes de otimização, como transições travadas, quedas de FPS, obrigação de escolha para usar determinadas opções das configurações gráficas, ou seja, o jogo te obriga a usar uma opção gráfica sem ter uma opção de desativar, e parece que você usando ou não usando não altera em nada.
Além de falhas de colisão em paredes ou vegetações e bugs de física onde corpos atravessam objetos. Fora tudo isso tem as animações, que são abruptas demais. Halloween: The Game traz interface e legendas em português do Brasil, mas isso acaba sofrendo também coma falta de uma boa e velha revisão. Há caixas de texto com blocos excessivamente longos que não foram devidamente divididos para a leitura dinâmica na tela, erros pontuais de tradução e até trechos de falas e menus que permaneceram em inglês.
No geral, Halloween: The Game tem identidade própria com sua fidelidade ao clássico de John Carpenter e entrega momentos muito divertidos no modo online, mas ainda necessita de polimento. É um presente mediano para os fãs de Halloween, irá encontrar muitos concorrentes no caminho pelo qual o jogo parece estar disposto a percorrer, mas que consegue destaque muito mais pela marca Halloween e a história de Michael Myers do que qualquer outro atributo que o jogo tenha.
Veredito Gamers & Games:
7.0
/ 10
“Halloween: The Game entrega uma ambientação muito fiel ao clássico de 1978 e momentos divertidos no modo online, mas problemas de otimização, IA e bugs impedem que a experiência alcance seu potencial.”
Halloween: The Game
Positivos
- Fidelidade impecável à obra original
- Ambientação de muita qualidade
- Finalizações brutais e variedade de armas
- Localização PT-BR
Negativos
- Inteligência artificial quase inexistente
- Problemas graves de otimização e física
- Modelagens faciais e expressividade fracas
- Modo história engessado
- Localização para o português com falhas













