
Just Dance: Decades of Hits – A pista de dança definitiva para festas e nostálgicos | Análise
Mas mantém a mesma fórmula e derrapa na seleção de artistas.

Versão Testada: Nintendo Switch
Just Dance: Decades of Hits
PlayStation 5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch 2
13/out./2026
Musical, Família, Casual
Ubisoft
A franquia Just Dance sempre ocupou um lugar cativo na indústria como sinônimo de diversão descompromissada. Seja em festinhas de aniversário, reuniões de fim de ano ou tardes chuvosas na sala de casa, a proposta de seguir coreografias na tela acompanhado de amigos e familiares é atemporal. Com Just Dance: Decades of Hits, a Ubisoft decide fazer uma viagem no tempo, reunindo faixas que marcaram diferentes gerações, começando lá nos anos 1970 até a década de 2020.
No entanto, o próprio nome da edição não esconde a sua natureza: é, essencialmente, apenas dança. Embora traga algumas adições importantes na tentativa de dar mais corpo ao pacote, a experiência geral permanece fortemente ancorada na fórmula clássica que o público já conhece de cor. A grande questão é saber se as novidades desta edição justificam mais uma parada na pista de dança.

Uma das grandes inovações desta edição é a introdução de um modo campanha com narrativa própria, mas que cá entre nós, ainda é bastante modesta. A história acompanha Lyra e seu pai, o Dr. Gigavolt, que acaba sendo sugado por uma de suas próprias invenções e vai parar na década de 1970. Para resgatá-lo e fazê-lo voltar para casa, Lyra precisa viajar por diferentes eras dançando para recuperar as perdidas areias do tempo.
Embora o enredo seja simples e sirva puramente como pretexto, a adição foi muito bem recebida por dar um propósito linear e sequencial para você encarar as músicas, fugindo da mesmice de apenas escolher faixas aleatórias no menu. No modo tradicional, claro, todas as canções já estão liberadas desde o início, mas a campanha entrega uma motivação extra muito bem-vinda.

Para quebrar a monotonia de apenas dançar, a campanha intercala as fases com pequenos quebra-cabeças divertidos. Essas perguntas testam o conhecimento do jogador sobre curiosidades de cada época, como moda, tecnologia e até penteados. Por exemplo, uma imagem aparece na tela e você precisa identificar se aquele item (como um fone de ouvido Bluetooth) existia ou não nos anos 1970. É uma quebra de ritmo inteligente e charmosa.
A progressão por esses desafios, contudo, é bastante permissiva e fácil, o que pode desapontar jogadores que buscam um teste de habilidade mais rigoroso. Vale destacar que o jogo calcula o sucesso das rodadas cooperativas com base na média do grupo, tornando a experiência ideal para jogar em duplas ou em família sem frustrar os novatos.

O repertório é o coração de qualquer jogo de ritmo, e Decades of Hits aposta em um total de 35 músicas inéditas acompanhadas por cinco versões alternativas (coreografias mais complexas e desafiadoras de faixas selecionadas). O catálogo transita bem entre artistas contemporâneos e nomes consagrados da história da música pop.
Temos passagens marcantes por sucessos de Olivia Rodrigo, Britney Spears, Chappell Roan, Zara Larsson, Sabrina Carpenter, Madonna e clássicos atemporais como faixas do NSYNC (Bye Bye Bye). A seleção brilha pela variedade, mas peca em alguns aspectos coreográficos: muitas rotinas são simples demais e facilitam a obtenção da pontuação máxima (Perfect), fazendo com que algumas músicas que deveriam ser o ápice da festa percam um pouco do brilho.
Além disso, a ausência de grandes ícones da música pop atual e passada, como por exemplo Taylor Swift, Beyoncé, Katy Perry e P!nk e outros, deixa uma lacuna considerável no repertório. São artistas cujos sucessos se encaixariam perfeitamente na proposta de uma coletânea baseada em décadas, e a falta delas deixa o pacote ligeiramente incompleto para os fãs mais exigentes.

A jogabilidade principal continua acessível e democrática. Você não precisa ser um dançarino profissional para aproveitar o título; basta seguir os avatares na tela da melhor forma possível. É possível encarar o jogo de forma competitiva, buscando pontuações perfeitas, ou simplesmente deixar o corpo ir e tentar sobreviver à música sem derrubar o quadro na sala como eu fiz na empolgação.
Para jogar, a flexibilidade continua alta. No Nintendo Switch 2, onde joguei, você pode usar os tradicionais controles Joy-Con, enquanto em outras plataformas você pode usar seu smartphones. É só baixar o aplicativo gratuito Just Dance Controller que transforma o seu celular em um sensor de movimento, contando inclusive com um modo de câmera para quem quer dançar sem segurar nada nas mãos.
O título suporta partidas multijogador local para até seis participantes, transformando qualquer sala de estar em uma competição animada e cheia de risadas. O engajamento em grupo flui muito bem, pois o jogo não exige que os participantes sejam gamers hardcore para entender as regras básicas.
A experiência também ganha fôlego com o Modo de Exercício, uma excelente alternativa para quem quer se exercitar de forma lúdica, transformando a queima de calorias em uma sessão de videogame. Por outro lado, o modelo de monetização através do serviço Just Dance+ continua gerando algumas ressalvas: embora garanta acesso a uma biblioteca gigantesca de músicas extras, a exigência de uma assinatura paga adicional para expandir o repertório deixa um gosto agridoce para quem esperava mais conteúdo nativo no jogo deste ano, já que são poucas músicas se pensarmos em uma diversão até o ano que vem.

Just Dance: Decades of Hits cumpre com competência a sua missão de celebrar o passado e colocar as famílias para se movimentarem. A inclusão do modo campanha e dos quizzes históricos injeta um ar de novidade bem-vindo em uma franquia que há anos vinha adotando um formato excessivamente engessado de “atualização anual de músicas”.
Por outro lado, o jogo esbarra nas mesmas limitações de sempre: coreografias que carecem de maior desafio técnico, uma progressão que pega leve demais com o jogador e ausências importantes no elenco de artistas licenciados. No fim das contas, a avaliação do produto depende do seu objetivo: se você busca revolução mecânica, vai se decepcionar; se o seu foco é reunir os amigos para rir, dançar e suar no meio da sala, o jogo entrega exatamente o que promete com muita simpatia.

Just Dance: Decades of Hits não tenta reinventar a roda, mas acerta ao adicionar um modo campanha leve e divertidos quizzes que dão contexto à jornada musical pelas décadas. A trilha sonora é variada e nostálgica, embora ficasse melhor com a presença de alguns gigantes da música pop que ficaram de fora. É uma excelente pedida para festas e para quem quer se exercitar se divertindo.
Veredito Gamers & Games:
7.5
/ 10
Just Dance: Decades of Hits oferece uma experiência divertida e nostálgica, com uma campanha inédita e boas opções para jogar em grupo. Apesar disso, as coreografias pouco desafiadoras, as ausências no repertório e a dependência de uma assinatura adicional limitam seu potencial.
Just Dance: Decades of Hits
R$ 199,99Positivos
- A inclusão de um modo campanha
- Quizzes com curiosidades históricas e culturais
- Altamente acessível e inclusivo
- Modo de Exercício
Negativos
- A ausência de grandes ícones da música pop global
- Coreografias carecem de complexidade
- Enredo do modo campanha é raso
- Dependência de assinaturas pagas (Just Dance+)






