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Killing Floor 3 – Uma sequência que perde um pouco da essência e aparenta não estar pronta | Análise

Analisado no PC


Killing Floor 3 é o novo arena/horde shooter desenvolvido e distribuído pela Tripwire Interactive. O título está com previsto para chegar em 24/07/2025 com versões para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S.

Trazendo diversas modificações nos elementos e na fórmula do jogo, algumas destas bastante questionáveis. Killing Floor 3 definitivamente não é a sequência que todo fã esperava, o jogo até pode ser divertido se jogado com amigos, mas ele perde um pouco da sua essência e em seu atual estado, a impressão é de ainda não estar pronto mesmo após seu adiamento.

Para quem não conhece a franquia, em Killing Floor um experimento militar deu errado e as criaturas saíram do controle infectando o mundo inteiro. Nós jogamos como um combatente ou sobrevivente que faz parte de um time encarregado para conter e liberar locais infectados, enfrentando hordas de inimigos sozinho ou em cooperação com outros jogadores. A franquia começou em 2005 com o primeiro jogo sendo um mod para Unreal Torunament 2004, recebendo uma sequência Killing Floor 2 em 2016 e agora quase uma década depois temos Killing Floor 3.

A jogatina é baseada em arena shooter, nos colocando para enfrentar ondas de inimigos em um mapa determinado enquanto completamos objetivos, sendo que entre uma onda e outra é possível correr até um pod de reabastecimento para melhorar os equipamentos e reestocar os recursos. Esta sequência mantém esta mesma dinâmica, mas altera completamente a temática e este novo jogo traz uma ambientação militar sci-fi, com armas futuristas e mapas menos variados, estes últimos que pelo menos contém tirolesas e torretas para auxiliar os jogadores a navegarem e a se defenderem.

Apesar da dinâmica não ser alterada, os elementos que compõem esta foram e isso inclui desde as classes, armas, algumas mecânicas, inimigos, chefes e até o matchmaking que agora tem uma área Hub completamente desnecessária e que só aumenta os passos para se começar a jogar. Começando pelos personagens e classes que no antecessor poderiam ser escolhidos de maneira livre, combinando qualquer personagem com o perk desejado, agora os perks de classe viraram especialidades e os personagens são travados em cada uma dessas, ou seja, a customização de personagens ficou bastante limitada. Temos seis especialidades neste lançamento e cada personagem é único para cada uma dessas, sendo que todas possuem uma árvore de habilidades que alteram e potencializam sua especialidade, além de um especial único para cada que é legal, mas tem uma recarga muito lenta.

A temática sci-fi não só alterou os cenários como também as armas e todas receberam novos modelos, alguns estranhos já outros que fazem sentido. O grande diferencial é que agora é possível customizá-las e também utilizar qualquer uma independente da especialização. Sim, no anterior as armas eram travadas pelo perk/classe, já nesta sequência é possível utilizar qualquer uma independente da sua especialidade, mas claro que dependendo do armamento escolhido ele não receberá seus bônus passivos. O jogo também introduz um sistema de modificação interessante e é possível literalmente modificar cada arma, alterando suas peças ou adicionando novas, o que é interessante, mas requer materiais e um bom tempo de jogatina.

Os novos armamentos são de qualidade bastante questionável e apesar de terem animação melhores, grande parte destes não passa a impressão de serem reais e os modelos não impressionam. O recuo de todas as armas é estranho e elas aparentam não terem peso, a colisão dos projéteis também não parece estar correta e passa a impressão de que você não está causando danos, além disso os efeitos sonoros no geral estão ruins e a movimentação de todas está lenta demais. Para piorar tivemos a alteração em algumas mecânicas de jogo que incluem a de cura que removeu a cura infinita por tempo do jogo anterior, a substituindo por seringas sem tempo, mas de quantidade limitada, fato este que também impactou a arma do médico.

Agora até o médico tem curas limitadas e ele precisa ficar trocando de armas para recarregar, sendo que algumas das armas conseguem fazer isso causando danos, mas causam pouco dano para serem usadas em níveis mais altos e até é possível remediar esta limitação com perks, mas será preciso jogar bastante pois somente os últimos aliviam esta alteração.

Os inimigos e chefes também receberam diversas mudanças e agora os Zeds estão mais espertos e trazem um novo sistema de desmembramento. Arrancar um pedaço de um Zed não é garantia de vencer o combate, no título a nova versão do sistema de desmembramento intitulado M.E.A.T 2, uma evolução que adiciona e leva em conta as camadas de pele, carne e osso ao representar o dano causado, bem como a parte arrancada. Os inimigos também receberam uma nova AI e agora alguns alteram o comportamento após receberem dano, outros atravessam obstáculos e até escalam paredes para te perseguir. O lado ruim é que a quantidade de inimigos foi consideravelmente reduzida, o que diminui bastante os momentos de tensão. Esta redução foi justificada pelos desenvolvedores pois os inimigos tecnicamente estão mais “mortais”, mas a realidade é que o novo jogo tem crossplay entre plataformas e infelizmente o console Xbox Series S pode ter sido o fator determinante para esta decisão, visto que a otimização da versão testada para PC estava bastante inconsistente.

Os novos chefes são desafiadores e todos embarcam diversas mecânicas que incluem ataques corpo a corpo e a distância mesclados com uma alta velocidade e outras habilidades para sempre conseguir correr atrás do jogador. Todos eles são verdadeiras esponjas de bala com uma barra de vida enorme que aumenta a dificuldade principalmente com personagens de baixo nível, os confrontos com eles são longos e de certa forma enjoativos, pois como o jogo está com a movimentação mais lenta, resta ao jogador ficar esquivando em volta do chefe, pois como dito acima eles são rápidos e caso decida correr, você logo será alcançado.

A franquia nasceu como uma modificação de Unreal Torunament 2004 e todos os jogos foram feitos no motor Unreal Engine. Este novo título utiliza a Unreal Engine 5 e o resultado final entrega todos os benefícios e problemas típicos deste motor. No geral os gráficos estão bons, o cenário está bem feito com efeitos de iluminação e sombra presentes em todos os locais e os modelos trazem diversos detalhes que são acentuados pelos efeitos de desmembramento. O que não está bom aqui é o desempenho e infelizmente temos os típicos problemas dos últimos jogos que usaram esse motor, estes que incluem recorrentes compilações de shaders ao iniciar o jogo, além de serem comuns, stutters e quedas de quadros. Falta otimização e encontramos problemas mesmo com máquinas potentes e os métodos de upscaling ativos, sendo que atualmente a única forma de se ganhar performance é desligando o lúmen nas configurações.

No final, apesar de algumas melhorias visuais, Killing Floor 3 muda o que estava funcionando na franquia de forma a perder um pouco da essência que conquistou os fãs. Esta sequência tem sistemas visuais aprimorados, mas sua jogatina é mais lenta, limitada e a impressão geral é a de que o jogo ainda não está pronto. Lembrando que esta sequência pode melhorar com atualizações, assim como o segundo título que teve suas críticas no lançamento, mas que logo foi corrigido. O preço cobrado é OK, mas devido ao atual estado e o conteúdo disponível, eu prefiro recomendá-lo somente para quem se interessar, do contrário é melhor esperar por atualizações ou uma promoção.

Confira o gameplay no vídeo abaixo:

Killing Floor 3

7

Nota

7.0/10

Positivos

  • Melhorias gráficas
  • M.E.A.T 2
  • Crossplay
  • Preço

Negativos

  • Problemas de performance
  • Movimentação lenta
  • Baixa quantidade de inimigos
  • Alterações questionáveis

Jeferson Vasconcelos

PC Gamer desde os anos 90, entusiasta de VR que não consegue ficar sem jogar os velhos consoles. Aguardando há anos pelo próximo Lineage
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