
ELDEN RING NIGHTREIGN: The Forsaken Hollows – Um retorno sombrio que acerta na expansão, mas erra na ambição | Análise
A primeira expansão paga de Nightreign adiciona classes, chefes e um novo mapa de respeito, mas também deixa claro que ainda faltam peças importantes para transformar a experiência em algo realmente completo.
Analisado no PlayStation 5
Desde o lançamento de Elden Ring Nightreign, a sensação era de que a FromSoftware havia encontrado uma base muito interessante para transformar sua fórmula em algo mais enxuto, cooperativo e focado em repetição estratégica (e claro, uma base mais rentável para empresa japonesa). O jogo funcionava bem dentro da sua proposta, mas também parecia pedir mais conteúdo, mais variedade e mais motivos para continuar retornando noite após noite, afinal, desde seu anúncio, o game já pedia por conteúdo adicional assim como todo jogo que se propõe a ser um live service. É justamente nesse espaço que entra The Forsaken Hollows, primeira expansão paga do game, lançada em 4 de dezembro de 2025, trazendo dois novos Nightfarers, dois novos chefes e uma nova região Shifting Earth chamada The Great Hollow.
A proposta do DLC é clara desde o início: ampliar Nightreign sem desmontar a estrutura que já existia. Em vez de reinventar o jogo, The Forsaken Hollows tenta aprofundar aquilo que já funcionava, oferecendo novas possibilidades de build, novos desafios e uma área inédita para dominar. Isso faz com que a expansão tenha um valor imediato para quem realmente gostou do loop do game base, especialmente porque ela entende que boa parte do apelo de Nightreign está justamente na repetição refinada, na adaptação em grupo e naquela sensação constante de risco e improviso que o jogo construiu desde o começo.
Narrativamente, a expansão segue o mesmo caminho do jogo principal: existe lore, existe contexto e há um novo perigo pairando sobre Limveld, mas nada disso tenta roubar o protagonismo da gameplay. O pano de fundo envolvendo o Dreglord, o Great Hollow e os novos Nightfarers funciona bem como reforço de atmosfera e ajuda a sustentar o clima sombrio da expansão. Ainda assim, trata-se de uma história mais funcional do que marcante, servindo muito mais como ambientação do que como um elemento realmente memorável.
Falando dos novos personagens, é aqui que o DLC começa a mostrar sua melhor face. O Scholar surge como uma classe voltada para Arcane, debuffs e leitura de campo de batalha, funcionando quase como um suporte tático para grupos que realmente sabem coordenar uma expedição. Já a Undertaker é, com certeza, a grande estrela da expansão. Com força e fé elevadas, ela entrega uma presença ofensiva brutal e uma habilidade suprema que pode ser reutilizada em janelas muito específicas, o que transforma composições organizadas em verdadeiras máquinas de guerra. São adições que ampliam bastante a variedade do elenco, principalmente porque trazem estilos de jogo bem diferentes entre si, um mais cerebral e outro mais agressivo e explosivo, sendo o ponto forte da expansão.
O novo mapa, The Great Hollow, também merece destaque. Visualmente, ele é uma das áreas mais marcantes já colocadas em Nightreign, com cristais gigantes, templos silenciosos, ruínas de uma civilização antiga e um miasma amaldiçoado que drena a vida dos jogadores. É um espaço que conversa bastante com aquela tradição da From de criar lugares bonitos, hostis e quase opressores, e que consegue mudar de forma real a sensação de exploração dentro do jogo. A verticalidade intensa com certeza contribui para a hostilidade de toda a nova área, tornando a navegação muito mais exigente, o que por si só já muda bastante o ritmo das runs (sendo perfeito também para dar risada com os amigos em situações que somente Nightreign pode entregar).
O problema é que esse mesmo mapa, que impressiona no visual e na proposta, também traz uma dose considerável de frustração. The Great Hollow é uma área que exige memorização pesada, muita atenção ao relevo e um entendimento quase obrigatório dos caminhos corretos, porque errar ali costuma ser punido com quedas, desvios inúteis e perda de tempo em um jogo que já trabalha naturalmente com pressão constante. Existe um charme nessa hostilidade, e com o tempo é possível até se afeiçoar ao layout, mas o começo pode ser áspero demais, especialmente para quem esperava apenas uma nova área e encontra quase um teste de paciência disfarçado de exploração vertical, tendo uma dose de dificuldade característica em jogos da empresa japonesa, mas que pode sim se tornar mais do que frustrante dependendo da ocasião.
Nos chefes, porém, The Forsaken Hollows volta a subir bastante de nível. Os novos confrontos de Day 2 e Day 3 conseguem entregar exatamente aquilo que tanta gente procura em conteúdos adicionais da FromSoftware: escala, desafio, leitura de padrões e aquela sensação deliciosa de estar enfrentando algo maior do que você. Além disso, a presença de chefes conhecidos da própria história do estúdio, reaproveitados e retrabalhados dentro da lógica cooperativa de Nightreign, dá ao DLC um sabor especial, quase como se ele estivesse montando uma celebração de várias fases da identidade da desenvolvedora. É fan service, sem dúvida, mas do tipo que funciona porque vem acompanhado de boas lutas, assim como grande parte dos fãs querem ver.
Há ainda novas invasões e eventos que tentam atrapalhar ainda mais as expedições. Em alguns casos, isso funciona muito bem, criando situações inesperadas e obrigando o grupo a tomar decisões rápidas em meio ao caos. Em outros, a sensação é de que certas ideias ainda precisavam de mais refinamento e cuidado, principalmente quando a punição é alta e a recompensa não parece acompanhar o esforço exigido. Esse é um daqueles pontos em que The Forsaken Hollows acerta conceitualmente, mas nem sempre na execução, o que por sorte, não são muitos.
O maior tropeço do DLC, no entanto, está naquilo que ele não traz. Para uma expansão paga de um jogo pago tão dependente de variedade em runs, a ausência de novas armas pesa mais do que deveria. Há novas relíquias, novos recipientes e equipamentos ligados aos personagens inéditos, mas a falta de um arsenal realmente expandido diminui bastante o senso de descoberta e limita aquele entusiasmo natural de voltar ao jogo pensando em novas combinações. Em um projeto como Nightreign, onde o loop depende tanto de experimentar possibilidades, isso parece uma ausência estrutural e que pode comprometer a vida útil da DLC.
No fim, The Forsaken Hollows é uma expansão muito boa, mas que nunca chega a parecer transformadora. Ela acerta bastante nas novas classes, entrega chefes excelentes, oferece um mapa visualmente marcante e reforça a identidade própria que Nightreign foi construindo desde o lançamento. Ao mesmo tempo, deixa a sensação de que poderia ter ido além, seja com mais armas, mais conteúdo estrutural ou melhorias mais significativas na experiência cooperativa.
Basicamente, a DLC acerta em quase tudo que se propõe a fazer, mas erra em não trazer ainda mais conteúdo, afinal, para uma DLC paga de um jogo pago sempre esperamos mais conteúdo de qualidade. Ela será o tipo de DLC que devolve fôlego ao jogo e dá bons motivos para voltar, mas também deixa claro que ainda existe trabalho a ser feito para que Nightreign alcance todo o potencial que parece carregar, só resta saber se os jogadores continuaram pagando por isso.
Veredito Gamers & Games
8.5
/ 10
“The Forsaken Hollows expande Elden Ring Nightreign com novas classes marcantes, chefes desafiadores e um mapa visualmente impactante. Apesar da ausência de novas armas e de não ser transformadora, a DLC reforça o loop cooperativo e devolve fôlego ao jogo base.”
Elden Ring Nightreign: The Forsaken Hollows
Positivos
- Duas novas classes com estilos distintos e impacto real nas builds
- Chefes desafiadores e bem construídos
- Novo mapa visualmente marcante
- Expansão mantém o loop cooperativo refinado do jogo base
- Novos eventos e invasões aumentam a imprevisibilidade
Negativos
- Ausência de novas armas reduz o senso de descoberta
- Mapa pode ser excessivamente punitivo e frustrante no início
- Expansão não chega a ser transformadora estruturalmente












