AnálisesNintendoPCPlayStationXbox

FATAL FRAME II: Crimson Butterfly REMAKE – Beleza macabra, combate que testa a paciência | Análise

Analisado no PC


Após mais de duas décadas assombrando a memória dos fãs de survival horror, Fatal Frame II: Crimson Butterfly está de volta. A Koei Tecmo, em parceria com a Team Ninja, trouxe de volta esse título aclamado do gênero para as plataformas atuais em um remake completo. Ele foi lançado mundialmente em 10/03/2026 e está disponível para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC via Steam. O game conta com dublagem em japonês e inglês, e legendas em japonês, inglês, francês, alemão, italiano, espanhol… Mas cometeram o “crime” em não adicionar a tradução PT-BR.

O Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake é, na verdade, a segunda vez que o clássico de terror é refeito. O primeiro remake, chamado Project Zero 2, foi lançado exclusivamente para o Nintendo Wii em 2012 e não chegou a ser comercializado na América do Norte. O Project Zero 2 foi um marco, pois, entre suas principais inovações, implementou a câmera sobre o ombro que seria herdada e refinada pelo remake de 2026. Portanto, essa nova versão não é apenas um remake direto do jogo de 2003, mas sim uma reimaginação de uma reimaginação.

A trama se desenrola quando as irmãs gêmeas Mio e Mayu Amakura retornam ao local onde brincavam na infância, prestes a ser submerso pelas águas de uma represa. No entanto, uma misteriosa borboleta carmesim surge e guia Mayu para dentro da densa névoa da floresta. Mio a segue, e as duas se veem presas em Minakami, uma vila abandonada e amaldiçoada que sumiu dos mapas, onde a noite nunca termina e os mortos vagueiam sem paz. Mayu é possuída pelo fantasma de Sae Kurosawa, uma poderosa e vingativa donzela do santuário e a possessão a leva cada vez mais fundo na vila, forçando Mio a seguir seu rastro, inconscientemente refazendo os passos de uma tragédia antiga e desvendando o ritual proibido que amaldiçoou aquele lugar. A sacada de usar o amor e a culpa entre irmãs como motor do terror é genial. Você tem medo de falhar com a Mayu, de não conseguir protegê-la, e o jogo brinca com a ideia de que, às vezes, os laços mais fortes são também os mais perigosos.

Existe uma razão pela qual este jogo é frequentemente citado como um dos mais assustadores já feitos, e o remake não apenas respeita essa herança como a expande. No quesito atmosfera, o Remake é simplesmente impecável. A vila de Minakami foi completamente reconstruída do zero utilizando a engine Katana, resultando em um cenário onde o horror japonês se manifesta em cada detalhe. A equipe de desenvolvimento se preocupou em preservar a estética dos anos 2000 que tornou o original um clássico, mas agora com texturas em alta resolução, modelos de personagens detalhados e um sistema de iluminação dinâmica que é um dos grandes protagonistas da experiência. Cada cômodo abandonado, cada corredor de madeira rangendo e cada altar esquecido foram desenhados para contar uma história de abandono e tragédia, e a iluminação reforça essa narrativa de forma primorosa.

A direção de arte merece um destaque especial por conseguir equilibrar o horror com a beleza melancólica. A paleta de cores é dominada por tons frios e acinzentados, pontuados pelo vermelho vívido das borboletas carmesim e dos laços rituais, criando um contraste visual que é ao mesmo tempo belo e perturbador. As cutscenes são deslumbrantes, com uma direção que ecoa a estética do horror japonês dos anos 2000, que passa aquela sensação de filme VHS desgastado. A exploração foi significativamente expandida com a adição de novas áreas inéditas que expandem o mapa original, e essas regiões vêm acompanhadas de histórias paralelas, que aprofundam o lore de personagens secundários e da própria vila. A Câmera Obscura continua sendo uma das ideias mais originais do gênero. O conceito de enfrentar o medo enquadrando-o é genial. Os novos filtros de lente e a possibilidade de usar zoom para atacar à distância adicionam camadas táticas interessantes. Mas o combate é muito lento… Você passa boa parte dos confrontos correndo em círculos, esperando o fantasma decidir atacar, enquanto a barra de concentração sobe e desce. Em um jogo que exige precisão, a cadência acaba se tornando repetitiva.

No jogo antigo, parte do encanto vinha da sensação de se sentir perdido, sem saber direito pra onde ir, aquele clima de estar sozinho num lugar cheio de perigo. No remake, o jogo te dá um mapa bem detalhado, e pistas visuais como por exemplo as borboletas carmesim. Fica mais fácil pra quem nunca jogou, mas quem é fã de longa data pode achar que perdeu a graça de se virar no escuro. A mecânica de segurar a mão de Mayu é, sem dúvida, o coração emocional do jogo. Visualmente, é lindo ver Mio estendendo a mão para a irmã, e a recuperação de vida e Força de Vontade enquanto estão juntas reforça a ideia de proteção mútua. Mas no gameplay, ela atrapalha. Em corredores estreitos, andar de mãos dadas vira um exercício de paciência, pois Mayu tropeça, fica para trás, e você se pega desejando poder simplesmente soltar a mão dela e seguir em frente.

A Câmera Obscura é o coração da jogabilidade e um dos conceitos mais originais do gênero survival horror. Trata-se de uma câmera fotográfica antiga com o poder de capturar e exorcizar espíritos malignos. Em vez de espadas, pistolas ou correntes, você enfrenta os fantasmas enquadrando-os na lente e clicando no momento certo. O remake refina seu funcionamento, adiciona profundidade com os filtros e zoom, e mantém a essência que fez dela um ícone, porém, o ritmo arrastado citado anteriormente e alguns excessos de dificuldade artificial podem incomodar quem busca um combate mais ágil. Enquanto os consoles ficam presos aos 30 FPS, no PC é possível rodar Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake a 60 FPS nativamente. Tive algumas quedas de frame aqui e ali… nada que atrapalhasse demais, mas o suficiente para notar que a otimização não é perfeita. Além disso, esbarrei em alguns bugs de colisão. Em certos cantos da vila, Mio ficava presa em móveis ou paredes invisíveis, precisando dar uma volta ou reposicionar a câmera para se soltar.

Por um lado, temos uma das atmosferas mais densas e assustadoras já feitas, uma história de partir o coração, um design de som impecável e uma direção de arte que poucos no gênero conseguem igualar. Por outro lado, o combate lento e repetitivo, a falta de uma tradução PT-BR, tutoriais exagerados a mão-guia excessiva na exploração tiram parte do brilho desse Remake. O preço está um pouco salgado também, no momento da review está custando R$249,00 na Steam. Minha recomendação final é baixar a demo, curtir o horror, sentir o combate e aguardar por promoções.

Veredito Gamers & Games

Nota Final
7.8
/ 10

“Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake entrega uma atmosfera impecável e uma história emocional poderosa, mas o combate lento e alguns problemas técnicos impedem que o retorno atinja seu potencial máximo.”

FATAL FRAME II: Crimson Butterfly REMAKE

7.8

Nota

7.8/10

Positivos

  • Atmosfera de terror impecável
  • História emocionante e trágica
  • Gráficos e direção de arte
  • Design de áudio

Negativos

  • Combate lento
  • Tutoriais excessivos
  • Sem legendas em português

Lucas Brito

Fã de games desde que ganhou aos 6 anos seu primeiro Nintendinho (NES) do seu avô, aprecia boas histórias seja nos jogos, séries ou filmes. Na música, Metalcore é sua paixão, mas curte todo tipo de música Underground.
Botão Voltar ao topo