
Resonance: A Plague Tale Legacy – Mostra que a série pode ir além da peste | Preview
Jogo testado no PC
Mudar drasticamente a direção de uma franquia consagrada é sempre uma jogada de alto risco que costuma dividir opiniões. Ao iniciar a build de testes de Resonance: A Plague Tale Legacy, ficou evidente desde o primeiro minuto que a Asobo Studio decidiu romper com o óbvio. o jogo estará disponível em 27/08/2026 para PC, PS5 e Xbox Series X|S, com estreia simultânea no Game Pass.

Ao pensarmos nos títulos anteriores, a associação com sombras, hordas intermináveis de roedores, a funda (o estilingue) de Amicia e o constante clima de vulnerabilidade é imediata. Tanto Innocence quanto Requiem consagraram-se pelas dinâmicas de infiltração e uma narrativa densa de sobrevivência. O novo projeto abandona o cenário francês assolado pela peste e introduz o jogador a arenas de confronto direto, labirintos subterrâneos e à clássica lenda do Minotauro de Creta.
Uma das maiores surpresas de Resonance é a escolha de colocar Sophia no centro da narrativa. O jogo recua no tempo 15 anos antes dos eventos de Requiem, ambientando-se em 1334 na ilha de Creta. Quem comanda a ação agora é Sophia, aquela mesma contrabandista que ajudou Amicia e Hugo em sua jornada. Aqui, ela tem 22 anos e está longe de ser a figura experiente e durona que conhecemos. Acompanhada por sua amiga Leni, ela parte em direção à lendária Ilha do Minotauro, movida por um mistério que envolve sua linhagem e as origens da Prima Macula. Apesar de a Macula ainda pairar como pano de fundo, o que chama a atenção neste trecho jogado é a total ausência de ratos. A praga que definiu a identidade dos jogos anteriores deu lugar à exploração, ao combate direto e a quebra-cabeças ambientais.

Quem chega em Resonance esperando repetir as táticas furtivas dos jogos anteriores vai se deparar com uma realidade completamente diferente, e essa mudança, no fim das contas, é para melhor. O sistema de combate agora abandona o estilingue e as sombras para abraçar embates diretos com lâminas, num ritmo rápido que exige reflexos e posicionamento. Você tem acesso a um ataque rápido com sua arma principal, um golpe crítico poderoso com sua adaga e uma quebra de guarda que atordoa inimigos menores. Cada golpe contribui para um medidor que, quando cheio, permite executar um finalizador brutal e sangrento. O sistema é fluido e responsivo, com a possibilidade de bloquear, desviar e se esquivar. As animações se encaixam de forma natural, e a sensação de impacto é satisfatória. Não chega a ser um Soulslike no nível de dificuldade, mas claramente se inspira na precisão e no ritmo desse gênero. Sophia possui apenas três pontos de vida, e a cada golpe sofrido perde um desses pontos. Mas a cada inimigo derrotado, você recupera os pontos perdidos, e isso cria um ciclo de combate onde a melhor defesa é um bom ataque, punindo a hesitação e recompensando a precisão.
Apesar da mudança radical no combate, Resonance mantém o espírito de A Plague Tale em outros aspectos. A exploração de masmorras, cavernas e templos esquecidos é acompanhada por quebra-cabeças ambientais que exigem observação e raciocínio. Sophia carrega um livro com pistas, e os desafios envolvem desde atravessar abismos até encontrar entradas secretas. Em alguns momentos, a protagonista dá dicas de forma quase imediata, o que pode incomodar jogadores que preferem descobrir as soluções por conta própria.

A Asobo Studio sempre foi excelente em criar atmosferas, e aqui não é diferente. A ilha de Creta é retratada com uma beleza que mistura o mediterrâneo com ruínas antigas e um toque de mistério sobrenatural. A paleta de cores é mais vibrante do que os tons sombrios da França medieval, mas a tensão característica da série ainda está presente. Os cenários variam entre masmorras claustrofóbicas, templos abertos e passagens traiçoeiras. Um destaque especial vai para as expressões faciais, que são extremamente bem trabalhadas e transmitem com clareza as emoções de Sophia e dos personagens ao seu redor.
Em termos de performance, a versão de prévia apresenta algumas quedas de FPS pontuais, mas nada que comprometa a jogabilidade ou a imersão. É importante lembrar que se trata de uma build de demonstração, e é razoável esperar que esses pequenos tropeços técnicos sejam corrigidos até o lançamento oficial em agosto.

Resonance: A Plague Tale Legacy é uma virada de mesa corajosa da Asobo Studio, pelo menos até agora, uma virada que parece estar dando certo. Trocar a furtividade e os ratos por espadas, mitologia grega e combate corpo a corpo poderia ter sido um desastre, mas a desenvolvedora conseguiu preservar a essência emocional e atmosférica da série enquanto a reinventa por completo.
Veredito Gamers & Games
“Resonance: A Plague Tale Legacy apresenta uma reinvenção ousada para a franquia. O combate é sólido, a ambientação impressiona e a mudança de direção parece preservar a essência emocional da série, resultando em uma prévia bastante promissora.”






