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PAYDAY: Aces High – É mais PAYDAY, mas agora “questificado” | Análise

Capa de PAYDAY: Aces High

Versão Testada: PC VR

PAYDAY: Aces High

Disponível em:
Meta Quest e SteamVR
Lançamento:
5/nov./2026
Gênero:
VR, Ação, Primeira Pessoa
Estúdio / Editora:
Fast Travel Games
Cópia digital cedida pela Fast Travel Games para fins de análise.

PAYDAY: Aces High é um FPS cooperativo e exclusivo para VR, desenvolvido e distribuído pela Fast Travel Games. O título tem previsão de lançamento para 05/11/2026 com versões para PC VR e Meta Quest.

Sendo a adaptação de Payday exclusivamente para VR. PAYDAY: Aces High, entrega algumas melhorias em comparação com o suporte para VR de Payday 2, entretanto o jogo é extremamente limitado tanto em mecânicas, como em visuais e conteúdo. Sua versão de PC foi totalmente “questificada” e a impressão é de ser apenas mais uma forma de “ordenhar vaca morta”, do que realmente fazer algo novo e interessante.

Para quem é novo e não conhece, ou não se lembra, Payday é uma franquia baseada em missões cooperativas, onde os jogadores jogam como um assaltante cujo objetivo é realizar roubos com diferentes tipos de alvos e objetivos, sejam bancos, museus, bases secretas com informações, entre outras. A franquia teve sucesso em seus dois primeiros títulos Payday: The Heist e Payday 2, mas suas sequências seguiram um ritmo desastroso com Payday 3 tendo um lançamento terrível e nunca conseguindo se recuperar.

Franquia a parte, quem é “velho” no VR sabe que Payday 2, foi um dos grandes primeiros títulos a implementar suporte a VR, isso lá em 2017. Mesmo tendo suas limitações da época, o título consegue entregar uma experiência legal, com os jogadores de VR podendo jogar em conjunto com os em Flat Screen.

PAYDAY: Aces High chega para tentar aprimorar a experiência, com uma versão mais moderna que entrega controles e sistemas atualizados, mas peca bastante nos visuais, sistemas e AI. Parte dos problemas é que a versão de PC não é exclusiva, sendo apenas um port da versão de Meta Quest.

Em Aces High, nós iremos jogar como um membro de um grupo de assaltantes altamente treinados que são aprisionados por um crime que não cometeram e agora buscam vingança contra quem os traiu. A trama é simples e serve somente para justificar a ação e os personagens, estes que são baseados nas cartas Ás do baralho, sendo o Ás de ouros (♦) o Técnico, focado em dispositivos, o Ás de paus (♣) o Fantasma, focado em furtividade, o Ás de copas (♥) sendo o Mestre da Estratégia e o cérebro da operação e por último temos o Ás de espadas (♠) o Executor, focado em destruição.

A jogatina continua com a tradicional receita da franquia e teremos de realizar assaltos em um grupo de quatro jogadores, com a opção de furtividade ou o tradicional tiro, porrada e bomba. O diferencial é que as mecânicas da versão flat foram convertidas e adaptadas para a realidade virtual, assim, ativar mecânicos não é apenas uma tarefa de apertar ou segurar um botão e sim interagir com estes, seja em mini games ou manipulação de alavancas e botões.

Nesta versão de VR, todas as ferramentas precisam ser manipuladas, por exemplo, temos um relógio utilizado para hackear e chamar dispositivos como a broca, esta que agora possui um mini game e o jogador precisa manipular uma alavanca de tempos em tempos para ela continuar funcionando. Portas geralmente precisam ser abertas por terminais e é preciso procurar no cenário os códigos de combinações para assim poder abri-las, temos explosivos para força bruta, além de cofres com fechaduras giratórias, onde é preciso primeiro procurar as combinações e então interagir com a fechadura, algo que é extremamente frustrante e que iremos falar sobre mais abaixo.

Os controles são a maior diferença aqui e também a maior evolução. Como citado mais acima, esta versão de VR traz propriamente interações e os controles seguem um padrão mais moderno, assim temos armas que precisam ser operadas manualmente, substituindo carregadores e engatilhando-as, itens precisam ser agarrados e transportados, temos um pequeno inventário com alguns dispositivos que incluem uma seringa para curar/reviver, além das ferramentas citadas anteriormente.

Entretanto parte das interações e ações são inconsistentes e algumas são inconvenientes como por exemplo, as interações com fechaduras giratórias são extremamente frustrantes, pois é comum a mão simplesmente escapar e resetar o progresso e isso ocorre com frequência e sem nenhuma justificativa. Não existe gravity/proximity grab o que torna a acessibilidade um pouco limitada, além disso itens pequenos como dinheiro, joias e outros precisam ser agarrados para o jogador então pressionar os gatilhos e esperar um tempo para estes serem coletados, algo que não faz o menor sentido e que torna a manipulação destes um tanto frustrante, sendo que eles poderiam simplesmente ser jogados em uma sacola ou algo semelhante.

Para piorar não existe a possibilidade de carregar uma sacola de saque e ao mesmo tempo recarregar a arma, você até pode atirar, mas é necessário jogar as sacolas no chão para conseguir recarregar a arma, algo que não faz sentido também, pois os bots aliados podem carregar uma sacola nas costas e manipular o armamento sem problemas, já o jogador não.

Por outro lado, o jogo adota algumas opções de customização que deveriam ser básicas, mas nem todo título as implementa. Aqui é possível escolher e configurar o controle de câmera entre smooth turn ou snap turn, temos diferentes tipos de coldre que em tese possibilitam a jogatina em pé ou sentado e os controles incluem um botão para abaixar e levantar e também ajustes para calibrar a distância e direção das mãos, também temos opções de vinheta, para diminuir a possibilidade de cinetose (enjoo de movimento).

Neste lançamento temos apenas seis assaltos disponíveis no lançamento, mas não espere nada impressionante, pois o jogo é severamente limitado tanto em funções, quanto em tamanho de mapas e quantidade de inimigos por conta da versão de Meta Quest. Assim espere por mapas pequenos e com baixa variedade de detalhes, pouco inimigos que vem em ondas de 3 ou 4 por vez, além de interações e sistemas um pouco confusos e simplórios, o jogo não tem nem mesmo um botão de restart de nível e caso queira recomeçar é preciso abandonar a sala e retornar para a safe house.

Nada aqui está bem feito para um jogo de PC VR e infelizmente este é mais um título “questificado”. Os mapas são no geral pequenos e sem detalhes, os modelos de personagens, cenários e outros são simples e pouco detalhados com uma inconsistência enorme entre os componentes do cenário, onde temos uma resolução legível para informações e objetos importantes, mas logo ao lado temos outros em baixa resolução ou completamente sem detalhes. A trilha sonora é OK e temos um narrador e personagens com falas perfeitamente legíveis e faixas para embalar a jogatina, mas novamente não espere muito.

Para um jogo de VR falta imersão e sistemas de interação mais aperfeiçoados, pois com exceção das armas, ferramentas e espólios, nossas mãos são praticamente inexistentes e inúteis. As únicas ações extras estão relacionadas a arremessar alguns itens como garrafas e não podemos realizar nada como socos, empurrões ou mesmos amarrar/prender inimigos, o que torna o modo furtivo um exercício de saber onde esta as patrulhas e como evitar as inconsistências das interações.

É possível jogar solo com bots ou coop com outros jogadores e eu recomendo que tente jogar com outras pessoas pois a AI é frustrante. Jogando solo, nós seremos acompanhados de companheiros AI e não espere deles suporte ou ações bem definidas, pois os bots são bastante básicos e só servem para nos seguir, engajando inimigos com uma mira abismal, como mulas para carregar sacolas de saque ou como alvos para chamar a atenção dos inimigos. Mesmo assim você terá de lutar contra o sistema pois eles são inconsistentes em responder a ações e principalmente no fim do jogo quando temos de escapar, é comum ter de voltar para limpar os inimigos na tela, pois os aliados decidem lutar ao invés de correr.

Assim como a AI aliada, a inimiga também está longe de ser esperta. Os inimigos aqui vêm em pouca quantidade por conta das limitações citadas anteriormente, mesmo assim eles têm uma inteligência abismal e geralmente correm em fila em escadas o que facilita bastante o abate de inimigos. Como nas versões de flat screen, existem diferentes tipos de inimigos, incluindo os pesados, mas por conta da AI e dos recursos de VR é só você encontrar algum canto para utilizar como barreira e então descer bala. A dificuldade de inimigos está apenas relacionada à quantidade de disparos que eles podem receber, com os inimigos mais difíceis sendo verdadeiras esponjas.

No final, PAYDAY: Aces High acaba deixando um gosto amargo em sua versão de PC VR. Apesar de trazer algumas melhorias em comparação com o modo VR de Payday 2, infelizmente o jogo é extremamente limitado e aparenta ser apenas um port da versão de Meta Quest. Para piorar, temos novamente uma possibilidade de excesso de DLCs que já chegam no lançamento por um valor nada camarada e o preço cobrado pelo jogo base é salgado pela experiência.

Aces High não é um jogo completamente ruim e quem não conhece, ou nunca jogou os outros jogos da franquia, com certeza poderá ter uma experiência OK se jogar com amigos, principalmente se optar pela versão de Meta Quest. Agora quem é veterano, com certeza ficará desapontado com o resultado final e com as limitações do título no PC. Assim, eu prefiro recomendar este título somente para quem se interessar.

Veredito Gamers & Games:

Nota Final
7.0
/ 10

PAYDAY: Aces High moderniza as interações da franquia em realidade virtual, trazendo controles mais elaborados e boas opções de configuração. Entretanto, as limitações técnicas, a inteligência artificial fraca e a pouca quantidade de conteúdo impedem que a experiência alcance seu verdadeiro potencial.

PAYDAY: Aces High

7

Nota

7.0/10

Positivos

  • Opções de configuração
  • Áudio

Negativos

  • Gráficos
  • AI
  • Inconsistências
  • Diversas limitações
  • Pouco conteúdo

Jeferson Vasconcelos

PC Gamer desde os anos 90, entusiasta de VR que não consegue ficar sem jogar os velhos consoles. Aguardando há anos pelo próximo Lineage
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