
Senadores dos EUA questionam compra da EA por grupo ligado à Arábia Saudita
Operação levanta alerta sobre liberdade de expressão e dados de usuários segundo senadores.
A possível aquisição da Electronic Arts (EA) por um grupo de investidores privados, entre eles o fundo soberano da Arábia Saudita, a americana Silver Lake e a empresa de investimentos de Jared Kushner, está gerando forte reação em Washington. Os senadores Richard Blumenthal e Elizabeth Warren enviaram cartas ao Secretário do Tesouro dos EUA e ao CEO da EA, Andrew Wilson, expressando preocupações com riscos de segurança nacional que a operação, avaliada em US$ 55 bilhões, pode trazer.
O acordo prevê que a EA deixe de ser uma empresa listada em bolsa, tornando-se privada sob o controle desse consórcio, que tomaria um empréstimo de US$ 20 bilhões para viabilizar a compra.
Em suas comunicações, os senadores destacam o histórico do governo saudita de repressão à liberdade de expressão e uso de tecnologia para vigilância e retaliação a críticos. Entre os riscos citados, estão a possível vigilância de cidadãos americanos, uso dos jogos e plataformas para propaganda árabe, acesso indevido a dados de usuários e até a tecnologia de inteligência artificial que a EA possui.
Os parlamentares exigiram que o Comitê de Investimento Estrangeiro dos Estados Unidos abra investigação formal sobre a transação e divulgue publicamente as conclusões.
O contrato do acordo ainda prevê que, caso não seja aprovado pelas autoridades dos EUA, a EA terá de pagar uma multa de US$ 1 bilhão, um sinal de como os desafios políticos e regulatórios podem travar a negociação.
Além da análise geopolítica, o caso reacende o debate global sobre privatizações de grandes players do setor de games por fundos ligados a governos estrangeiros, com impacto direto sobre dados, moderação de conteúdo e autonomia de estúdios e plataformas.






