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Ex-diretor de Call of Duty, Glen Schofield, teme futuro da franquia sob comando da Microsoft

Veterano aponta fatores que podem ameaçar a longevidade e qualidade de CoD.

A recente entrevista de Glen Schofield à VGC, durante a Gamescom Asia, acendeu um sinal de alerta sobre os caminhos futuros de Call of Duty, a gigante dos FPS agora sob as asas da Microsoft, após a compra bilionária da Activision Blizzard em 2023.

Com décadas de experiência na indústria e passagens marcantes por EA e Activision, Schofield esteve à frente de campanhas icônicas em Modern Warfare 3Advanced Warfare e WWII da Sledgehammer Games. Sua opinião, portanto, ecoa não só entre veteranos da franquia: é acompanhada de dados, histórico, e uma certa dose de saudade dos tempos áureos.

Choque de culturas, incentivos e trajetória preocupante

Schofield não poupou palavras ao comentar suas reservas quanto à capacidade da Microsoft preservar a essência que tornou CoD tão dominante:

  • Choque de culturas corporativas: ele ressalta que “infelizmente, uma vez assimilado por uma dessas empresas, você acaba absorvendo parte dos traços dela”.
  • Mudança no sistema de bônus: Schofield sugere que o tradicional e generoso sistema de premiação da Activision pode desaparecer, substituído pelo modelo Microsoft, algo que desmotivaria equipes acostumadas aos velhos incentivos.
  • Exemplo negativo: Halo e Gears of War: para o diretor, o declínio de grandes franquias sob a tutela da empresa de Redmond (“o que aconteceu com Gears of War? Onde está Halo?”) serve de advertência para os fãs de Call of Duty, já que “muitos jogos acabam ficando pelo caminho”.

Sucesso… mas até quando?

Embora a Microsoft comemore o desempenho de Call of Duty: Black Ops 6, o primeiro da série a chegar no lançamento pelo Xbox Game Pass, com audiência recorde, Schofield observa um padrão preocupante:

  • O pico inicial não se sustentou, com uma “queda pós-lançamento mais acentuada do que o normal”.
  • O sucesso de vendas persiste, mas, segundo ele, “os jogos já não têm a mesma qualidade”. Modern Warfare 3 (2023), por exemplo, recebeu notas baixas e não repetiu o prestígio dos tempos clássicos.

Perda de talentos e legado da franquia

Outro motivo para pessimismo é a saída de nomes influentes da franquia nos últimos anos:

  • O próprio Schofield
  • Michael Condrey (co-fundador da Sledgehammer)
  • David Vonderhaar (veterano de Black Ops)

Para Schofield, ao perder figuras-chave, a franquia compromete o DNA criativo que sustentava seus diferenciais, tornando-se mais vulnerável a decisões impessoais de grandes conglomerados.

O que esperar do futuro?

O próximo capítulo, Black Ops 7, chega em 14 de novembro, cercado de altas expectativas, enquanto a concorrência se acirra (o novo Battlefield 6 da EA vendeu impressionantes 7 milhões de cópias em apenas três dias de lançamento).

Mas, para Schofield, a preocupação vai além de vendas: é sobre legado, inovação e, principalmente, cultura de estúdio.

“Me preocupo imensamente”, confessa, ao observar o destino de franquias como Halo e Gears e ao lembrar que, desde sua saída, “nenhum dos jogos tem sido tão bom”.

Marcelo Rodrigues

Old Gamer, se aventurando no ramo dos video-games deste o Atari. Já foi só do lado "Azul" da Força, mas hoje distribui sua atenção para todas as plataformas. Apesar de jogar todos os estilos, Adventures e Plataformas ainda tem um lugar especial em seu coraçãozinho.
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