
Of Lies and Rain – Impressiona com gráficos incríveis e jogabilidade imersiva no PSVR2 | Análise
Analisado no PlayStation VR2
Of Lies and Rain é o segundo jogo lançado pela desenvolvedora indie Castello Inc. SRL e pasmem, parece mais um AAA do que muitos jogos de empresas grandes.
A História
O ano é de 2048 e estamos sem memória em um futuro pós apocalíptico dominado por máquinas hostis geradas por uma IA. Movido pela voz misteriosa de Sam, Adam tem que enfrentar os inimigos usando suas habilidades para derrotar a IA para salvar a humanidade da extinção…ok, mais clichê que isso só a história do herói indo salvar a princesa em um castelo mas nem por isso é ignorável e deixo aqui uma dica para não se perder na história, além de Sam narrar boa parte dos acontecimentos do jogo, não esqueça de procurar e ler o maior número de disquetes que conseguir, são 59 no total espalhados pelas 8 fases do jogo e mostram detalhes que não são contados por ela durante a aventura.
Gráficos
Of Lies and Rain é um deleite para os olhos de quem vive com o rosto grudado em um óculos de realidade virtual como eu, e já na tela inicial dá pra perceber a qualidade gráfica que esse jogo oferece, ao entrar nas opções podemos escolher entre modo desempenho e qualidade, mas o que mais faz diferença é poder alterar as configurações de anti-aliasing, algo que melhora e MUITO a qualidade gráfica aqui, minha análise foi feita diretamente em um PS5 PRO, portanto não sei dizer se as mesmas opções estão disponíveis no PS5 normal, além do anti-aliasing também podemos mexer na nitidez o que deixa tudo muito mais bonito, e vivo.
Os cenários são bem variados mas como a chuva de mercúrio praticamente destruiu tudo que é vivo não encontramos plantas e nada que lembre a natureza, só vemos cubos metálicos e construções enormes desabitadas, a parte da iluminação, sombras e texturas são incríveis para um jogo indie, detalhes como metal enferrujado, portas de madeira desgastadas, texturas de pedras, brilho de tiros e explosões são detalhes que não podem passar despercebidos pois parece que foram feitos por uma grande empresa, mas Of Lies and Rain foi feito por apenas 5 pessoas muito dedicadas e que amam o que fazem, portanto deem atenção aos detalhes que são impressionantes.
Algumas partes do jogo podemos ver coisas embaçadas ou com um uma textura mais baixa, mas no geral é um dos jogos mais bonitos que já vi em VR.
Jogabilidade
Como a maioria dos jogos em VR, ‘OLAR’ traz a jogabilidade em primeira pessoa, não temos o corpo inteiro como em Arken Age ou o mais recente Reach, mas nossas duas mãos funcionam muito bem principalmente ao interagir com os objetos do cenário, e assim como em Half-Life Alyx podemos pegar garrafas, latas, martelos, cartões, pranchetas, escrever em lousas, arrastar coisas, o que é ótimo para mim pois quando a física funciona de forma satisfatória em um jogo de VR aumenta muito nossa imersão, as escaladas estão presentes aqui e podem levar a muitos lugares altos, portanto se tiver medo de altura se prepare, aqui também está presente a mecânica de apontar para um objeto e puxar como em Alyx, aliás muito do que vemos aqui com certeza foi baseado no jogo da VALVE, o que eu acho ótimo, pois as mecânicas de Alyx são excelentes.
A parte dos combates se limita às armas com design futurista que pegamos durante o jogo, sendo apenas uma pistola, uma shotgun e uma metralhadora, aqui usamos a mecânica fantástica de pegar a munição na mochila e recarregar as armas como em outros jogos de tiro em VR, para nos ajudar a derrotar os inimigos também temos a ajuda de uma granada. Outros itens usáveis são uma máscara com tempo limitado de oxigênio para passarmos por zonas contaminadas, um inalador para renovar a respiração caso passe por alguma dessas áreas sem a máscara e a famosa seringa de cura.
As armas, itens e nossas habilidades pessoais podem ter upgrades durante o jogo conforme encontramos e acumulamos cubinhos vermelhos chamados de GPU, onde usamos em estações que encontramos ao longo da aventura.
Para selecionar as armas e itens temos um menu rápido bem no estilo de Alyx, seguramos o botão triângulo ou círculo e encostamos na arma ou itens que queremos para equipá-los.
Ainda na parte da jogabilidade temos que passar por alguns puzzles para abrir algumas portas que são bem desnecessários e chatos, outra coisa que não gostei foi estar em uma área pouco alta tipo um andaime e o jogo não me deixar cair no cenário de baixo, me forçando a ter que descer usando os blocos de escalada para descer ao invés de tirar um pouco da minha vida ao cair, mas tudo bem.
Mundo de Dados
Além da jogabilidade convencional no “mundo real”, também é necessário explicar o “Mundo de Dados” onde Adam, a partir de um “gerador”, acaba entrando em uma outra dimensão como se estivesse dentro de uma placa de dados e circuitos de um computador onde deve eliminar os vírus para abrir algumas portas ou ativar elevadores do mundo real. Nesse mundo de dados nossas mãos viram polígonos parecendo com os gráficos de REZ Infinite e devemos atravessar essas áreas dando saltos enormes de uma plataforma à outra atirando em “vírus” que estão impedindo o funcionamento dos equipamentos. A parte complicada aqui é para quem tem cinetose forte e principalmente medo de altura pois os pulos que damos nessas áreas são gigantes e a jogabilidade é um pouco confusa de explicar mas vamos lá, em uma de nossas mãos temos algo parecido com um canhão propulsor onde carregamos a energia e ao soltar temos que mirar na direção que queremos ir, no início temos 2 super pulos que podemos usar seguidamente para alcançar as áreas, mas recolhendo as GPU’s podemos dar upgrade para até 3 que no final ajuda bastante, na outra mão temos as armas que usamos para derrotar os “vírus”, temos uma besta, uma metralhadora e por fim uma bazuca.
Alguns desses mundos de dados são facilmente ignorados enquanto outros são obrigatórios, então quando não tiver utilidade na fase e você não quiser entrar, pode passar batido, e particularmente eu acho que essas áreas são pra dar um tempo a mais no jogo, o famoso “encher lingüiça” para não terminar tão rápido. Um dos pontos ruins é que se você cair ou sua vida acabar temos que voltar desde o início pois essas fases não têm checkpoint
E já entregando um spoiler, o chefe final do jogo enfrentamos nessa dimensão portanto gostando ou não você vai ter que se acostumar com essas fases.
Som
Gráficos excelentes, jogabilidade ótima e a parte sonora não podia ser diferente, gostei muito das vozes que deram a Sam e Adam, os barulhos que os inimigos fazem são bem aterrorizantes, especialmente para quem tem aracnofobia pois a maior parte dos inimigos são aranhas, mecânicas, mas não deixam de fazer aquele barulhinho que só quem tem medo sabe. Tiros, explosões e principalmente o barulho da chuva só nos fazem ficar mais e mais imersos nesse mundo.
O idioma principal do jogo é em inglês, mas temos várias legendas incluindo nosso querido português.
Conclusão final
Of Lies and Rain é um ótimo jogo de tiro com uma física muito satisfatória e grande imersão em realidade virtual, os gráficos são excelentes e o tempo de jogo também beirando de 10 a 11 horas de jogo para quem quiser pegar todos os upgrades e troféus, o único problema é que não podemos voltar nas fases para tentar pegar o que esquecemos, portanto temos que começar um novo jogo para isso, minha dica é ficar de olho em todos os detalhes nas fases para que não tenha que repetir toda a aventura já que o jogo não traz um “new game +”
Infelizmente nem tudo é perfeito e OLAR me proporcionou um dos maiores anticlímax que eu já vi num game recentemente, mas valeu pela aventura que me levou até ele, mas caso queira ver com seus próprios olhos, uma DEMO está disponível na PSN e traz a primeira fase completa do jogo.
Of Lies and Rain
Positivos
- Gráficos maravilhosos, bonitos e sem serrilhados devido às configurações de anti-aliasing
- Ambientação, iluminação, física e imersão excelentes
- Trilha sonora e dublagem dos personagens muito boa
- Aproximadamente 10 horas de jogo
- Legendas em português
Negativos
- As fases do Mundo de Dados podem afastar algumas pessoas
- O final é decepcionante
- Sem “New Game +”













