
Thief VR: Legacy of Shadow – Uma experiência imersiva que falha em evoluir | Análise
Analisado no PlayStation VR2
Dizem que a primeira impressão é a que fica, e minha primeira impressão de Thief VR foi muito boa, inclusive eu disse isso no meu vídeo sobre ele, mas infelizmente conforme eu passava das fases, a empolgação inicial foi acabando e a aventura começou a se tornar um fardo que eu não via a hora de acabar.
Nunca fui um grande fã da franquia Thief, mas confesso que quando soube que seria lançado em realidade virtual fiquei muito empolgado, afinal de contas entrar em uma cidade medieval, andar por telhados, escalar paredes, me esconder nas sombras, abrir portas usando gazuas e roubar pertences de personagens que não existem me fizeram pensar que seria algo divertido como Assassin’s Creed, mas aqui sem o “Salto de fé” e sem matar ninguém. E a premissa do jogo é bem essa mesma.
Em Thief VR estamos na pele de Magpie uma ladra astuta que trabalha para Cassandra, sua mentora nessa “profissão”.
Na primeira missão do jogo conhecemos as mecânicas em um breve tutorial, onde aprendemos a andar, escalar, usar nosso porrete em guardas, roubar objetos alheios, apagar velas, pegar chaves, abrir portas e janelas, até chegarmos ao objeto que Cassandra nos pediu para roubar. Após isso voltamos para a Torre do Relógio que é a sede dos ladrões onde a encontramos e recebemos um arco com várias flechas que poderão ser usadas nas missões. Essa arma funciona muito bem nesse jogo pois apresenta uma mira quase telescópica, além de cinco flechas diferentes que são: FLECHA DE ÁGUA que serve para apagar candeeiros, e lareiras, a FLECHA DE FOGO que serve para queimar bandeiras inimigas que ficam nas paredes, a FLECHA DE CORDA que usamos para subir em certas vigas nos mapas, a FLECHA CEGA que atordoa os guardas, e a FLECHA DE PONTA NORMAL que mata os guardas, lembrando que o foco do jogo não é matar, e ganhamos bônus no fim da fase caso não tenhamos derramado sangue.
Na parte de combates temos um porrete de madeira que serve para aparar os golpes inimigos caso sejamos descobertos e também serve para fazê-los dormir em um ataque furtivo, sim falei “dormir” pois TODA vez que um guarda é derrubado ele dorme e fica roncando, só que ele nunca mais acorda. E aqui é que as coisas começam a ficar chatas, pois a inteligência artificial dos guardas está mais para “burrice real”, eles são lentos, quase não te veem pelo cenário, mas quando te avistam “correm” um pouco atrás de você, e basta se esconder embaixo de alguma mesa, ou atrás de uma caixa que eles já desistem de te procurar e voltam a fazer sua ronda normalmente como se nada tivesse acontecido, além disso, eles passam por outro guarda que está dormindo no chão e nem pensam em acordá-lo, ou seja, “burrice real”, e eu achei que isso fazia parte apenas do tutorial mas não, durante as sete fases do jogo eles são assim mesmo, eles só conseguem te vencer caso juntem dois e venham na sua direção pois aí fica difícil defender, e aí entra mais uma parte que não faz sentido algum pra mim, o porrete serve para aparar os golpes, aparamos três vezes com sucesso e o guarda fica tonto para que possamos dar o golpe final e derrotá-lo, sim ele fica TONTO, fica tonto após você DEFENDER três golpes sem dar uma porretada sequer nele. Isso não faz sentido algum para mim.
Para um combate fosse justo seria: APARA O GOLPE, BATE NELE, APARA O GOLPE, BATE NELE, APARA O GOLPE MAIS UMA VEZ E BATE NELE, aí sim ele ficaria tonto e poderíamos dar o golpe final.
Sei que o foco do jogo é o Stealth, me esconder e não ser um assassino, mas que os guardas são burros de dar dó isso eles são, além deles os personagens que não aparecem no jogo que seriam os cidadãos, acabam largando pertences nas ruas, e janelas entreabertas facilitando o trabalho do ladrão, e isso é outra coisa que não faz sentido, tudo bem termos baús trancados espalhados pelos cenários onde o uso da gazua é necessário, mas largar jóias, taças, carteiras espalhadas não faz sentido pra mim, e falando na gazua ela não apresenta desafio algum para usarmos, tanto em fechaduras de portas quanto de baús, pois basta pegar em nosso inventário, colocar na fechadura e girar as duas ferramentas na posição que o jogo manda, elas não quebram, não há limites de uso e tentativas deixando o acessório ser apenas para fazer parte do arsenal do ladrão.
Conforme pegamos os tesouros especiais podemos trocar por habilidades como cair sem fazer tanto barulho, aumentar a eficácia dos itens de cura (maças, pães) ou começar o próximo capitulo com flechas a mais, e esse é outro ponto que não entendo, a gente está lá na nossa torre pegando uma nova missão e nossa ladra não se preocupa em pegar as flechas que precisa pra começar a missão saindo de casa apenas com a gazua e um apito pra chamar o pássaro mais inútil que já vi nos games para te entregar uma moeda em certas áreas do jogo, vai entender né.
Falando sobre os gráficos, Thief VR traz uma imagem satisfatória, mas com vários defeitos. Em algumas partes vemos falhas na rendererização que fazem com que objetos saiam da baixa resolução e vão para alta a poucos metros da nossa visão, os guardas têm as mãos com polígonos parecidos com os que víamos no PlayStation 1, entre outros bugs que fazem objetos sumirem, baús que ficam transparentes mostrando o que há dentro deles. No mais até que o jogo é bem detalhado, mas rodando com reprojeção, o que deixa as coisas um pouco mais embaçadas, os efeitos de iluminação são bons e as texturas deixam a desejar em alguns pontos, mas nem por isso é um jogo feio, aliás é bem aceitável, mas poderia ser melhor. Pelo que os desenvolvedores disseram arrumarão isso em breve, incluindo uma barra para controlar o brilho, que eu acho o jogo extremamente claro.
Thief VR: Legacy of Shadow traz uma função muito interessante para o microfone do PSVR2 (coisa que muito desenvolvedor parece que esquece que existe). Existe o MODO SOPRO que permite que apaguemos as velas do jogo ao invés de apagá-las usando nossas mãos, sim reviveram o “sopro” usado lá em Astro Bot para PSVR1 onde assoprávamos uma flor dente de leão e além desse modo existe o MODO IMERSIVO onde os guardas podem te ouvir caso chegue perto deles e use sua voz, eu usei de uma forma muito interessante chamando-os por nomes tipo “Ei otário”, ou “Ei perdedor olha eu aqui”, e isso deu uma imersão maior ao game, além disso, isso dificulta um pouco pois caso você espirre ou tussa involuntariamente eles irão te ouvir, ou seja, uma função muito interessante para o tão esquecido microfone do VR. Infelizmente a falta de inteligência dos guardas acaba cansando e até que comecem a usar uma inteligência artificial para eles nos responderem de verdade à altura de nossos insultos, esse modo só servirá de curiosidade mesmo.
O som do jogo e as vozes dos personagens são interessantes, mas nada fora do normal, particularmente gosto muito quando conhecemos o Garret, pois ele é sarcástico e não tem tanta paciência para perguntas idiotas ou conversa fiada rs
Garret é um artefato que trás o espírito de um dos melhores ladrões que já apareceram no mundo, ele acaba entrando no olho da nossa protagonista e além de ouvi-lo, Magpie também enxerga coisas que ela não via apenas com os próprios olhos, aliás essa função lembra bastante o modo detetive de Batman Arkham Shadow e funciona da mesma forma, colocando nossa mão a lado de nossa cabeça e apertando o botão para ativar.
Falando nisso esse jogo já ganha meio ponto comigo só por trazer o idioma em português brasileiro, mas ele só funciona se o seu PS5 estiver com o idioma em português, pois não temos a opção de escolha dentro do jogo que trás o idioma inglês como original.
Minha consideração final sobre Thief é que é um jogo bom, mas bastante limitado trazendo 7 fases no total, mas que cai no erro de acabar repetindo duas delas nas fases 6 e 7, o que me desanimou profundamente pois a história não estava me prendendo, a falta de inteligência dos guardas não me trazia desafios e meu único medo era do jogo “crashar” ou ter algum bug durante alguma fase que me fizesse ter que repetir as missões tediosas. E um último recado para os desenvolvedores: “Por favor pensem em enviar seus jogos umas duas semanas antes para criadores de conteúdo poderem avisá-los sobre possíveis bugs, ou adiem em cima da hora como Shadowgate fez, se não fizerem isso as reviews acabam saindo no dia que vocês pedem e saem com notas baixas, podendo acabar com o jogo de vocês antes mesmo das pessoas quererem comprar”.
Thief VR: Legacy of Shadow
Positivos
- Gráficos bons, mas poderiam ser melhores
- Idioma em português
- Desafios de pegar todos os tesouros, não alertar guardas e não derramar sangue trazem rejogabilidade para o jogo para quem quer pegar todos os troféus
- Arco e flecha que funcionam muito bem.
- O uso do microfone do PSVR2 traz uma imersão muito boa ao jogo
Negativos
- Guardas burros demais trazem pouco desafio ao jogo
- História fraca que não conseguiu me prender
- Fases repetidas
- Problemas gráficos em algumas texturas e algumas partes em baixa resolução
- Uma ladra despreparada que sai para uma missão sem estar equipada com as flechas que precisa pois acha melhor garimpar pelo caminho












