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Metroid Prime 4: Beyond – Demorou, entregou, mas não é para todos | Análise

Analisado no Nintendo Switch 2


 

Anunciado ainda no primeiro ano de vida do então recém lançado Nintendo Switch, Metroid Prime 4 teve seu desenvolvimento reiniciado e movido de um estúdio da Bandai Namco de volta para a Retro Studios em 2019, anos depois, o game finalmente foi lançado em 4 de dezembro de 2025 para o Nintendo Switch, com uma versão aprimorada para o Nintendo Switch 2, mas será que mesmo envolto em polêmicas, mudança de estúdio e recomeço de desenvolvimento, o game foi capaz de entregar aquilo que os fãs tanto esperavam?

Metroid Prime 4: Beyond é o mais novo título da série Prime de Metroid, a subsérie da franquia em 3D iniciada em 2002. Metroid Prime 4: Beyond foi desenvolvido pela Retro Studios, uma subsidiária da Nintendo, responsável pela criação da série, tendo lançado seu antecessor, Metroid Prime 3: Corruption em 2007 no Nintendo Wii.

Um ponto importante, se você é um jogador novo em Metroid Prime, pode jogar o quarto título sem medo, uma vez que o arco da história fechado no terceiro título, não interfere muito nos acontecimentos dessa nova entrada, isso inclusive, está me parecendo uma nova trilogia, mas vou falar isso mais adiante.

A história de Metroid Prime 4: Beyond é ok, segue o estilo da série, mas com alguns twists e novidades que vão interferir no gameplay, nesse título começamos com um chamado da Federação Galáctica para que Samus fosse até o planeta Tanamaar, onde sua base está sendo atacada por Piratas Espaciais, que estão em busca de um artefato desconhecido. É nesse contexto que o vilão Sylux aparece, ataca Samus, mas acaba ativando o artefato, causando uma grande explosão provocando uma viagem no espaço tempo para o desconhecido e misterioso planeta Viewros.

Já em Viewros, Samus encontra os restos da civilização Lamorn, uma raça de seres com poderes psíquicos que viu sua civilização ser destruída por um incidente, nesse ambiente 13 sacerdotes se unem para salvar o que sobrou de seu conhecimento e partem em busca do escolhido que vai guiá-los a um novo mundo, porém, as coisas não são tão simples assim, afinal, além de Samus, outros personagens da Federação Galáctica e o vilão Sylux foram enviados para esse mundo. Nossa missão? Coletar 5 chaves ao redor do mundo, usando suas habilidades tradicionais e novas para explorar, lutar contra criaturas hostis e encontrar um caminho para casa, com foco em exploração e mistério.

A jogabilidade em Metroid Prime 4: Beyond é muito boa, tudo flui muito bem e é fácil de controlar, como é de costume em todo game Metroid, os eventos em Tanamaar provocaram pane em alguns sistemas da armadura de Samus, mas ao longo do game vamos adquirindo as habilidades novamente, além de algumas novidades, que são colocadas em forma de poderes psíquicos, assumo que quando vi o anúncio desses poderes achei algo bem preguiçoso, tipo, nossa que coisa revolucionária… porém eles funcionam muito bem no contexto do game sem parecerem deslocados ou então overpower. Temos os básicos, como o visor de escaneamento que fornece informações importantes sobre elementos do game, história, inimigos e chefes, os mísseis, que são muito úteis e depois ficam ainda mais quando recebem o upgrade para supermísseis, e claro, o movimento mais reconhecível da Samus, a morfosfera, sim a morph ball, essa dotada de bombas simples e posteriormente a superbomba. Ainda temos acesso a outras ferramentas padrão de outros jogos, mas as novidades ficam por conta dos poderes psíquicos, que conferem habilidades como o raio controlado, que Samus pode direcionar a trajetória do disparo, a Psicoluva que permite que Samus manipule energia de um ponto para outro, além de outros como as Psicobotas que permitem acesso à plataformas psíquicas e por ai vai, várias habilidades de Samus de outros games retornaram em sua forma psíquica, mas no geral funcionam de forma parecida ou com leves mudanças.

A introdução de NPC’s no game é algo que divide opiniões, para mim não é algo que chegue a incomodar, mas que é um pouco estranho sim, vamos falar do elefante na sala, o mais presente dos personagens, Myles MacKenzie, ele é um engenheiro da Federação Galáctica e o primeiro membro a ser encontrado resgatado. Myles é fraco, falastração e por vezes chato, em alguns momentos se faz necessário oferecer proteção a ele, mas nada que seja algo que incomode muito, o que de fato me incomodou foram suas entradas no rádio de comunicação de forma inconveniente, poderiam ter colocado um modo de desativar isso. Por outro lado, a introdução deles, e principalmente a dele, dá mais sentido a alguns acontecimentos do game, por exemplo, eu sempre achei meio incomodo o fato de a Samus estar num planeta hostil e totalmente desconhecido e qualquer item que ela coletasse já funcionava imediatamente em sua Power Suit, não sei, sempre achei algo estranho. Aqui isso não ocorre, alguns itens Samus precisa levar para que o Myles o decodifique e converta para um formato que ela possa usar, como é o caso dos raios elementais que o game possui: fogo, gelo e eletricidade. Tenho certeza de que muitos vão achar isso desagradável, mas sabe o que me incomodou muito? Todos os NPC’s falam com a Samus, sim falam, com audio e legendas na tela (e todos são meio fãs dela), mas ela não da um pio, nada, muda, nem três pontinhos, isso me incomodou muito, uma vez que Metroid Dread provou que ela não é muda…, mas enfim, decisões estranhas.

O mundo de Metroid Prime 4: Beyond é um ponto de debate, ao que tudo indica o game estava seguindo uma direção e durante o desenvolvimento o game mudou, mas não havia mais como reiniciar e ficou o famoso, vai assim mesmo. Definitivamente ele não é ruim, mas o Vale do Sol, a área central do game que conecta as cinco principais áreas e tem a Crono Torre ao centro, parece sem vida e muito vazia, ela só não é um ambiente insuportável de atravessar por conta da introdução da Vi-O-La, uma moto turbinada super estilizada que facilita e muito a nossa vida durante o game, mas vai pensando que ela é só um meio de transporte, não é não, ela é capaz de executar ações de ataques a distancia ou usando seu turbo para enfrentar inimigos e destruir obstáculos no caminho. O mundo não é completamente vazio, ele tem algumas áreas subterrâneas exploráveis, no maior estilo dos Santuários de The Legend of Zelda: Breath of the Wild, mas não espere nem de perto o nível de variedade e qualidade que eles oferecem naquele game, aqui as coisas são mais simples e diretas, além é claro, de alguns estarem bloqueados por detrás de habilidades ainda não adquiridas, então prepare-se para o vai e volta depois.

Como já citado, o game é dividido em cinto áreas, cada um com seu estilo e bioma, temos a clássica área de selva, a região fria e congelada, um vulcão cheio de lava e perigos, uma mina de extração abandonada e para mim e mais legal delas, a usina de energia que também é a fábrica que produzia a Vi-O-La. Cada área oferece visual, música uma sensação diferenciada. O que não é muito variado são as opções de inimigos, esses são bem repetitivos e meio chatos, em algumas áreas quando retornamos mais vezes para coleta de itens e aprimoramentos, chega a irritar, nesse caso só ativar os mísseis e seja feliz. Em cada uma dessas áreas vamos encontrar algum membro da Federação Galática, que vai precisar de nossa ajuda, ou vai acabar nos ajudando vez ou outra.

Em contrapartida, chefes tem para todo os gosto e estilo, e aqui alguns receberam muito mais carinho e atenção do que outros, podemos computar algo em torno de 10 a 11 inimigos principais, isso considerando as vezes que enfrentamos o Sylux*. Os primeiros chefes são legais e usam bem as habilidades disponíveis da Samus para aquele momento do game, os intermediários são um pouco chatos, com dois sendo bem parecidos, o outro sendo bastante incomodo acertar o ponto exato dele, uma vez que a mira sempre foca no ponto fraco, mas se ele tem algo que impede de acesso, o tiro não chega, por outro lado, o chefe do Vulcão é fenomenal, um dos mais legais da série, repletos de acrobacias e cenas cinematográficas, o chefe das minas também tem destaque, ele é desafiador e é preciso tomar cuidado. Por duas vezes enfrentamos o “Sylux”, a primeira é bem direta, já a segunda vez é mais elaborada, envolvendo eletricidade e uso do grip para que Samus possa se segurar.

Eu joguei o game apenas no Nintendo Switch 2 e lá podemos jogá-lo com os Joy-Cons 2 separados ou no Grip, se forem separados a função de movimento está disponível para uso mais fácil, se jogar no Grip ou com o Pro Controller isso também funciona, mas é um pouco mais estranho, aí é melhor jogar de forma tradicional com os analógicos. No Switch 2 ainda é possível jogar com o controle por Mouse, e assim, esse é algo que demanda tempo para se acostumar, mas é bastante funcional. Metroid Prime 4: Beyond é lindo, cada área é bastante travbalhada com detalhes, vegetação e até insetos perambulando pelo cenário. O deserto do Vale do Sol é sim bem vazio, mas isso não compromete visualmente o game, que por sua vez tem ótima performance no SW2, oferecendo modo qualidade ou desempenho, o primeiro em 4K 60fps dock, e 1080p 60fps portátil e o segundo oferecendo 1080p 120fps no dock e 720p 120fps na tela do console. Pude testar o game em seu modo 1080p 120fps no Monitor ViewSonic XG2736-2K que suporta até 240Hz e o resultado e fantástico, mesmo nessa taxa de quadros o game continua muito bonito e flui suavemente.

Um ponto que vale muito destacar é a localização primorosa que a Nintendo fez com o game para o Português do Brasil, está muito boa, com termos reconhecidos da franquia como a já citada Morph Ball tornando-se a morfosfera de forma muito natural e bem colocado, entre outros vários exemplos no game. Já a trilha sonora, muito obrigado Retro Studios, vocês provaram que não perderam o feeling de como fazer músicas para esse game, algumas faixas você facilmente fica com ela na cabeça e com certeza vai querer ouvi-las novamente no Nintendo Music ou por alguma playlist do YouTube, são muito superiores aquelas feitas para o Metroid Dread.

Por outro lado, nem tudo são flores, Metroid Prime 4: Beyond tem alguns problemas que mesmo para um fã assumido da série é difícil deixar de lado. Vamos por partes, primeiro cadê os Metroids??? Sim, eles são citados aqui e ali, fundidos nisso ou naquilo, mas ainda assim, foram deixados bem de lado no game, segunda coisa, Myles para de falar, por favor, em trechos finais do game onde mais uma vez é necessário sair numa caçada por um elemento necessário, Myles fica enviando mensagens de audio no rádio e incomodando, terceira coisa, o game parece bastante linear, não digo que ele pegue na mão, mas a sensação de estar isolado e perdido é bastante fraca, a de isolamento menor, mas ainda assim não chega perto a de outros games da série e por final, a história… bem ela parece um tanto confusa, deixa pontas soltas e isso faz a gente crer que outros games vem ai, o que de forma alguma isso é algo ruim, mas ela poderia ser um pouco mais redondinha, ao menos é isso que eu penso.

No geral, Metroid Prime 4: Beyond é um game muito bom de jogar, ele é desafiador em alguns momentos, a ambientação e trilha sonora são ótimas, realmente imergem o jogador na pele de Samus Aran, por outro lado, não da para ignorar as falhas do game, que podem irritar jogadores menos apaixonados pela franquia ou novatos que estão experimentado a série pela primeira vez, com tudo isso dito, posso afirmar que é um game muito bom, para mim ele entregou uma boa experiência da serie Prime, ainda não supera o original (isso nenhum deles faz), mas eu gostei muito do trabalho feito pela nova geração da Retro Studios, vale a pena jogar.

Metroid Prime 4: Beyond

8.8

Nota

8.8/10

Positivos

  • Jogabilidade fluida e bem refinada
  • Novos poderes psíquicos bem integrados
  • Trilha sonora marcante
  • Visual e desempenho no Switch 2
  • Localização em português do Brasil de altíssima qualidade

Negativos

  • Cadê os Metroids?
  • A história um pouco vazia e com pontas soltas
  • Inimigos repetitivos
  • O Myles fala demais

Saulo Fernandes

Publicitário de formação, editor do Gamers & Games desde 2015. Gosto de jogos de exploração, aventura e corrida, comecei a jogar no Master System, mas o meu console queridinho até hoje é o GameCube.
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