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CULTIC – Transforma a brutalidade clássica em uma experiência moderna e extremamente divertida | Análise

Inspirado pelos grandes FPS dos anos 1990, CULTIC encontra personalidade própria através de um excelente combate, atmosfera opressiva e muita liberdade para transformar cada confronto em um verdadeiro caos.

Analisado no PlayStation 5


Nos últimos anos, jogos independentes voltaram a explorar com força a estrutura dos clássicos jogos de tiro em primeira pessoa. Movimentação rápida, mapas repletos de segredos, armas poderosas e dezenas de inimigos voltaram a ganhar espaço através dos chamados boomer shooters (uma brincadeira com a geração que esses jogos atingiram seus ápices). Entretanto, simplesmente reproduzir gráficos pixelados e elementos de Doom ou Quake não é suficiente para criar uma boa experiência.

CULTIC entende muito bem essa diferença.

Desenvolvido pela Jasozz Games e publicado originalmente pela 3D Realms, CULTIC é um FPS inspirado principalmente em Blood, clássico da Monolith lançado em 1997. Cultistas armados, ambientes macabros, dinamites e violência exagerada fazem parte da aventura desde seus primeiros minutos, tanto em seu antecessor espiritual, quanto agora.

Apesar das referências evidentes, CULTIC rapidamente desenvolve sua própria identidade, principalmente através de um combate extremamente satisfatório e de uma atmosfera que mistura ação e terror de maneira muito competente.

O jogador assume o controle de um protagonista aparentemente morto que desperta em meio a uma pilha de cadáveres e parte em busca de respostas sobre um misterioso culto ligado a uma entidade conhecida como The Will. A história é apresentada principalmente através dos cenários, pequenos acontecimentos e documentos encontrados durante a exploração; uma forma de exploração clássica que combina muito bem com toda a atmosfera encontrada no game.

A narrativa funciona bem para contextualizar a aventura, mas nunca tenta ocupar mais espaço do que o necessário. CULTIC entende que sua principal qualidade está justamente em colocar uma arma nas mãos do jogador e permitir que ele descubra diferentes maneiras de eliminar seus inimigos. Falando em combate…

O maior destaque de CULTIC está em seu combate. O arsenal inclui pistolas, espingardas, rifles, metralhadoras, explosivos e armas incendiárias. Inicialmente, essa seleção pode parecer bastante tradicional, mas o funcionamento de cada equipamento ajuda a transformar confrontos relativamente simples em momentos extremamente divertidos. Isso ocorre porque as armas possuem excelente sensação de impacto, completamente necessário para um jogo que você vai estar 80% atirando.

Um disparo preciso pode eliminar imediatamente um cultista, enquanto a espingarda possui força suficiente para transmitir visualmente o peso de cada tiro. Explosões espalham inimigos pelo cenário e armas incendiárias transformam determinados ambientes em verdadeiras armadilhas.

Além disso, diferentes armas podem receber melhorias utilizando peças encontradas durante a exploração. Esses upgrades aumentam dano, precisão, capacidade ou adicionam novas possibilidades aos equipamentos, incentivando o jogador a procurar segredos espalhados pelos mapas.

Mas é com os explosivos que CULTIC realmente demonstra sua criatividade. Dinamites podem ser utilizadas rapidamente ou preparadas antes dos confrontos. Molotovs espalham fogo pelo cenário, enquanto alguns objetos encontrados nos ambientes também podem ser utilizados contra os inimigos.

É possível entrar em uma sala disparando contra tudo que aparece, mas também existe espaço para preparar armadilhas, posicionar explosivos e utilizar os próprios cenários para controlar grupos maiores.

Essa liberdade faz com que diferentes jogadores possam resolver uma mesma situação de maneiras completamente distintas, aumentando também a jogabilidade do game.

CULTIC também acerta muito em sua movimentação. O protagonista pode correr, saltar, deslizar e rapidamente alterar sua posição durante os confrontos. O resultado é uma jogabilidade ágil, mas que mantém uma importante sensação de peso.

Diferentemente de shooters extremamente rápidos como Ultrakill ou Doom Eternal, CULTIC não transforma o jogador em uma força praticamente impossível de acompanhar. Mesmo possuindo grande mobilidade, entrar em uma área sem prestar atenção aos inimigos pode resultar rapidamente em morte, nada frustrante, mas necessário para uma experiência mais comedida.

Cultistas armados possuem boa precisão, enquanto criaturas mais resistentes obrigam o jogador a utilizar melhor seu arsenal.

Portanto, essa combinação entre velocidade e vulnerabilidade cria um ótimo ritmo. Em determinados momentos é possível avançar agressivamente, enquanto outras situações exigem analisar o cenário antes de começar o confronto.

Existem diferentes níveis de dificuldade, permitindo adaptar essa experiência. Nas dificuldades maiores, inimigos causam bastante dano e a administração de munição se torna significativamente mais importante.

Os mapas de CULTIC seguem uma estrutura claramente inspirada nos FPS clássicos. Existem corredores, áreas abertas, caminhos alternativos, portas escondidas e diversos segredos. Explorar normalmente recompensa o jogador com munição, vida, peças de melhoria e novas maneiras de enfrentar determinadas áreas, além de claro, documentos e pedaços de lore para aqueles jogadores mais interessados.

O jogo também apresenta uma boa variedade de ambientes. Cemitérios, minas, instalações industriais, áreas urbanas e diferentes construções abandonadas aparecem durante a campanha, todos com um ar propositalmente monocromático e sóbrio, combinando muito bem com toda a estética transmitida pelos gráficos do jogo.

Com a expansão da aventura ao longo de seus capítulos, os mapas se tornam maiores e mais complexos. Isso aumenta a quantidade de possibilidades e segredos, embora algumas áreas possam acabar exagerando um pouco no tamanho.

Em determinados momentos, localizar um objetivo ou entender exatamente qual caminho seguir pode quebrar o excelente ritmo do combate. Atualizações posteriores adicionaram melhorias como um automapa e ajustes de balanceamento, reduzindo parte desses problemas.

Apesar disso, explorar continua sendo uma parte importante da experiência e constantemente recompensa jogadores curiosos.

CULTIC utiliza personagens pixelados em ambientes tridimensionais, acompanhados por uma paleta dominada por marrom, vermelho, preto e laranja. Tudo parece velho, sujo e desconfortável. O resultado, portanto, combina perfeitamente com sua temática.

Apesar da inspiração evidente nos anos 1990, efeitos modernos de iluminação, sombras e física ajudam a criar uma identidade muito própria. Incêndios iluminam temporariamente ambientes escuros, enquanto inimigos podem surgir de áreas praticamente invisíveis. Existe constantemente uma sensação de que alguma coisa está errada naquele mundo, e isso é exatamente o que este jogo precisa.

Por isso, mesmo sendo principalmente um jogo de ação, CULTIC consegue apresentar bons momentos de terror. Ambientes abandonados, corredores escuros e sons distantes criam tensão entre os grandes confrontos. O visual extremamente limitado propositalmente acaba funcionando como uma de suas maiores qualidades.

O destaque também vai para o design de som que acompanha muito bem o restante da experiência. Cada arma possui um som facilmente reconhecível e poderoso. Explosões apresentam grande impacto, enquanto inimigos e elementos dos cenários podem ser identificados através do áudio antes mesmo de aparecerem na tela.

Isso é especialmente importante nas áreas mais escuras, onde ouvir um inimigo pode ser tão importante quanto enxergá-lo.

A trilha sonora alterna composições discretas durante os momentos de exploração com músicas mais agressivas durante grandes confrontos. Ela não tenta constantemente chamar atenção, mas funciona muito bem para sustentar tanto a tensão quanto a velocidade das batalhas.

Talvez o maior mérito de CULTIC seja não depender exclusivamente de nostalgia. As referências a Blood e outros shooters clássicos são claras, mas seu combate, movimentação, interação com cenários e sistema de melhorias apresentam qualidade suficiente para que o jogo desenvolva personalidade própria.

A campanha possui momentos mais consistentes e outros um pouco mais exagerados, principalmente quando os mapas aumentam de tamanho ou determinados confrontos colocam inimigos demais contra o jogador. Ainda assim, essas irregularidades raramente comprometem aquilo que CULTIC faz de melhor.

Preparar uma dinamite, deslizar pelo cenário, acertar um disparo preciso e assistir um grupo inteiro de cultistas sendo lançado pelo ambiente continua divertido muitas horas depois do começo da campanha. Poucos shooters modernos conseguem transformar ações tão simples em algo tão satisfatório.

CULTIC consegue olhar para os grandes FPS dos anos 1990 sem simplesmente tentar imitá-los. Ele entende o que tornava aqueles jogos divertidos e utiliza essas ideias como base para construir uma experiência própria, violenta, criativa e extremamente divertida.

Para fãs de Blood, Doom, Dusk e jogos de tiro retrô, CULTIC facilmente ocupa espaço entre os melhores representantes modernos do gênero.

Veredito Gamers & Games:

Nota Final
9.0
/ 10

“CULTIC vai além da nostalgia e utiliza referências aos FPS clássicos para construir uma experiência própria, brutal e extremamente divertida. Apesar de algumas irregularidades nos mapas e na progressão, o excelente combate, a liberdade e sua atmosfera fazem dele um dos grandes representantes modernos do gênero.”

CULTIC

9

Nota

9.0/10

Positivos

  • Combate extremamente satisfatório
  • Movimentação rápida e responsiva
  • Excelente direção de arte retrô
  • Ótimo design de som

Negativos

  • Alguns mapas poderiam ser menores
  • Progressão pode ficar confusa em determinadas áreas
  • Certos confrontos exageram na quantidade de inimigos
  • História possui boas ideias, mas permanece relativamente simples

João Pedro Belvedere

Jornalista e gamer! Jogar sempre foi meu hobbie favorito e escrever sobre eles se tornou um sonho!
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