Versão Testada: PC
Warhammer 40,000: Boltgun 2
PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC
14/out./2026
Tiro
Auroch Digital – Devolver Digital, Big Fan Games
Warhammer 40,000: Boltgun 2 é um FPS boomer shooter, desenvolvido pela Auroch Digital e distribuído pela Big Fan Games em conjunto com a Devolver Digital. O título foi lançado em 14/10/2026 com versões para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S, com uma versão para Nintendo Switch 2 confirmada para mais tarde.
Expandindo a fórmula e corrigindo alguns erros de seu antecessor, mas adicionando outros. Warhammer 40,000: Boltgun 2 é um boomer shooter divertido, mas que traz algumas novidades mal implementadas e exploradas, em uma jogatina totalmente desbalanceada.
Lançado em 2023, Warhammer 40,000: Boltgun é um FPS “boomer shooter” que apesar de entregar uma experiência OK, foi duramente criticado pelo abuso do formato de arenas que o deixou enjoativo, o tornando basicamente um arena shooter. Boltgun 2 traz um formato um pouco mais clássico, com mapas maiores e uma dose de exploração interessante, ainda temos arenas, mas agora elas fazem parte do nível e não são o foco principal de toda jogatina.
Em Boltgun 2, uma frota Imperial que estava em uma missão para investigar e expurgar um possível foco de corrupção, acaba caindo em uma armadilha sendo parcialmente destruída pelo Demônio Superior Vashtorr. Sobrevivendo a esta armadilha e com uma sede de vingança, nós temos o famoso Ultramarine Malum Caedo sendo acompanhado da Battle Sister Nyra Veyrath, ambos partindo em uma jornada para parar esta nova ameaça.
Não espere nada primoroso ou interessante, pois assim como no jogo anterior, a trama aqui só serve como plano de fundo para justificar toda a carnificina que continua no estilo 40K com muito tiro, serras e bombas. O grande diferencial está na jogatina que apresenta mapas mais bem elaborados e a dois personagens jogáveis diferentes, que partilham um arsenal semelhante e uma jornada que poderia ser melhor desenvolvida e explorada.
Para quem não conhece o universo de 40K, apesar dos Space Marines tomarem o foco da maior parte da história e dos jogos, eles não são os únicos a compor as forças do Império da Humanidade que também contam com outras facções e unidades, sendo a Adepta Sororitas uma destas. As Sisters of Battle ou “Battle Sisters”, são o braço militar da Adepta Sororitas que para quem não conhece, funciona como uma espécie de convento, uma subdivisão do braço religioso do Império, composta majoritariamente de mulheres que diferente dos Space Marines, não são mutantes.
As Battle Sisters, são humanas normais que recebem treinamento militar e utilizam armaduras e armas especiais feitas para elas. As Sisters ajudam a proteger o Império e às vezes até lutam ao lado, auxiliando os Space Marines e aqui nós temos Nyra Veyrath como Battle Sister e personagem opcional.
Desde o início da campanha, é possível escolher entre o Ultramarine Malum Caedo ou a Battle Sister Nyra Veyrath, dois personagens um pouco diferentes que partilham algumas semelhanças. O Ultramarine é mais lento, mas sua arma corpo a corpo Chainsword (espada-motosserra) causando mais danos e seu arsenal de armas é composto por armamentos pesados, com mais munição e maior poder de fogo em área. Em um lado oposto, a Battle Sister é um personagem bem mais rápido, com Power Sword para ataque corpo a corpo rápido, combinado a um ataque deslizante que aumenta ainda mais a mobilidade e seu arsenal é um pouco mais equilibrado, composto de armamentos contendo munição e carregadores menores e mais limitados e com o foco maior em dano concentrado em um único alvo. Independente do personagem escolhido, ambos darão conta do recado pois temos um arsenal decente que torna o jogo desbalanceado e a dificuldade também é bem mais baixa do que a do jogo anterior.
Diferente de Boltgun que sofria com mapas confusos e um excesso de arenas de combate, Boltgun 2 traz mapas maiores e mais variados, com exploração vertical e horizontal, contendo diversos segredos e as arenas de combate aparecendo apenas em segmentos específicos e lutas de chefes. A dinâmica continua praticamente a mesma, onde é preciso explorar o mapa para encontrar uma chave de certa cor e assim conseguir progredir pelo nível, mas agora temos níveis completos e diversos, porém a qualidade aqui também varia bastante.
O level design é um tanto inconsistente, com níveis geralmente divididos em segmentos e temos partes bem desenhadas, interessantes e divertidas de se explorar, já outras muito malfeitas e sem sentido algum, com um excesso de plataformas e inimigos mal posicionados. Aqui infelizmente é comum sair de uma arena legal e acabar caindo em uma nova linear, com praticamente nenhuma exploração, onde a jogatina volta a ser enjoativa e mecânica, algo que acontece até no chefe final.
Nos inimigos, esta sequência apresenta uma maior diversidade total, mas uma limitação gigante que depende do nível selecionado. Aqui nós temos diferentes tipos e variações de demônios menores, Marines corrompidos pelo caos e outros, mas infelizmente você verá apenas três ou quatro tipos de inimigos por nível, o que torna a experiência repetitiva e dependendo do bioma da missão escolhida é possível ter de enfrentar os mesmos inimigos novamente, o que contribui negativamente para a experiência.
A dificuldade geral foi diminuída bastante e esta sequência está bastante fácil quando comparada ao jogo anterior e isso mesmo no nível mais difícil. Ainda temos alguns inimigos que são esponjas de balas, mas por conta dos níveis melhor construídos e da menor quantidade de arenas, é possível ter uma sobrevida melhor ao aproveitar os obstáculos como cobertura. Mesmo que você parta para a ação, tentando destruir tudo o que tiver pela frente, também será difícil de se morrer, até porque os níveis contêm bastante recursos e a estratégia é sempre guardar a munição das armas pesadas para os inimigos maiores e chefes.
De certo modo, a dificuldade está atrelada a evitar o dano causado por inimigos que teleportam e tentam te acertar, estes que são abundantes em algumas etapas e fazem a jogatina ficar frustrante nestas. Por conta da maior velocidade e mobilidade da Battle Sister, com ela é mais fácil evitar este tipo de dano, mas no geral é só não ficar parado que a maior parte do dano será evitada.
O título também traz alguns recursos de qualidade de vida e extras, alguns implementados tardiamente no antecessor, mas que aqui chegam desde o início e facilitam o progresso e navegação para quem quiser os utilizar. Desde o início é possível abrir um mapa que irá te mostrar o nível ao seu redor e possíveis secretos ou pontos de interesse que estiverem nas proximidades, também temos um guia de navegação que pode ser ativado e te mostra o caminho direto até o próximo alvo ou objetivo do nível, existe uma roda de seleção de armas para troca mais rápida, além de opções de alternância para algumas ações como a de correr que diminuem a necessidade de manter uma tecla pressionada. O jogo também traz algumas opções de “trapaças” como munição infinita, liberar todas as armas e liberar todos os níveis para quem quiser utilizar.
Mesmo tecnicamente sendo uma trapaça, esta opção de liberar todos os níveis é algo a ser considerado mesmo em sua primeira jogatina, pois o jogo traz um sistema de ramificação de níveis que você vai amar ou odiar. O jogo conta com 33 missões, mas ao escolher um nível, outro será bloqueado por conta do sistema de ramificação e em uma jogatina você fará pouco mais de 20 missões totais, sendo necessário uma segunda jogatina para conseguir ver todos os níveis. A questão é que jogar novamente é enfrentar algumas etapas frustrantes e enjoativas e a opção de liberar todos os níveis ajuda quem quiser acelerar o progresso.
Os visuais continuam com a mesma pegada do anterior, trazendo uma pixel art interessante que é incrementada por filtros de tela, com uma maior variação de inimigos e cenários. A interface foi completamente refeita e agora apresenta elementos mais nítidos com munição, barra e ícones de vida, armadura, habilidades e granadas mais visíveis. A trilha sonora continua com as faixas impactantes para embalar o combate, com o Ultramarine trazendo frases de efeito que conseguem passar a raiva e a sede de vingança deste, mas a Battle Sister com uma dublagem fraca e frases sem emoção alguma.
O desempenho geral é bom e não encontramos quedas de quadros ou problemas de crashes, porém o jogo sofre com algumas possibilidades de softlocks que podem acontecer em algumas etapas como as arenas. Este problema geralmente está relacionado a inimigos que saem da tela ou ficam inacessíveis/invulneráveis, problemas estes que estão sendo resolvidos com atualizações. Outra inconsistência está no desbalanceamento da campanha geral, pois não é raro ter arenas de combate ou segmentos bem mais difíceis do que confrontos de chefe, estes últimos que na maior parte do tempo são totalmente mecânicos, onde temos uma pequena janela de dano, para depois nos esconder ou correr para evitar ataques e assim repetir, até o chefe ser abatido.
Outro ponto a ser notado é que a adição da Battle Sister não faz muito sentido, infelizmente ela não foi bem implementada ou explorada. Com a Battle Sister, você vai jogar a mesma campanha e dependendo das escolhas, fazendo tudo igual, só que com um personagem diferente e Boltgun é um jogo que começou com a jornada do Ultramarine. A Battle Sister, poderia ter sido implementada como personagem de multiplayer, ou com níveis/campanha próprias que em algum momento poderiam se intercalar com a do Space Marine no jogo base ou em uma DLC. Infelizmente isso não acontece, ela aparenta ser apenas um personagem para dizer que o jogo é diferente e que teve uma adição, ou para chamar parte do público que gosta das Battle Sisters.
No final, Warhammer 40,000: Boltgun 2 nos apresenta a uma sequência que de fato melhora a experiência de seu antecessor, seguindo um padrão mais clássico com mapas no geral melhor desenhados e mais inimigos. Contudo, apesar de interessante, a adição da Battle Sister não faz muito sentido e acaba sendo mal explorada durante a jogatina e o fator replay apesar de existir não é encorajador. O preço cobrado é OK e eu prefiro recomendar este jogo para os fãs ou para quem se interessar, do contrário é melhor esperar por uma promoção.
Veredito Gamers & Games:
8.0
/ 10
Warhammer 40,000: Boltgun 2 melhora a experiência do antecessor com mapas maiores, mais exploração e recursos de qualidade de vida. Apesar da jogabilidade divertida, o desbalanceamento, os problemas técnicos e a pouca exploração da Battle Sister limitam o potencial da sequência.
