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The Dark Pictures Anthology: House of Ashes – Visceralmente intrigante | Análise

House of Ashes inicia a jornada dois mil anos antes de Cristo, introduzindo um supersticioso faraó que teme um mal avassalador

Analisado no PlayStation 4


House of Ashes é o terceiro título da The Dark Pictures Anthology que compreende Man of Medan e Little Hope. Embora existam dois títulos anteriores, não há correlação narrativa entre eles, são títulos e histórias originais e independentes. A proposta desse jogo é completamente narrativa, como um filme interativo da Netflix, então não espere uma jogabilidade mirabolante ou mecânicas inovadoras, aqui o jogo rola sozinho e nosso papel é tomar decisões e possuir reflexos rápidos para não se dar mal nos Quick Time events, pois qualquer movimento errado ou fora do tempo provocará resultados negativos, inclusive sobre vida ou morte.

The Dark Pictures Anthology House of Ashes

House of Ashes inicia a jornada dois mil anos antes de Cristo, introduzindo um supersticioso faraó que teme um mal avassalador, e por conta disso faz rituais de tortura e sacrifício humano ao mesmo tempo que se encontra em guerra com invasores. Em meio ao derramamento de sangue, um grande e antigo mal acorda e decide que vai fazer seu primeiro lanche pós coma ali mesmo, e se alimenta com todos presentes. Com uma introdução densa, a temática é estabelecida e temos uma atmosfera bem parecida com a franquia de filmes A Múmia, onde há maldições, criaturas milenares e cavernas empoeiradas sem iluminação.

Após essa apresentação somos jogados para o ano de 2003 durante a busca por Saddam Hussein no Iraque. No comando de uma equipe de militares, vamos sair em busca do esconderijo de armas químicas de Saddam, que é quando tudo começa a desandar, pois o exército Iraniano ainda representa perigo para as tropas estadunidenses. E em meio a busca por um silo de armas químicas, nos vemos no epicentro de um terremoto, que abre o chão no melhor estilo “Arraste-me para o Inferno” e engole ambos os lados. Adivinhem que lugar é esse? Acertou quem disse que é o lugar sinistro que vimos no começo do jogo. Neste ponto a narrativa nos coloca em posição de continuar brigando com o inimigo ou se aliar para fugir das criaturas.

The Dark Pictures Anthology House of Ashes

O interessante desse jogo é a forma como somos colocados de frente a um terror grotesco e ainda assim consegue espaço para questionamentos sobre amizades, relacionamentos amorosos, patriotismo e motivação para a guerra, bem como respeito e hierarquização sistêmica dentro das vísceras dos exércitos.

Sob nosso comando estão cinco pessoas, quatro soldados norte americanos e um soldado Iraniano, Salim. Cada um deles possui características únicas que vão desde traumas de guerra em função de más decisões que tomaram no passado, até um triângulo amoroso que seria facilmente resolvido com a formação de um trisal. Sobre a jogabilidade, não tem muito o que dizer, afinal, o jogo é igual aos anteriores, ou seja, a mecânica é exatamente a mesma. O jogo se resume a uma exploração superficial e execução de Quick Time Event, que se feito com sucesso, tudo correrá bem, caso você erre um botão ou perca o timing, seu personagem pode morrer logo no começo do jogo.

The Dark Pictures Anthology House of Ashes

Mesmo sendo tudo muito superficial, o jogo ainda oferece um desafio, que é manter a atenção ao seu redor para não cometer erros fatais. Assim como em Until Dawn, existem as famigeradas Premonições, que são encontradas em tábuas dispersas ao longo da jogatina e nela podemos ter um vislumbre de um futuro que pode ou não vir a acontecer, o que está intrinsecamente ligado às nossas escolhas no decorrer da jornada.

Tecnicamente falando, o jogo possui alguns problemas que geram certo desconforto: algumas texturas e formas sofrem um certo delay em algumas cenas, sendo visível a queda de qualidade visual. Em alguns momentos o jogo deu uma engasgada entre uma cena e outra, associada a pequenos travamentos na movimentação da câmera, como se a câmera fosse mais rápida que o carregamento do cenário. Mas num contexto geral, o jogo está bem bonito, com personagens mais caprichados que outros (nada de novo no mundo dos games), mas nada que tire o brilho e a tensão da experiência, afinal, são questões pontuais que facilmente podem ser resolvidas com uma atualização.

The Dark Pictures Anthology House of Ashes

The Dark Pictures Anthology: House of Ashes é um título incrível, que te mantém entretido do começo ao fim, entre sustos e suspenses. A premissa é batida, mas o desenvolvimento particular de cada personagem é a cereja do bolo, pois seus embates pessoais elevam a narrativa do gameplay. Embora o jogo precise de uma atualização para polir alguns detalhes, o jogo é fortemente recomendado para quem gosta de histórias densas e de tomar decisões importantes que podem afetar um indivíduo ou todo o grupo.

The Dark Pictures Anthology: House of Ashes

8

Nota

8.0/10

Positivos

  • História
  • Desenvolvimento dos personagens

Negativos

  • Travamentos
  • Falha nas texturas

Thiago Richeliê

Um otimista cauteloso que sofre influências da desastrosa Lei de Murphy! Estudante de Fisioterapia, amante de Games, o louco das Séries, apaixonado por Filmes e que chora ouvindo Músicas.
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