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Avenging Spirit – Puxe o pé dos inimigos nessa empolgante aventura retrô! | Análise

O jogo publicado pela RataLaika Games te coloca na pele de um fantasma cuja missão é salvar sua namorada (ou ex-namorada, já que ela ainda está viva!)

Analisado no Nintendo Switch


Sabe aquela vontade que frequentemente tínhamos na época dos saudosos SNES e Mega Drive, de poder controlar outros personagens além do protagonista? Em Avenging Spirit é exatamente isso o que acontece! O jogo originalmente presente nos arcades volta após 30 anos, para mais uma vez assombrar os malfeitores!  Agora, a aventura pode acontecer tanto no modo portátil quando na tela grande e tudo isso com algumas facilidades da modernidade, tais como o recurso rebobinar.

O jogo publicado pela RataLaika Games te coloca na pele de um fantasma cuja missão é salvar sua namorada (ou ex-namorada, já que ela ainda está viva!) Motivado pelo seu sogro, o nosso ser assombrado não mede esforços para seguir em frente com seu objetivo e nesse intuito usa toda a sua destreza para… possuir o inimigo mais próximo! Sim, você leu certo! Nesse jogo você controla a maior parte do tempo não esse espectro fantasmagórico, mas sim os corpos possuídos por ele, e isso torna a jogabilidade genial.

Avenging Spirit

Seja um ninja, um monge, uma dama do gelo, uma gangster, um bandido fortemente armado, um vampiro com pouca roupa ou o que mais aparecer na sua frente! E para isso só basta que nosso protagonista transparente “pouse” sobre a cabeça do escolhido e que você aperte um botão. Em poucos instantes você já está controlando o personagem, que até então era seu inimigo e estava fazendo de tudo para levar sua namorada para o mesmo plano que você (o que não é bom, claro!) As mecânicas variam enormemente de acordo com o personagem que você estiver controlando:  não é somente a forma de ataque que muda quando um inimigo diferente é possuído, mas sim todo um conjunto de características, tais como a velocidade, a altura do salto, a velocidade com que você aterriza e a quantidade de vida que cada inimigo tem, que então fica completamente ao dispor dessa assombração bem intencionada.

Aliás, há dois tipos de “vida” aos quais os jogadores devem prestar atenção: a vida do humano “possuído” e a do fantasma propriamente dito. Quando o medidor de vida do humano se esgota após receber muitos danos, o humano morre (ou desmaia, nunca saberemos) e o fantasminha sai de seu corpo, para então procurar outro inimigo cujo corpo deve ser possuído. Bom, é aí que as coisas ficam difíceis para nosso protagonista: ele não pode ficar muito tempo fora de um corpo, e isso é medido através de uma barra de energia que vai esvaziando conforme ele sai a procura de um malfeitor. Se o medidor esvaziar completamente, acaba-se a “vida” desse vingador sobrenatural e a tela de “continue” aparece, ou seja, seria Game Over. Só não é porque neste jogo conta com vidas infinitas, então não importa onde foi a sua última morte, você acaba voltando pro mesmo lugar. Há quem reclame por achar que isso tira o desafio do jogo. Eu, por outro lado, acho interessante, porque há trechos que eu realmente não gostaria de ter que refazer a cada tentativa.

Avenging Spirit

Além dos já mencionados elementos de plataforma, há uma ligeira semelhança com os metroidvanias (bem ligeira mesmo), já que você precisa procurar as chaves que darão acesso a outras áreas, e isso te prende um pouco mais em cada cenário. Assim, por mais que os desafios com os inimigos em si não sejam tão grandes e as fases acabem passando batidas em algumas ocasiões, o tempo de jogo acaba aumentando um pouco devido a essa exploração forçada em busca das chaves.

Realmente a ideia central me satisfez bastante, pois é bastante divertido poder trocar de personagens ao longo do jogo e ir experimentando as mais diversas mecânicas de ataque a cada inimigo que era possuído. Mas como nem tudo é perfeito, preciso dizer que alguns fatores fazem com que “Avenging Spirit” permaneça datado demais: a gravidade do jogo me incomodou bastante. Sabe aquele impulso que você dá no fundo da piscina, quando toda a água em volta parece atenuar o seu movimento? Então, os saltos desse jogo em geral são assim. Me parecem demasiadamente suavizados. Ao mesmo tempo, enquanto você está em queda livre, os movimentos para as laterais são absurdamente rápidos, o que faz com que os elementos de plataforma desse jogo façam da sua vida um pesadelo! Além disso, a câmera se move de maneira muito brusca com esses saltos, o que se traduziu para mim, algumas vezes, como sensação de vertigem. De qualquer forma, estamos falando de um jogo originalmente lançado em 1991 nos arcades, então temos que ser justos com as limitações inerentes dessa proposta.

O jogo conta com 4 níveis selecionáveis de dificuldade, indo do “easy” ao “hardest”, mas sinceramente, o modo easy é o suficiente para manter a diversão já que o timing certo para os saltos entre as plataformas é algo que vai exigir certa paciência dos jogadores.  Por outro lado, a desenvolvedora pareceu querer abraçar quem se aventura nessa jornada um tanto mística: logo após a tela de menu são apresentados os controles do jogo, de forma bastante visível e inequívoca. Além disso é possível escolher entre a versão original de fliperama (para 2 jogadores) e a versão otimizada para a jogatina doméstica. Ao se selecionar a versão arcade alguns fatores são adaptados para o Nintendo switch (ou os demais consoles), como a introdução da ficha no fliperama, que aqui acontece ao se pressionar o analógico esquerdo. Também é possível escolher entre a versão original em japonês e a versão “global”.

De modo geral, Avenging Spirit diverte e traz aquela sensação nostálgica dos jogos da década de 90, tanto pela originalidade quanto pela irritação com os pulos mal calculados. O preço cobrado na eShop brasileira, de R$32,00 (mas atualmente em promoção por 25,60) me parece um justo para a obtenção de um clássico com esse carisma. No entanto acredito que ao menos que o preço caia ainda mais, o alcance desse jogo ficará limitado a quem viveu a era de ouro dos arcades.

Avenging Spirit

 

Avenging Spirit

6.5

Nota

6.5/10

Positivos

  • Mecânica de possessão muito criativa e divertida
  • Variedade de personagens “possuíveis”
  • Recurso rebobinar
  • Modo fliperama

Negativos

  • Jogabilidade infelizmente datada
  • Movimentos bruscos das câmeras com saltos do personagem.

Vlademir Vitaliano

Químico de formação, com doutorado em engenharia da nanotecnologia. Meu primeiro videogame foi um Mega Drive, através do qual me apaixonei pelos jogos mais casuais, sejam eles de aventura, luta ou corrida. Atualmente sou fã da Nintendo e suas "Nintendices".
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