
Everybody’s Golf: Hot Shots – Mistura humor e estratégia com charme e nostalgia | Análise
Analisado no Nintendo Switch
Lançado em 5 de setembro de 2025 pela Bandai Namco, “Everybody’s Golf: Hot Shots” chegou ao Nintendo Switch (também no PlayStation 5 e PC via Steam), trazendo para o público gamer as várias nuances desse esporte ainda bastante misterioso para a maioria de nós, brasileiros. Com 25 personagens carismáticos, cenários até que cativantes (dentro das limitações do Switch) e efeitos e animações que podem prender a atenção da molecada, o jogo coloca o golfe literalmente na palma da sua mão.
A proposta tem uma pegada old school, priorizando a experiência de simulação do esporte. E quando falo em simulação, não estou falando dos controles de movimento — que é o que muita gente imagina ao pensar em um jogo esportivo no Switch. Aqui, o estilo lembra os consoles mais antigos: você escolhe o taco para cada jogada, analisa o relevo do campo, observa as condições climáticas, decide se quer bater no centro da bola ou agregar um certo grau de rotação na bola… tudo isso para tentar acertar aquela tacada perfeita.
A mecânica principal do jogo (a tacada) é simples: você precisa apertar o mesmo botão três vezes, seguindo o ritmo de uma barra que se movimenta. Se o pressionar na hora certa, manda ver num ótimo lance. Caso contrário, sua bola poderá voar verticalmente ou nem mesmo sair do lugar.
O modo principal do jogo é o World Tour, que funciona como a campanha. Você começa com apenas dois personagens jogáveis e, à medida que avança, vai desbloqueando novos integrantes para o seu elenco. Cada personagem tem sua própria personalidade, motivações e história, que você vai conhecendo melhor através de animações entre os confrontos individuais — sempre em duelos 1×1 contra outros jogadores.
Além da campanha, o jogo oferece modos mais livres e variados, como Solo Round, Match Play e Stroke Play. Cada um deles traz uma dinâmica diferente, alterando a duração e a estrutura dos desafios, o que ajuda a manter a jogabilidade interessante para quem quer variar um pouco a experiência.
No entanto, é no modo “Wacky Golf”, que a bagunça acontece e você se diverte de uma forma um pouco mais fora da caixinha. Esse modo permite jogar com regras e efeitos especiais que lembram o desenho “Corrida Maluca- Wacky Races” — como buracos com tornados ou explosões aleatórias depois da tacada. Esse modo brilha mesmo quando jogado localmente com amigos, garantindo boas risadas.
Independentemente do modo escolhido, você vai evoluindo seu jogador e seu caddie, desbloqueando novas habilidades e ganhando recompensas. Mas aqui vem um ponto de frustração: a progressão é bem lenta. Leva um tempo até desbloquear uma quantidade decente de personagens, e cada um precisa ser evoluído separadamente para liberar habilidades como ajustar a força da tacada ou fazer efeitos de giro.
Apesar da ideia ser boa, o jogo escorrega em vários pontos — especialmente para quem não é fã de carteirinha do esporte. O tutorial é superficial e pouco explicativo. Muita coisa você só entende jogando, depois de ficar alguns minutos se perguntando o que aconteceu quando apertou determinado botão.
Os personagens, embora simpáticos, falam demais e vivem repetindo as mesmas frases, o que pode irritar com o tempo. E, sinceramente, em vários momentos o jogo mais me distraiu do que me divertiu. Mas esse talvez esse seja mesmo o objetivo: apresentar o golfe de uma forma algo lúdica e educativa, mantendo-se no entanto fiel à complexidade e física do esporte. No fim das contas, não é um título que prende — especialmente por ser um esporte pouco familiar para nós e por não ter localização em português do Brasil.
Mesmo com um preço racional, Everybody’s Golf: Hot Shots pode agradar quem curte jogos mais retrô ou quem quer aprender um pouco mais sobre golfe. Mas, no geral, deve ficar restrito a um nicho bem específico.










